sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

1938: Começa julgamento do pastor Martin Niemöller pelo regime nazista


Martin Niemöller aos 85 anos de idade
"Ter fé significa seguir Jesus. E a quem afirma acreditar em Jesus Cristo, posso perguntar sobre a sua vida e dizer: você acha que ele aprovaria o que você faz hoje? Que, com isto, você está sendo sucessor de Jesus de Nazaré?"
"O que faria Jesus?", esta foi a pergunta básica na vida do pastor Martin Niemöller, e foi esta pergunta que o colocou em conflito com o regime nazista. No início, nada indicava que Niemöller viria a ser um dia o símbolo da resistência protestante. Nascido em 1892, filho de um pastor evangélico de confissão luterana, ele foi educado para a fidelidade ao imperador e o sentimento patriótico alemão.
Depois de concluir o ensino médio, ingressou na Marinha como soldado de carreira. Mesmo depois de formar-se em teologia, permaneceu fiel à sua ideologia patriótica e conservadora: em 1924, votou no NSDAP, o partido de Hitler. Mas após a subida dos nazistas ao poder, em 1933, Niemöller – então pároco em Berlim-Dahlem – entrou em conflito crescente com o novo regime.
Criação da Igreja Engajada
Mesmo sendo nacionalista e não estando inteiramente livre de preconceitos antissemitas, Niemöller protestava decididamente contra a aplicação do "parágrafo ariano" na Igreja e a falsificação da doutrina bíblica pelos cristãos alemães de ideologia nazista. Para impedir a segregação de cristãos de origem judaica, criou no outono de 1933 a Liga Pastoral de Emergência, transformada no ano seguinte na Igreja Engajada. Esta recusava obediência à direção oficial da Igreja, a qual apoiava o regime nazista.
Em 1934, Niemöller acreditava, ainda, que poderia discutir com os novos donos do poder. Numa recepção na chancelaria em Berlim, ele contestou Hitler, que queria eximir a Igreja de toda responsabilidade pelas questões "terrenas" do povo alemão.
"Ele me estendeu a mão e eu aproveitei a oportunidade. Segurei sua mão fortemente e disse: 'Sr. chanceler do Reich, o senhor disse que devemos deixar em suas mãos o povo alemão; mas foi alguém inteiramente diferente que colocou a responsabilidade por nosso povo em nossa consciência'. Ele puxou, então, a mão, dirigindo-se ao próximo, e não disse mais nenhuma palavra".
Na mira dos nazistas
A partir deste incidente, Niemöller entrou cada vez mais na mira do regime. Observado pela Gestapo, foi proibido de pregar, o que não aceitou. Em 1935, foi preso pela primeira vez e logo libertado. Martin Niemöller já era tido nessa época como o mais importante porta-voz da resistência protestante.
Em meados de 1937, ele pregava: "E quem, como eu, que não viu nada a seu lado no ofício religioso vespertino de anteontem, a não ser três jovens policiais da Gestapo – três jovens que certamente foram batizados um dia em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e que certamente juraram fidelidade ao seu Salvador na cerimônia de crisma, e agora são enviados para armar ciladas à comunidade de Jesus Cristo –, não esquece facilmente o ultraje à Igreja e deseja clamar 'Senhor, tende piedade' de forma bem profunda".
Em julho de 1937, Niemöller foi preso novamente. Após cerca de sete meses, no dia 7 de fevereiro de 1938, começou então o seu julgamento diante do Segundo Tribunal Especial, em Berlim-Moabit. A acusação argumentava que o pastor teria criticado as medidas do governo nas suas pregações "de maneira ameaçadora à ordem pública", teria feito "declarações hostis e provocadoras" sobre alguns ministros do Reich e, com isto, transgredido o "parágrafo do Chanceler" e a "Lei da perfídia". A sentença: sete meses de prisão e 2 mil marcos de multa.
Os juízes consideraram a pena cumprida, em função do longo tempo de prisão preventiva. Niemöller deveria assim ter deixado a sala do tribunal como homem livre. Para Hitler, no entanto, a sentença pareceu muito suave. Ele enviou o pastor para um campo de concentração, como seu "prisioneiro pessoal". Até o fim da guerra, durante mais de sete anos, Martin Niemöller permaneceu preso, primeiro no campo de concentração de Sachsenhausen, depois em Dachau.
  • Autoria Rachel Gessat (am)
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