segunda-feira, 10 de março de 2014

1952 - Fulgencio Batista lidera golpe de Estado em Cuba

Em 10 de março de 1952, o exército cubano, liderado por Fulgencio Batista, impede as eleições que se realizariam em 1º de junho, levando a cabo um pronunciamento militar, perpetrando um golpe de Estado e instaurando no país uma ditadura.

Na madrugada de 10 de março, o povo de Havana desfrutava de outra noite de carnaval. Ninguém suspeitava que estava em marcha uma sinistra conspiração para tomar o poder.

Na verdade, havia duas conspirações em marcha. Uma chefiada pelo capitão Jorge Garcia Tuñon, composta por jovens oficiais, sem vínculos com os batistianos e que aspiravam deter a corrupção político-administrativa  e em seguida convocar eleições. Uma segunda conspiração contava com poucas possibilidades de êxito, visto que durante os dois governos anteriores, houve um expurgo no governo e no exército de elementos batistianos. Tinha como figura principal a Fulgencio Batista y Zaldivar, um ex-sargento promovido a general, com longa experiência em maquinações conspirativas e que havia sido o “homem forte” em Cuba entre 1934 e 1944, porém não podia legalmente tentar reeleger-se presidente nas eleições de 1952.

Ambas as conspirações fundiram-se em uma porque a primeira não dispunha de líder com popularidade. Por outro lado, a conspiração de Batista não contava com os contatos necessários nos comandos militares para conseguir um rápido êxito.

Wikicommons

Lider do exército cubano durante o golpe militar, Fulgencio Batista em Washington, nos Estados Unidos.

Na união das conspirações, o chefe seria o capitão Tuñon. De fato, foi este oficial quem deu as primeiras ordens. Porém tudo mudou ao chegar a Columbia. Batista esperou seu momento, até que as classes baixas e o povo começaram a afluir ao acampamento. Batista abandonou então seu papel de apenas uma figura do golpe para falar ao povo e aos soldados e distribuir ordens. Nesse momento, o jovem oficial Tuñón compreendeu que Batista outra vez havia roubado para si um golpe.

Uma vez consumado o golpe de estado militar, contra o corrupto, se bem que constitucionalmente eleito, presidente Carlos Prio Socarras, Batista se instalou no poder, derrogou a Constituição vigente desde 1940 e estabeleceu uma cruel ditadura.

Longe de eliminada, a corrupção se enraizou ainda mais. Implantou uma brutal repressão caracterizada pela tortura e a eliminação. Entre outros males, levou a limites vergonhosos a submissão aos interesses econômicos e políticos aos Estados Unidos.

Na madrugada, os golpistas foram ocupando sem resistência as principais guarnições da capital, valendo-se da promessa de recompensar seus chefes. Enquanto isso, Batista se dirigia à Fortaleza Militar de Columbia numa caravana escoltada por esbirros da polícia, motorizada sob o comando do famigerado tenente Rafael Cañizares.

Assim foram tomados aeroportos, ministérios e meios de comunicação. Alguns oficiais em Matanzas, Villa Clara e Santiago de Cuba se negaram a acatar o golpe de Estrado, porém foram tranquilizados com promessas de promoção e riquezas. As guarnições de Havana passaram a ter novos comandantes.

O deposto presidente, Carlos Socarrás, que se encontrava em sua quinta “La Chata”, ao tomar conhecimento que havia perdido todo o apoio do exército, decidiu fugir com sua mal havida fortuna, asilando-se na Embaixada do México, sem atender ao pedido de armas por parte dos estudantes universitários a fim de resistir aos golpistas.

Desse modo, o país transitou de um governo corrupto a outro mais corrupto ainda e eminentemente sanguinário.
Em 10 de março de 1952, o povo de Cuba começou a viver uma das etapas mais difíceis da República neocolonial, que se estendeu por quase 7 anos de luta e enfrentando a mais sanguinária e cruel tirania sofrida pelo país, uma das mais repulsivas e bárbaras da história do hemisfério.

Para aplicar esta política criou, aperfeiçoou e reorganizou um aparelho repressivo em função de esmagar toda oposição possível.

O assalto ao poder levou os partidos tradicionais de então ao total desprestígio: conservadores e liberais se somaram ao novo governo; os autênticos se dividiram em numerosas correntes e o Partido Ortodoxo foi presa da passividade, da divisão e da confusão.

Com o derrocamento do governo constitucional e a abolição da Constituição de 1940, Batista impediu a vitória popular e afiançou o domínio dos Estados Unidos em Cuba.

O golpe de Estado de 10 de março gerou um processo revolucionário radical tendo como ponto de partida a luta contra a violação das leis.

Esta ditadura foi derrocada em 1º de janeiro de 1959 com o Triunfo da Revolução, comandada por Fidel Castro.
Fonte: Opera Mundi

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