quarta-feira, 12 de março de 2014

1988 - ONU pede fim de guerra entre Irã e Iraque

Em 11 de março de 1988, o Conselho de Segurança das Nações Unidas exige um cessar-fogo na Guerra Irã-Iraque. O Iraque aceitou, mas o Irã, não. Em agosto de 1988, negociações levadas a cabo pelo secretário geral da ONU, Perez de Cuellar, levou a que o país aceitasse a mediação. O armistício veio em julho e a paz, restabelecida em 15 de agosto.

A Guerra Irã-Iraque foi um conflito militar entre 1980 e 1988, resultado de disputas políticas e territoriais entre ambos os países. Os Estados Unidos, sob a presidência de Ronald Reagan, apoiavam o Iraque.

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Em 1980, o presidente Saddam Hussein, do Iraque, revogou um acordo que cedia ao Irã cerca de 518 quilômetros quadrados de uma área de fronteira ao norte do canal de Shatt al Arab, em troca da garantia do Irã de cessar a assistência militar à minoria curda do Iraque, que lutava por independência.

Exigindo a revisão do acordo, a retomada de três ilhas no Estreito de Ormuz e a concessão de autonomia às minorias dentro do Irã, o exército iraquiano invade, em 22 de setembro de 1980, a região ocidental do Irã.

O Iraque também estava interessado na desestabilização do governo islâmico de Teerã e na anexação do Cuzistão, província iraniana rica em petróleo. Segundo os iraquianos, o Irã infiltrara agentes no Iraque para derrubar o regime de Hussein. Ambos os lados foram vítimas de ataques aéreos a cidades e a poços de petróleo.

Iraque esperava uma guerra rápida, pois contava com um moderno exército equipado pela União Soviética. Outros países muçulmanos, como Kuwait e Arábia Saudita, também lhe davam apoio, na esperança de enfraquecer Teerã. O Irã estava isolado internacionalmente, pois considerava os Estados Unidos e a União Soviética  igualmente como inimigos.

Em 1981, somente Khorramshaahr caíra inteiramente em poder do Iraque. Em 1982 , as forças iraquianas recuaram. A resistência do Irã levou o Iraque a propor um cessar-fogo, recusado por Teerã. Naquele mesmo ano, o Irã atacou o Kuwait e outros Estados do Golfo Pérsico. As Nações Unidas e Estados europeus enviaram navios de guerra para a zona. Em 1985, aviões iraquianos destruíram uma usina nuclear em Bushehr e alvos civis, o que levou os iranianos a bombardear Bassora e Bagdá.
O esforço de guerra do Iraque era financiado por Arábia Saudita e Estados Unidos, enquanto o Irã contava com a ajuda de Síria e Líbia. A União Soviética, que vendia inicialmente armas para o Iraque, passou a comercializar mais com o Irã, a fim de compensar o apoio norte-americano.

Donald Rumsfeld, em 1983, viaja como enviado do presidente Ronald Reagan para o Oriente Médio para  reforçar o apoio de Washington a Saddam Hussein. Curiosamente, Rumsfeld veio a ocupar o cargo de Secretário de Defesa dos EUA no governo Bush e desencadeou a guerra contra Hussein.

Em meados da década de 1980, a reputação internacional do Iraque ficou abalada quando foi acusado de ter utilizado armas químicas contra as tropas iranianas. A guerra entra então em nova fase em 1987, quando Teerã aumentou as hostilidades contra a navegação comercial no Golfo Pérsico, resultando na ampliação da presença de navios norte-americanos na região. O Irã sofre substancial perda de equipamentos militares enquanto o Iraque continuava a ser abastecido pelo Ocidente.

O conflito começou a preocupar as grandes potências quando atingiu o fluxo regular de petróleo, com os beligerantes afundando navios e instalações petrolíferas, prejudicando grandes fornecedores como o Kuwait.

Essa guerra resultou em perdas de cerca de 1,5 milhão de vidas, além de destruir os dois países e amainar o ímpeto revolucionário de Teerã. Em 1989 morre o aiatolá Khomeini e seus sucessores passam a adotar posições mais moderadas. Em setembro de 1990, enquanto o Iraque se preocupava em invadir o Kuwait, ambos os países restabelecem relações diplomáticas.
Fonte: Opera Mundi

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