sexta-feira, 7 de março de 2014

A crise na Ucrânia é séria demais, diz historiador britânico

Historiador completa: "Putin não deve se iludir de que tropas russas vão ser bem recebidas"

“Não me surpreendo em nada com o que aconteceu neste sábado,”  afirma, durante uma visita a Viena, o historiador britânico Timothy Snyder. Ele é professor do Departamento de História da Universidade de Yale, em Connecticut,  escreveu dois livros sobre a Ucrânia e tem publicado artigos sobre a crise na antiga república soviética em que alertou para o desfecho de uma intervenção militar. O livro mais recente de Snyder é  Bloodlands, Europe Between Hitler and Stalin (2010), uma elogiada história do genocídio de 14 milhões de civis praticado em nome de duas utopias, a de classe, por Stalin, e a da raça, por Hitler.
O professor é cauteloso na previsão do desdobramento da decisão de Vladimir Putin de formalizar a intervenção no parlamento russo mas alerta que a crise entrou num território em que algo terrível pode acontecer. A seguir, a entrevista do Professor Snyder ao Estado de S.Paulo.
Porque  o senhor classificou, num artigo recente,  a evolução da crise ucraniana de uma guerra de propaganda?
O que aconteceu na Ucrânia foi uma revolução popular contra um autocrata, mas seu governo, com apoio da Rússia, rotulou os manifestantes de fascistas de extrema direita. O governo foi deposto mas a Rússia continua a propagar esta ideia. Chamo a sua atenção para o fato de que, em várias cidades russas já começaram os protestos contra a decisão de Putin. E especialmente destaco o fato de que uma petição assinada por mais de 70 mil membros da população étnica russa dentro da Ucrânia pediu a Putin para não invadir país. Então, é uma falsidade achar que a população que se sente culturalmente ligada à Rússia no leste da Ucrânia está pedindo uma invasão. 
Se o senhor não se surpreende com o que aconteceu, qual seria o próximo passo lógico de Putin?
É muito difícil fazer previsões sobre Putin e não vou arriscar aqui. O voto unânime da câmara alta do parlamento russo  autorizando  a intervenção, era previsível. O problema é que, em poucas horas, Putin já foi longe demais, violando dois acordos internacionais. Ele violou o acordo assinado com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha em 1994 de respeitar a independência ucraniana em troca de a Ucrânia abrir mão de seu arsenal nuclear. E, em 2010, A Rússia assinou um acordo para renovar sua base militar em Sevastopol, sob a condição de que suas tropas não poriam as botas fora do perímetro da base militar em Sevastopol, sob a condição de que suas tropas não poriam as botas fora do perímetro da base.
O senhor concorda com observadores que disseram que a situação na Ucrânia não deve ser comparada a 2008, quando a Rússia invadiu a Geórgia, mas a 1968, quando invadiram a Checoslováquia?
Vejo semelhanças não só nos tanques soviéticos em Praga, em 1968, como na invasão da Hungria, em 1956, especialmente na escalada de propaganda que precedeu as ações. Mas, nós temos memória curta.  Nos dois casos, um movimento reformista num país vizinho começa a ser bem sucedido e a ação militar é justificada como combate à opressão do fascismo. O discurso agora é muito parecido com o da antiga União Soviética. Uma diferença é que não houve revoluções populares como a que vimos na Ucrânia.
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