segunda-feira, 21 de abril de 2014

1526 - Nasce o último grande império indiano, o império mogol

Em 21 de abril de 1526, sobre o célebre campo de batalha de Panipat, perto de Delhi, o xá turco Babur esmaga o exército do sultão de Delhi. Sua vitória marca o nascimento do último grande império indiano antes da ocupação britânica: o império mogol.
Babur, herdeiro aos 12 anos do pequeno principado de Ferghana, na Ásia Central, foi destronado por seu tio. Mais tarde, ao se tornar chefe de uma facção, toma Samarkanda em 1504,  do reino de Kabul, aos 21 anos.
Comanda expedições no Afeganistão e no Sindh, às portas do sub-continente indiano e aproveita a chance de sua vida quando o governador do Pendjab, Daulat Khan, lhe pede ajuda contra seu suserano, o sultão de Delhi, Ibrahim Lodi.


O rei estuda a situação e decide travar a batalha decisiva em Panipat
Babur Xá era tudo menos um tosco. Tinha em torno de 20 mil homens para se opor aos 100 mil homens e mil elefantes na guerra do sultão. Porém dispunha do equipamento mais moderno de então: canhões e arcos sofisticados, mais leves e mais possantes que os arcos longos que fizeram o sucesso dos exércitos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos.
Por outro lado, leva a cabo uma estratégia refinada, dividindo suas tropas em unidades autônomas e coordenadas – seus arqueiros a cavalo constituíam unidades particularmente temíveis. Suas peças de artilharia eram montadas sobre veículos móveis e ligados entre si, erguendo-se numa verdadeira fortificação móvel.
No dia fatal, Ibrahim Lodi cai na armadilha. Atacando de frente e desordenadamente, lança suas tropas no gargalo entre a cidade de um lado e a trincheira de outro. No final desse gargalo, é recebido pelos tiros de mosquetes, balas de canhão e flechas. Os elefantes, enlouquecidos, recuam, esmagando em sua passagem os soldados e semeando o pânico. O sultão é morto assim como um bom número de seus homens.
Em seguida à vitória, Babur derroca o sultanato de Delhi, fundado 3 séculos antes pelo afegão Mohammed de Ghor. Completa seu triunfo, batendo os príncipes rajputes do centro da Índia em Khanua no ano seguinte em 16 de março de 1527. Por fim, expulsa de Bihar o herdeiro de Ibrahim Lodi. O norte da Índia passaria por completo doravante ao seu domínio.
Babur funda a dinastia muçulmana dos Mogois. Esse estranho nome deprendia que Babur Xá era descendente longínquo do conquistador Tamerlan que havia conquistado uma vitória em Panipat em 1398. Tamerlan se aliou de maneira um pouco abusiva ao conquistador mongol  Gengis Khan.


O rei ordena cruzar as trincheiras cavadas diante da cidade.
O conquistador, excelente estrategista, administrador competente, poeta sensível, contudo costumeiramente ébrio e pervertido morre em Agra, sua nova capital, em 26 de dezembro de 1530, aos 47 anos. Dixa o império a seu filho Humayun.
Os mogois reinariam na Índia do Norte até o final do século 19 antes de deixar o espaço para o Império Britânico das Índias. No entanto, os principais representantes da dinastia, qualificados de ‘ grão-mogois’  desapareceriam com Aurengzeb em 1707.
Seu mais ilustre representante, Akbar, chegaria ao trono em 27 de janeiro de 1556. Deixaria como lembrança a imagem de um imperador tolerante e esclarecido, coisa rara no século 16. O império mogol seria a origem de uma brilhante civilização indo-muçulmana. Os indianos cultivam ainda hoje a lembrança dessa época. O Taj Mahal é sua mais célebre ilustração. O império seria abolido pelos ingleses em 1857.
No mesmo ano em que Babur Xá vence a Batalha de Panicat, graças a sua artilharia, um outro conquistador de origem turca, Soliman o Magnífico, bate o rei da Hungria em Mohacs e anexa a maior parte do país.
A História Universal vivia então um momento crucial. Do Japão à Inglaterra, todas as regiões do Velho Mundo estavam mais ou menos no mesmo patamar em termos de desenvolvimento tecnológico.
Em seguida, um fosso cada vez mais profundo se abriria entre o Ocidente e a Ásia em virtude da fratura provocada pelo Império Otomano de Istambul. Ao cortar a Rota da Seda, que na Idade Média ligava o Ocidente à China. Isso iria limitar as trocas comerciais terrestres entre as duas extyremidades da Eurásia.
Foi necessário esperar o fim do século 20 para que se reestabelecesse o equilíbrio de 1500 e que o Extremo Oriente e a Índia acedessem às técnicas mais avançadas.
Fonte: Opera Mundi

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