sexta-feira, 11 de abril de 2014

1808 - Napoleão decide entregar coroa da Espanha ao irmão José Bonaparte


Após as ‘Abdicações de Baiona’ – renúncias sucessivas de Fernando VII e Carlos IV ao trono da Espanha – em 5 de maio de 1808, os direitos sobre a coroa espanhola recaíram sobre Napoleão, que em 6 de junho publicou o decreto de nomeação de seu irmão mais velho como rei da Espanha. Não obstante, o efetivo reinado de José I, ‘primeiro e último’ começou em 7 de julho depois de jurar a nova Constituição e de receber o juramento de fidelidade dos componentes da junta espanhola de Baiona.
Sua chegada a Madri em 20 de julho ocorreu em plena Guerra da Independência, após a sublevação popular de 2 de maio contra as tropas napoleônicas em Madri, que foi seguida de revoltas por todo o país.
Foi proclamado rei em Madri, em 25 de julho. Porém, teve de fugir ante a derrota das tropas francesas na Batalha de Bailén, primeiro a Burgos, depois a Miranda de Ebro e por último a Victoria, onde chega em 22 de setembro e de onde dirige varias proclamações ao povo espanhol. Finalmente, a intervenção do próprio imperador Bonaparte, junto com o grosso de seu exército, permitiu que Jose I estabelecesse seu governo na capital.
Logo em seguida, promulgou o Estatuto de Baiona numa tentativa de ganhar o apoio dos intelectuais espanhóis, os chamados ‘afrancesados’  sem conseguir fazer triunfar seu programa reformista. O fato de ter sido imposto pelo invasor topou com a hostilidade popular e afastou o apoio do povo espanhol, inclusive muitos dos próprios intelectuais. Num esforço de conseguir o respaldo desse setor, publicou em dezembro de 1809 o anúncio da fundação de um museu de Belas Artes, sob a denominação de Museu Josefino. Com essa instituição, pretendia recuperar as obras de arte que seu irmão Napoleão e certos militares franceses estavam levando para a França. No entanto, foi seu sucessor no trono espanhol, Fernando VII, quem o inaugurou em 1819 como Museu do Prado.
Após a derrota na Batalha dos Arapiles em 22 de julho de 1812, abandonou Madri a fim de regressar à França. Em sua passagem por Victoria, foi alcançado pelas tropas do britânico duque de Wellington que subjugaram seu exército. Saiu da Espanha definitivamente em 13 de junho de 1813 sem sua valiosa ‘bagagem’, que consistia nas joias da coroa espanhola e obras de arte, para refugiar-se na França onde permaneceu até a queda de Napoleão.
Durante sua primeira fuga voltou a encontrar-se em Victoria com Maria del Pilar Acedo y Sarriá, condessa de Vado e de Echauz, esposa do marquês de Montehermoso, Ortuño del Corral, um nobre afrancesado que fez parte dos deputados que aprovaram a Constituição de Baiona. Ambos o acompanharam em sua viagem a Paris em 1811 para o batizado de Napoleão II, porém Ortuño faleceu na capital francesa.
Ademais, manteve relações com a condessa de Jaruco. Maria Teresa Montalvo y O'Farril se havia casado muito jovem com o então homem mais rico de Cuba. Quando o marido falece, José I se encanta com sua filha Maria Mercedes, mulher do capitão-geral de sua guarda, Christophe Merlin. José I o nomeia conde e o mantém constantemente em missões fora de Madri.
A cantora de ópera italiana Fineschi, a francesa Nancy Derjeux, cujo marido fizera grandes negócios de fornecimento às tropas francesas na Espanha, e a baronesa Burke, esposa do embaixador da Dinamarca, completaram as conquistas amorosas de José.
Após duas saída da Espanha, mudou-se para os Estados Unidos, onde, graças à venda das joias da coroa espanhola, construiu para si uma mansão em Point Breeze, Filadélfia, luxuosamente mobiliada e com uma impressionante coleção de livros raros e obras de arte. Ali tratou com altas personalidades do mundo político, das artes e das finanças, tendo se aproximado do presidente John Quincy Adams e seu Secretário de Estado, Henri Clay.
Nos Estados Unidos, residiu sem a companhia de sua mulher, que cuidava de suas filhas na Europa, mas com uma amante estadunidense, entregue a obras de benemerência e a proteger os bonapartistas emigrados por intermédio da maçonaria até 1841, quando recebeu autorização para instalar-se em Florença.
Morreu nesta cidade da Toscana italiana em 1844. Foi enterrado em Paris após exigir de Napoleão III que fosse sepultado à direita de seu irmão Napoleão Bonaparte numa bela tumba no Les Invalides.
Fonte: Opera Mundi

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