sábado, 26 de abril de 2014

1915 - Itália assina tratado secreto com Inglaterra e França


Em 26 de abril de 1915, a Itália assina um tratado secreto com a Inglaterra e a França. Em troca da promessa de ganhos territoriais, ela lhes propõe entrar na guerra ao seu lado contra a Alemanha e a Áustria-Hungria, a quem estava ligada desde 1892, por meio da Tríplice Aliança.
[Antonio Salandra foi o responsável pela assinatura do tratado]
Quando a Grande Guerra eclode, em 1914, o novo presidente do Conselho, o liberal Antonio Salandra, renuncia a se juntar à potências centrais em razão do desejo de paz de grande maioria dos italianos. Todavia, enquanto o conflito se eternizava no restante da Europa, a efervescência política crescia em meio à burguesia italiana, notadamente entre os intelectuais.
Benito Mussolini, chefe dos socialistas revolucionários e redator-chefe do jornal L'Unitá, se converte em intervencionista e é expulso do partido. Assim, funda o jornalIl Popolo d'Italia, onde faz campanha em favor de entrar na guerra ao lado dos Aliados. Como o poeta nacionalista Gabriele d'Annunzio, exalta as antigas virtudes guerreiras dos italianos: defende a conquista das terras ”irredentas”, povoadas por italianos, porém sob soberania austro-húngara.
Como a maioria dos italianos, o velho líder Giovanni Giolitti preferia que o país se contentasse em comercializar sua neutralidade em nome do “egoísmo sagrado”. É o que tenta Salandra ao abrir em Londres as discussões secretas com os Aliados.
Contudo, os Aliados – Grã Bretanha, França e Rússia – não se satisfaziam com uma simples neutralidade da Itália, de sorte que a negociação desemboca na promessa aliada que a entrada na guerra dos italianos a seu lado seria compensada com a obtenção, após a guerra, de uma boa parte da costa adriática, bem como de territórios turcos e de colônias na África.
Ao ratificar o direito de conquista, esse tratado secreto transgredia o espírito democrático em nome do qual combatiam os britânicos e os franceses. Revelado pelos bolcheviques russos após o triunfo da Revolução de Outubro, iria provocar a indignação da opinião pública.
Em 3 de maio de 1915, em Roma, Salandra, ao se somar ao princípio da intervenção, denuncia a Tríplice Aliança, tendo em vista preparar a entrada em guerra da Itália. O Parlamento, que não havia sido consultado, se insurge e ameaça derrubar o governo.
Os intervencionistas, Mussolini e D’Annunzio à frente, manifestam-se em todo o país. O rei Victorio Emmanuelle III, ele próprio favorável à intervenção, confirma Salandra na chefia do governo. E é ele quem declara guerra à Áustria-Hungria em 23 de maio de 1915, e à Alemanha, em 28 de agosto de 1916.
Gabriele d'Annunzio, 52 anos, logo se alista como capitão e chama a atenção por alguns golpes de efeito. Benito Mussolini, 32 anos, se alista como “bersaglieri” e não se mostra menos corajoso. Designado cabo, é gravemente ferido em fevereiro de 1917. Reformado, retoma a direção de seu jornal.
A entrada da Itália na guerra aliviou os russos que penavam na Polônia diante das tropas austríacas e alemãs. Porém, como os outros beligerantes, os italianos não chegaram a fazer pender o fiel da balança para os Aliados.
Ao contrário, o chefe do estado-maior italiano, Luigi Cadorna, sofre grandes revezes na primavera de 1917 em Isonzo e Carso, cursos d’água alpinos. Em outubro de 1917, é posto em xeque pelos austro-húngaros que, com a ajuda dos alemães, rompem o front em Caporetto, obrigando os italianos a recuar em direção a Piave e a ceder a maior parte do Veneto. Essa derrota levou Cadorna a ser destituído. Seria, mais tarde, reabilitado por Mussolini. O Duce lhe conferiu o título de marechal.
Seu sucessor, Armando Diaz, recupera-se e entre 24 e 28 de outubro de 1918, conquista importante vitória em Vittorio Veneto sobre um exército austro-húngaro em decomposição. Em 3 de novembro, uma semana antes da Alemanha, a Áustria-Hungria pede armistício.
Após a Primeira Guerra Mundial, insatisfeita com os tratados de paz, que lhe concediam apenas uma modesta parte dos territórios que reivindicava, a Itália negocia com a Iugoslávia, em Rapallo, uma retificação das novas fronteiras.
Haveria, com o correr dos anos, muitas outras retificações em muitas outras partes.
Fonte: Opera Mundi

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