sábado, 3 de maio de 2014

Kodak e as revistas ilustradas como meio de estudo do passado

Com redação e gerência mantidas em Porto Alegre, a primeira publicação do gênero 'revista ilustrada' da capital gaúcha e do Estado do Rio Grande do Sul se chamava Kodak e foi lançada em 1912 no último sábado de setembro daquele mesmo ano. Às 20 horas daquele dia a primeira edição foi totalmente esgotada.
A revista trouxe uma grande quantidade de fotografias, conteúdos independentes e ilustrações. Com o passar do tempo, vieram os anúncios de publicidade direcionados à arte e, - principalmente, à vida social da população gaúcha. Esse periódico tinha um público-alvo mais restrito: pessoas de classe econômica mais favorecida e ligadas aos centros urbanos, devido ao formato que encarecia o seu preço.

Com o surgimento das revistas ilustradas na Europa, esse gênero de periódico trazia assuntos sobre a área cientifica e textos literários, disputando espaço até mesmo com grandes nomes da literatura romântica, que se sentiam estimulados pela possibilidade de transmitir seus trabalhos em um novo formato. Além disso, os avanços técnicos conseguidos para o uso de imagens gráficas e o surgimento da fotografia a transformaram em um poderoso instrumento de comunicação.

No Brasil, o surgimento das revistas ilustradas se deu em torno do século XIX. Esses periódicos enfrentaram problemas como a precariedade das gráficas, dos pontos de venda e da população, na sua grande maioria analfabeta. Foi no começo do século XX que as revistas ilustradas passaram a ter maior quantidade de lugares especializados na sua impressão, contando com a colaboração de grandes nomes da literatura e cartunistas da época.
A Revista Kodak, assim como as demais revistas ilustradas, pode ser percebida como lugar de representação e de formas padronizadas de conduta e comportamento. Essas informações junto às fotografias podem ser usadas como importante documento de pesquisa auxiliando no estudo do passado e de como vivia aquela sociedade durante o início do século XX.

A revista definia-se como a “fotografia semanal” do estado e particularmente da capital. Marcada por poucas palavras e muitas ilustrações, era dirigida por Lorival Cunha e redigida por Mansueto Bernardi e pode ser encontrada em alguns arquivos e bibliotecas públicas de Porto Alegre, sendo que em grande quantidade no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa em Porto Alegre/RS e no Arquivo Histórico Regional de Passo Fundo/RS, onde se encontra o mais completo acervo do estado.

Não é de hoje que as revistas e outros meios de comunicação ditam normas de comportamentos, reforçando padrões vigentes para interesse de quem os transmite. Os meios de comunicação de massa ajudam a reforçar, disseminar e convencer ideias e crenças, além de gerar mais demandas de consumo ao longo de muitos anos.
Thainá Battesini Teixeira
Acadêmica do Curso de História da UPF
Fonte: Acervo AHR
* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção
expressam única e exclusivamente a opinião de seus autores.


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Fone: 3316 8516 – e-mail: ahr@upf.br – site: www.upf.br/ahr 
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