segunda-feira, 30 de junho de 2014

1776 - cidade de São Francisco é fundada por ordem religiosa

Em 29 de junho de 1776, dois padres franciscanos vindos do México celebraram uma missa no fundo de uma magnífica baía da costa californiana. Isto ocorreu 5 dias antes da Declaração de Independência dos futuros Estados Unidos da América. Neste local, ergue-se hoje a cidade de San Francisco. A cidade deve, portanto, o seu nascimento e seu nome à ordem religiosa dos franciscanos, fundada por São Francisco de Assis.

Nascido em 1713 em Majorca, Ilhas Baleares, o padre Junipero Serra fundou uma missão em San Barnabé, perto de Monterey, ao norte da colônia da Nova Espanha (atual México). De lá, enviou expedições para a Califórnia, ainda inexplorada, e afastada da civilização ocidental.

Em 15 de dezembro de 1774, o vice-rei da Nova Espanha, Bucareli, envia ao padre Junipero Serra uma carta em que o convida a juntar-se a uma expedição para uma baía de importância estratégica, na Califórnia Central, sob o comando do capitão de marinha Juan Batista de Anza.

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San Francisco foi fundada por padres da Ordem dos Franciscanos


Um primeiro acampamento militar é estabelecido nesse local e os padres Palou e Cambon ali celebram a missa pela primeira vez diante de uma modesta cabana, a Missão Dolores. A localidade recebe o nome de San Francisco em homenagem ao santo Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Franciscanos. Nasce assim a futura metrópole da Califórnia Central.

A descoberta do ouro iria assegurar, a partir de 1848, um rápido desenvolvimento, interrompido apenas pelo terremoto de 1906. Enquanto os franciscanos espanhóis multiplicavam suas missões na Califórnia do Sul, os russos, vindos da quase-ilha de Kamtchatka, na extremidade norte do continente asiático, punham os pés na América, atravessando o estreito de Bering a fim de estender seus territórios de caça à pele de animais.
Os russos praticaram tão ávida caça de visons, castores e lontras que os levavam a seguir sempre adiante, não hesitando sequer em invernar nas condições mais hostis.O vice-rei do México se irrita com esta usurpação em terras espanholas e dá ordem de se mostrarem inflexíveis a esses ‘empreendedores cismáticos russos’.

Nos primeiros anos do século 19, os caçadores russos vindos da Ásia avançaram sobre novos territórios de caça e fundam Fort Ross, ao norte de São Francisco, onde instalam uma pequena colônia habitada por esquimós do Alasca.

Todavia, em dezembro de 1841, sem mais esperanças de apoio do tzar, que tinha outras preocupações em mente, seus súditos não tiveram outra saída que não apelar a John Sutter, um colono de origem russa que havia feito fortuna como negociante em Sacramento e que ganharia celebridade mundial ao descobrir ouro em suas terras.

Em 5 de abril de 1806, o Juno, um pequeno navio russo se apresentou diante do forte de San Francisco, comandado pelo capitão Arguello. A bordo, o grão-fidalgo Nicolas Petrovich Rezanov, ministro plenipotenciário do tzar e responsável pela colonização russa na América.

O russo pediu socorro após uma invernagem desastrosa no posto de Sitka, Alasca, 3 mil quilômetros mais ao norte. O capitão do forte de San Francisco, que não era má pessoa, não deixou de ficar emocionado pelo estado de esgotamento daqueles corajosos homens e lhes oferece uma generosa hospitalidade em seu posto avançado, no aguardo de instruções. A guarnição do forte se aborrece, enquanto os oficiais, como todos os oficiais do mundo, se ocupam em jogar baralho, em beber e fazer a corte às moças. Essas eram particularmente raras, sem contar que pais e maridos mantinham estrita vigilância.

No entanto, seis semanas mais tarde Rezanov retoma coragem, comum aos jovens pretendentes, e se atreve a pedir ao pasmado capitão espanhol a mão de sua filha mais velha, senhorita Concepción. As núpcias são celebradas prontamente debaixo das saudações da tripulação, à espera da autorização do papa e do rei da Espanha – o russo era ortodoxo e a noiva, católica.

O Juno zarpa de novo em 21 de maio, seus porões bem aprovisionados de material e alimentos. De volta a São Petersburgo, Rezanov morre de pneumonia. Não se encontraria mais ninguém disposto a levar adiante o sonho de uma colonização russa na América.
Fonte: Opera Mundi

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