segunda-feira, 2 de junho de 2014

1941 - Expedição britânica vai a Bagdá para evitar golpe em favor da Alemanha


Corpo expedicionário intentava capturar Rachid Ali, cabeça do levante a favor dos alemães
Em 1º de junho de 1941, sob um calor tórrido, um corpo expedicionário britânico entra em Bagdá, capital do Iraque, a caça de Rachid Ali, um cabeça de um golpe em favor dos alemães.

Em 11 de março de 1917, um corpo expedicionário britânico já havia entrado em Bagdá uma primeira vez, não sem grandes dificuldades.. Em 25 de abril de 1920, após a dissolução do Império Otomano, a Grã Bretanha recebe da Sociedade das Nações um mandato para administrar a Mesopotâmia, quando o emir Faiçal ibn Hussein assume o título de rei.

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Bagdá nos dias atuais: capital iraquiana foi alvo de potência durante guerra

Esse príncipe hachemita pertencia à dinastia reinante de Meca. Era irmão do rei Abdallah da Transjordânia. Na verdade, não demonstrava ligação inquebrantável por seu país de adoção: “O povo iraquiano não existe, pois a população consiste em massas desprovidas de senso patriótico, imbuídas de tradições religiosas e de ideias absurdas, sem qualquer vínculo comum, prestando-se a todos os golpes maldosos, dadas à anarquia e a todas as rebeliões” dizia.

O que dava valor a esse território era a extensão de suas reservas de hidrocarburos nas mãos da Iraq Petroleum Co. As receitas petrolíferas asseguravam uma relativa estabilidade à monarquia.

O rei Faiçal 1º obtém total independência em 1932, não sem oferecer garantias ao Reino Unido. A sua morte em 1933, o filho o sucede. A exemplo de Lawrence da Arábia, sonha unificar os árabes dentro de um só reino. Assume em 1936 o comando o movimento panárabe porém morre acidentalmente em 1939. Seu filho de 3 anos, Faiçal II, assume o trono, assistido por um regente, o emir Abd al Ilah.
Na primavera de 1941, enquanto na Europa somente a Inglaterra resistia a Hitler, um corpo expedicionário alemão desembarca em Tripoli em logo avança sobre o Egito. 

Instruída pela experiência da guerra precedente, a Turquia teve a preocupação de se manter neutra, ponde travas às veleidades alemãs no Oriente Médio. 

O governo de Vichy, que detinha um mandato sobre a Síria e o Líbano, estava disposto a facilitar o acesso da Luftwaffe à Bagdá. A Pérsia manifestava também  sua simpatia para com a Alemanha vitoriosa. Iriam suas riquezas petrolíferas cair em mãos do Eixo? 

Em Bagdá, o governo era chefiado por um nacionalista árabe, Rachid Ali el Gaylani, que comanda um golpe de Estado em 3 de abril de 1941 e derroca o regente a fim de instalar um regime republicano. O representante alemão, Grobba, de pronto promete todo o apoio necessário. 

Londres se vê traído em três frentes e Winston Churchill se esforça em não ser ultrapassado pelos acontecimentos. O premiê britânico, contra o conselho do comandante-em-chefe do Oriente Médio, general Wavell, que ele julga excessivamente timorato, insiste numa intervenção imediata suscetível de prevenir o envio de reforços alemães que não deveriam tardar. 

Uma tropa heteróclita, a Habforce, é reunida na Palestina e se dirige à Mesopotâmia em condições físicas extremamente duras. Uma operação combinada é lançada sobre Bassora, o grande porto petroleiro do Iraque, em 18 de abril, enquanto perto de Bagdá, a base aérea de Habbaniya, em mãos dos britânicos, resistia com sucesso ao cerco das forças iraquianas. 

As condições climáticas eram inimagináveis, a temperatura atingia seguidamente 50 º C. Segundo memórias de um participante, “o suor corria pela face, ao longo das costas, do peito e das pernas. A areia em contacto com a pele úmida se transformava imediatamente em lodo”. A investida britânica obrigou o exército iraquiano a intervir sem esperar os esperados reforços da Alemanha. 

É fato que os obstáculos logísticos eram muito pesados para o estado-maior de Hitler que, de resto, tinha outras preocupações. Em Teerã, o governo do xá hesitava em fornecer abastecimento aos iraquianos temerosos das represálias britânicas. O rei Faiçal da Arábia também manifestava suas reservas ao novo homem forte de Bagdá.

A resistência oposta por Rachid Ali não foi suficiente de modo que os britânicos entram em Bagdá sem disparar um só tiro em 1º de junho de 1941 e reinstalam o regente. 
Fonte: Opera Mundi

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