quarta-feira, 2 de julho de 2014

1863 – Começo da Batalha de Gettysburg nos EUA marca guinada na Guerra de Secessão

A Batalha de Gettysburg, de 1º a 3 de julho de 1863, marca a guinada na Guerra de Secessão. Ela eclode dois anos após o início das hostilidades entre os Exércitos do Norte dos Estados Unidos — unionistas —, e os do Sul — confederados.
Os unionistas levavam vantagem numérica e de equipamento mas os confederados brilhavam por suas qualidades militares. Contavam em suas fileiras com os melhores oficiais, a começar pelo primeiro dentre eles, o general Robert Edward Lee, pessoalmente antiescravista, porém fiel à civilização refinada do Sul. A despeito da extrema violência dos combates, havia equilíbrio entre os lados em disputa até o mês de julho de 1863.
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Batalha de Gettysburg durou três dias e marcou guinada na Guerra de Secessão norte-americana
Nos primeiros dias de maio de 1863, em Chancellorsville, Virgínia, o Exército da Virgínia do Norte, comandado por Lee e seu braço direito, o general "Stonewall"Jackson, enfrenta com sucesso o Exército do Potomac, comandado pelo major-general Joseph Hooker, duas vezes mais numeroso. Malgrado a vantagem numérica, Lee obtém uma brilhante vitória, empanada pela morte de Jackson. Valendo-se de sua conquista, Lee decide invadir o Norte e se propõe atingir a Filadelfia ou mesmo Washington, a fim de obrigar o governo federal a cessar os combates e depor as armas.
Antevendo os acontecimentos, o presidente Abraham Lincoln designa, em 28 de junho de 1983, George Gordon Meade, um general discreto e profissional, no comando da frente de Potomac, em lugar de Joseph Hooker.
Os dois Exército se enfrentam em 1º de julho em Gettysburg, Pensilvânia. Lee dispunha de 72 mil homens e Meade de 94 mil. Os combates, frontais, iriam perdurar por três dias com uma violência jamais vista. No fragor dos combates tombava um homem por segundo.
Na contagem final, a União perdeu durante esses três dias 23 mil soldados — 3 mil mortos, 15 mil feridos e 5 mil capturados — ou seja, um quarto dos efetivos engajados na batalha. As baixas da Confederação sulista se elevaram, de seu lado, a 23 mil homens — 5 mil mortos, 13 mil feridos e 6 mil capturados — ou seja, um terço de seus efetivos. A taxa mais elevada de mortos em relação aos feridos entre os confederados deveu-se às más condições de seus serviços cirúrgicos.
Ainda que indefinida, a batalha precipita a retirada do general Lee. Incapaz de fazer dobrar o inimigo, não teve outra solução que não dar meia volta.
Simultaneamente, em 4 de julho de 1863, os unionistas, comandados pelo general Ulysses Grant tomam a cidade de Vicksburg, às margens do rio Mississippi, assumindo o controle total do rio sob a soberania de Washington. A derrota definitiva da Confederação, após a Batalha de Gettysburg, já não deixava mais dúvidas.
Em Washington, um jornal intitulava: “Vitória! Waterloo eclipsado!” — comparação discutível pois se tratava nesse caso de uma guerra civil e não uma guerra entre nações. No entanto, Lincoln não se mostrava satisfeito e admoestou o general Meade por não ter perseguido e esmagado as tropas de Lee. A um telegrama do general que se vangloriava “de ter expulsado o inimigo de nosso solo”, o presidente respondeu, irritado: “nosso solo, é a totalidade do nosso país”.
De repente, uma surpresa. Em19 e 20 de setembro de 1863, o general confederado Bragg atrai o Exército federal a uma enseada de Chickamauga. Todavia, a forte resistência do general Thomas evite uma derrota das tropas unionistas.
A vantagem deslocava-se, inexoravelmente, ao Norte. Os sulistas do general Lee passavam, doravante, a lutar palmo a palmo para proteger seus Estados da invasão. A derrota final seria decretada 19 meses mais tarde.
Com a preocupação de preparar a reconstrução da União, o presidente Lincoln dirige-se em 19 de novembro de 1863 ao campo de batalha de Gettysburg. No cemitério onde repousavam as vítimas dos dois lados, rendeu uma breve homenagem aos combatentes e apelou em favor dos valores fundamentais da nação. O texto desse breve discurso, passadas algumas décadas, era apreendido e recitado de cor por todos os escolares dos Estados Unidos:
Há 87 anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova Nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais.
Encontramo-nos atualmente empenhados numa grande guerra civil, pondo à prova se essa Nação, ou qualquer outra Nação assim concebida e consagrada, poderá perdurar. Eis-nos num grande campo de batalha dessa guerra. Eis-nos reunidos para dedicar uma parte desse campo ao derradeiro repouso daqueles que, aqui, deram a sua vida para que essa Nação possa sobreviver. É perfeitamente conveniente e justo que o façamos.
Mas, numa visão mais ampla, não podemos dedicar, não podemos consagrar, não podemos santificar este local. Os valentes homens, vivos e mortos, que aqui combateram já o consagraram, muito além do que nós jamais poderíamos acrescentar ou diminuir com os nossos fracos poderes.
O mundo muito pouco atentará, e muito pouco recordará o que aqui dissermos, mas não poderá jamais esquecer o que eles aqui fizeram.
Cumpre-nos, antes, a nós os vivos, dedicarmo-nos hoje à obra inacabada até este ponto tão insignemente adiantada pelos que aqui combateram. Antes, cumpre-nos a nós os presentes, dedicarmo-nos à importante tarefa que temos pela frente – que estes mortos veneráveis nos inspirem maior devoção à causa pela qual deram a última medida transbordante de devoção – que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação, com a graça de Deus, renasça na liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da terra.
Fonte: Opera Mundi

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