sexta-feira, 18 de julho de 2014

1870 – Vaticano aprova dogma da ‘infalibilidade pontifícia’

No dia 18 de julho de 1870, o Concílio Vaticano I definiu o dogma da ‘infalibilidade pontifícia’. Com esta decisão, os cardeais reconheciam como verdadeiras e irrevogáveis as interpretações do dogma pronunciado pelo soberano pontífice.

Convocado no ano precedente pelo papa Pio IX – cardeal Giovanni Maria Mastai-Ferretti -, o Concílio Vaticano I foi chamado de ecumênico visto que reuniu o conjunto dos bispos do mundo católico. Foi o primeiro a se desenrolar no interior das muralhas do Vaticano – daí o seu nome. O anterior concílio ecumênico tinha tido lugar em Trento, no norte da Itália, três séculos antes.

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Vale lembrar que Jesus Cristo, nas origens do cristianismo, não deixou qualquer escrito. Seus ensinamentos nós são conhecidos somente por meio de quatro evangelhos escritos após sua morte.

[Papa Pio IX tentou combater a ascensão das ideologias laicas da Europa ocidental]

Esses textos não tinham, no entanto, a pretensão de fixar dogmas, ou seja, verdades fundamentais e não contraditórias sobre as quais os cristãos devem se apoiar.

A Igreja Católica, bem como outras igrejas cristãs alimentaram-se ao longo dos séculos mais da Tradição do que das Sagradas Escrituras. A esta Tradição se reconheceu o caráter de infalibilidade, estando entendido que a comunidade cristã não pode unanimemente enganar-se sobre as coisas da religião.

Nessa direção, os fiéis dos primórdios do cristianismo evocavam o célebre adágio: “Vox Populi, vox Dei” ('A voz do povo é a voz de Deus") para traduzir essa infalibilidade.

Além disso, os próprios clérigos reconheciam o caráter infalível da Tradição aplicando a ela o cânone de São Vicente de Lerins, morto em 450: “Quod ubique, quod semper, quod ab omnibus creditum est” (É necessário cuidar que se sustente sempre o que todos acreditamos e em todo lugar).
O Concílio Vaticano I reservou ao papa a infalibilidade em matéria de dogma. Porém com uma nuance: suas decisões só teriam valor se fossem pronunciadas de maneira solene, diante do povo, ex cathedra, o que seria uma maneira de respeitar a democracia dos primórdios. Note-se que a infalibilidade não se aplicava às decisões ordinárias do soberano pontífice, em matéria de disciplina, de moral ou de gestão dos negócios rotineiros.

Até o começo do século 20, a maioria dos católicos ignorava o nome de seu papa. Hoje, o soberano pontífice figura entre as personalidades mais midiáticas do globo, como, com efeito, foi o exemplo de João Paulo II e agora é o de Francisco. É o resultado mais evidente do Concílio Vaticano I.

Alguns meses mais tarde, em 20 de setembro de 1870, as tropas do rei da Itália ocupavam Roma. Era o fim dos Estados Pontifícios. Pio IX se considerava prisioneiro no Vaticano e até seu falecimento em 7 de fevereiro de 1878 iria combater a ascensão do anticlericalismo e das ideologias laicas da Europa ocidental.
Fonte: Opera Mundi

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