domingo, 27 de julho de 2014

1953 – Armistício de Panmunjon põe fim à Guerra da Coreia

Agência Efe

Tanque de guerras em ação na península coreana: trégua entre forças foi hiato da Guerra Fria

Em 27 de julho de 1953, o armistício de Panmunjon encerrou a Guerra da Coreia. Era um hiato de calma em meio à Guerra Fria travada entre as duas superpotências. A assinatura do compromisso – que dura até nossos dias – se traduziu pela divisão da península coreana em dois Estados que em tudo se opõem, salvo o sentimento dos coreanos de pertencerem a uma mesma nação.

A Coreia do Norte era dirigida por Kim Il-Sung e a Coreia do Sul presidida por Syngman Rhee. As forças das Nações Unidas se encontraram com oficiais norte-coreanos e chineses em Panmunjon entre 1951 e 1953, ou seja, durante grande parte da Guerra da Coreia, para realizar conversações que eventualmente pudessem resultar em trégua. As difíceis negociações, porém, duraram vários meses.

O principal ponto de discussão era a questão relativa aos prisioneiros de guerra. Para complicar ainda mais a situação, o governo da Coreia do Sul se mantinha inflexível em sua exigência a favor de um único Estado, unificado. Finalmente, em 8 de junho de 1953, chegou-se a um acordo com respeito ao problema dos prisioneiros de guerra.

Os prisioneiros que se negassem a regressar aos seus respectivos países teriam permissão de viver sob a supervisão de uma comissão neutra durante um prazo de três meses. Ao finalizar este período de tempo, aqueles que ainda se recusassem à repatriação seriam liberados.

Entre aqueles que se negaram a ser repatriados se encontravam 21 prisioneiros de guerra norte-americanos e um britânico, os quais, com exceção de dois, elegeram desertar para a então recentemente fundada República Popular da China. Em 27 de julho de 1953 foi alcançado um acordo final.

O Comando das Nações Unidas, o Exército Popular de Libertação chinês e o Exército Popular da Coreia do Norte concordaram chegar a um armistício que pusesse fim aos combates. O acordo estabeleceu uma zona desmilitarizada de 4 km. De largura, ao longo do paralelo 38, dividindo efetivamente a península da Coreia – e a nação coreana – em dois Estados ideologicamente antagônicos.

Se bem que se tivesse estipulado que a maioria das tropas e todas as armas pesadas deviam ser retiradas dessa área, ambas as regiões – norte e sul – imediatamente adjacentes à Zona Desmilitarizada se mantiveram fortemente armadas durante as mais de 6 décadas transcorridas desde a finalização da Guerra da Coreia.
Por outro lado, já que a Coreia do Sul jamais firmou o armistício, mesmo depois de mais de 60 anos, ambos os Estados continuam tecnicamente em guerra. O edifício onde se assinou o armistício ainda se mantem de pé, embora se encontre no lado norte da linha de demarcação militar, a qual corre pelo meio da Zona Desmilitarizada da Coreia. 

O edifício do armistício foi renomeado pelo regime comunista da Coreia do Norte como “Museu da Paz”. A região, como um todo, é considerada como um dos últimos vestígios da Guerra Fria. Panmunjon não deve ser confundida com a Área de Segurança Conjunta que se encontra nas imediações, onde ainda costumam ter lugar discussões entre representantes dos governos da Coreia do Norte e do Sul. 

Panmunjon se encontrava a 53 km a nor-noroeste da capital sul-coreana de Seul e foi o lugar da reunião da Comissão Militar de Armistício do Comando das Nações Unidas. Os encontros tiveram lugar em várias tendas montadas no lado norte da estrada Kaesong-Seul. As 18 cópias dos volumes I e II do armistício foram assinadas por delegados de alto nível dos dois lados num edifício construído por ambas as partes em 48 horas com o auxílio do Comando das Nações Unidas. 

Uma vez assinado o acordo de cessar-fogo, começou em setembro de 1953 a construção de um novo local a aproximadamente um quilômetro a leste da aldeia de Panmunjon. Todas as reuniões entre os governos da Coreia do Norte e do Sul ou entre esses países e as Nações Unidas passaram a ser efetuadas nesse novo local. 

Depois do encerramento da Guerra da Coreia, quando todos os civis foram evacuados da ‘zona desmilitarizada’, com exceção de duas aldeias que se encontravam próximas mas em lados opostos à linha de demarcação militar, a aldeia vazia de Panmunjon caiu no abandono para finalmente desaparecer da paisagem do lugar. Na verdade não existem indícios dela na atualidade.
Fonte: Opera Mundi

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