sexta-feira, 15 de agosto de 2014

1248: Lançada a pedra fundamental da Catedral de Colônia

No dia 15 de agosto de 1248 foi lançada a pedra fundamental da Catedral de Colônia. A obra seria finalizada em 1880, ou 632 anos mais tarde.
A catedral gótica escapou à destruição da Segunda Guerra Mundial
Lê-se na crônica do mosteiro de São Pantaleão, Colônia, 1248: "O arcebispo Konrad von Hochstaden reuniu os prelados da igreja, pessoas influentes e seus funcionários, arrebanhou uma multidão através da palavra de advertência dos pregadores e, após a missa festiva da assunção da bem-aventurada Virgem Maria, lançou a primeira pedra fundamental. (...) A partir dessa época, portanto, foi iniciada, em impressionante profundidade e largura e com enormes custos, a construção do fundamento da nova basílica de São Pedro – a catedral de Colônia."
Assim um monge descreveu o nascimento daquela que é considerada por muitos uma das maravilhas do mundo. Konrad von Hochstaden, arcebispo de Colônia, lançou em 15 de agosto de 1248 – Dia da Assunção de Maria – a pedra fundamental de uma das maiores igrejas do mundo.
O obra foi projetada para ser um retrato terrestre da Jerusalém celestial e louvar a grandeza de Deus. Encarregado da obra foi o mestre francês Gerhard. Hoje, quem supervisiona as obras na catedral é a arquiteta Barbara Schock-Werner.
Grandeza para relíquias dos Reis Magos
Ela lembra que a igreja antecessora já era uma das maiores da Europa. Esta deveria ser substituída por uma catedral gótica ainda maior. Tomaram-se como referência as catedrais da França, as quais, no entanto, se pretendia superar em tamanho, para tornar evidente que Colônia era o arcebispado mais importante. Ao mesmo tempo, tratava-se de uma das principais igrejas de peregrinação da Europa, o que a arquitetura também deveria expressar.
Oitenta anos antes, o arcebispo Reinald von Dassel trouxera os restos mortais dos Três Reis Magos de Milão para Colônia. A velha catedral não era mais suficientemente pomposa para a preciosa relíquia. Além disso, as formas pesadas do estilo românico estavam fora de moda.
O gótico começava a ser introduzido. Os pesados blocos de pedra lavrada aos poucos davam lugar a colunas, que se erguiam ao céu como raios de luz. A visão sobreviveu por mais de meio milênio. Até a conclusão da catedral, os diversos construtores mantiveram-se fiéis ao plano do mestre Gerhard.
Fidelidade de séculos à planta original
Segundo Barbara Schock-Werner, a arquitetura dessa igreja é especial, pois ela praticamente não sofreu alterações ao longo dos séculos. "Até sua conclusão em 1880, a catedral de Colônia foi construída segundo os planos do mestre Gerhard. Talvez ele tivesse executado alguns detalhes de outra forma, mas a grosso modo a igreja não seria diferente do que é hoje", diz Schock-Werner.
A edificação da obra monumental demorou 632 anos. Nos primeiros dois séculos, foi atrasada pela peste negra, que atingiu a Europa a partir de 1347. Seguiu-se a Reforma protestante de 1517 a 1564, com a cisão de uma parte da comunidade católica da Europa. Nessa época, a principal preocupação da Igreja Católica era sobreviver como instituição.
A nova catedral não era prioridade. O que restou do canteiro de obras para os três séculos seguintes foi um coro, o toco de uma torre e, entre os dois, um terreno baldio. Foi o rei prussiano Frederico Guilherme 4º (1795-1861), um aficionado por artes, que financiou a conclusão da catedral conforme previsto na planta original.
As dimensões do colosso sempre retocado
Muitos imperadores e reis, artistas e intelectuais de renome internacional e até papas já estiveram no "Kölner Dom". Há dias em que a catedral de Colônia chega a ser visitada por até 20 mil turistas, vindos de todas as partes do mundo.
As dimensões desse colosso de pedra com 11 mil cruzes decorativas são impressionantes: suas duas torres têm uma altura de 157 metros. A nave central mede 43 metros de altura, 145 metros de comprimento e 86 metros de largura; o espaço interno é de 407 mil metros cúbicos e o peso total chega a 160 mil toneladas.
O lançamento da pedra fundamental em 1248 também deu origem a uma lenda que persiste até hoje. Segundo ela, quando a catedral ficar pronta, o mundo vai acabar.
A restauradora Barbara Schock-Werner vê essa profecia com tranquilidade: "Ela nunca estará completamente pronta. O melhor que podemos fazer é manter a restauração no mesmo ritmo da degradação. Se conseguirmos isso estará ótimo."
  • Autoria Catrin Möderler (gh)
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