domingo, 17 de agosto de 2014

1786 - Morre Frederico II, o Grande, responsável pelo apogeu da Prússia

O rei da Prússia Frederico II, o Grande, mais ilustre soberano da dinastia dos Hohenzollern, morre em Potsdam, Prússia, em 17 de Agosto de 1786. Ele se apresentava de bom grado como “primeiro servidor do Estado” a serviço exclusivo de seu país.

Frederico II levou o reino ao seu apogeu, tirando partido da obra administrativa de seus predecessores e valendo-se de seus talentos de estrategista e diplomata.  

Seu Estado, localizado nas áreas orientais do Sacro Império Romano Germânico, viria a se tornar a maior potência da Europa Central, ao lado da Áustria.

Após a morte de Frederico II, a Prússia não tardaria em se postar como rival de seus principais vizinhos, a Áustria certamente, mas também a Rússia e a França.

Desejoso de reconstruir a unidade política da Alemanha, após a queda do Sacro Império, e valendo-se do exército forjado por seu pai, o rei estenderia o território do país com duas grandes guerras: a da Sucessão da Áustria e a de Sete Anos, a par do desmembramento da Polônia.

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Nascido no castelo real de Berlim em 24 de janeiro de 1712, foi educado pela governanta Madame de Rocoules, e pelo preceptor Duhan de Jandun, dois protestantes franceses expulsos por Luis XIV. Vive, no entanto, uma infância difícil, sob a férula de seu pai, Frederico-Guilherme I, o “Rei-Sargento”, que queria educá-lo dentro de uma disciplina militar férrea e se inquietava com o gosto de seu filho pelas artes e filosofia.

Quando o rei descobre a biblioteca clandestina do filho, sua dureza passa a desconhecer limites e o encarcera na Fortaleza de Küstrinn. Frederico acaba se submetendo à vontade do pai, passando a estudar com afinco questões administrativas e militares. Uma vez livre, retoma os estudos em seu castelo de Rheinsberg, corresponde-se com Voltaire e se inicia na franco-maçonaria.

Jovem ainda, iria se casar com Elisabeth de Brunswick-Bevern, sobrinha do imperador Charles VI de Habsburgo. Porém, a partir da coroação, resolve afastar-se da mulher que passaria a morar à parte. Suas manifestações de repugnância pelas mulheres alimentaria rumores sobre sua homossexualidade. Não tendo filhos, é a seu sobrinho que iria legar seu reino.

Enfim, em 31 de maio de 1740, é coroado rei da Prússia. Recebe um exército de 80 mil homens bem treinados e armados, que inclui, fato único, um “Regimento de Gigantes”, homens de alto porte recrutados através da Europa.

Frederico era o modelo do “déspota esclarecido’ preconizado pelos Enciclopedistas, todavia preferia apresentar-se como o “Primeiro Servidor do Estado”.

Levou o exército prussiano a um grau de excelência sem igual, com um efetivo de 180 mil homens, superior a qualquer outro exército europeu.

A partir de 16 de dezembro de 1740, o rei envolve esse exército na Guerra de Sucessão da Áustria (1740-1748). Invade a Silésia e a anexa. Era na Europa moderna a primeira anexação sem a menos justificativa dinástica. Nos dois anos subsequentes, a Áustria anseia por uma revanche. Dos dois lados formam-se as alianças: a Áustria com a Rússia e a França; a Prússia com a Inglaterra.

A Guerra de Sete Anos (1756-1763) eclode com a invasão do Saxe em 29 de agosto de  1756. Esta guerra, que alguns historiadores consideraram como a primeira guerra mundial, começa com graves percalços do lado prussiano. Frederico II, acabrunhado com seus erros de apreciação, tenta o suicídio. Recupera-se todavia em Rossbach em 1757 com uma vitória sobre os exércitos franco-austríacos.

O rei sai dos apuros graças à morte da tzarina Isabel e a chegada ao trono da Rússia de um soberano prussófilo, Pedro III, que se apressa a fechar um acordo de paz em 5 de maio de 1762, contra a opinião de sua esposa Catarina, de seus conselheiros e do Estado-Maior do exército. O Tratado de Hubertsburg, em 15 de fevereiro de 1763, confirma a cessão da Silésia à Prússia.

Soberano absoluto, administra o reino como seu bem pessoal. Como tem necessidade da nobreza para dirigir o exército, permite a ela em troca reforçar sua influência sobre o campesinato. Acolhe os huguenotes e também os jesuítas, submetidos a um Estado laico e deixados sem recursos.

Desenvolve a instrução pública com o ministro von Zedlitz que iria unificar o ensino e instituir em 1788 o Abitur, equivalente ao colegial. Modwerniza a justiça e abole a tortura. Impõe um Código Civil aplicável em toda a Prússia e a todos os habitantes, inclusive o soberano e institui o Estado de Direito, sem precedente na Europa continental.  
Aproveitando-se do período de paz entre as duas guerras contra a Áustria, o rei manda sanear o pantanal da foz do rio Oder, abrindo vastos territórios ao cultivo. Mostra interesse pelas técnicas novas, inclusive a cultura da batata, que se tornaria o alimento básico da população.

Por fim, eleva a capital Berlim ao rol das grandes cidades europeias, construindo ao longo da avenida Unter den Linden os imóveis que fariam sua reputação.

Por ocasião de sua morte, a população da Prússia passava de 2,2 milhões de súditos a 6 milhões, sobre 195 mil quilômetros quadrados e Berlim triplicava sua população para cerca de 150 mil.

A exemplo d numerosos filósofos de seu tempo, o rei era pouco afeito à religião. Mostrava-se até anticlerical e no fundo simplesmente agnóstico.

Em um tratado político de sua autoria, História de Meu Tempo, deixa claro sua hostilidade à monarquia de direito divino. Sua visão de absolutismo tinha mais a ver com as ditaduras do século 20 do que com o poder de Luis XIV, temperado por preceitos religiosos.
Fonte: Opera Mundi

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