sábado, 2 de agosto de 2014

1903: A Revolta de Ilinden

No dia 2 de agosto de 1903, começou a rebelião macedônia contra o Império Otomano. A Organização Revolucionária Interna da Macedônia (Orim) mobilizou 26 mil homens para lutar pela autonomia do país.
O toque dos sinos das quatro igrejas ortodoxas da cidade de Krusevo, nas montanhas macedônias de Baba, foi o sinal para o início da sublevação contra o domínio otomano. Era 2 de agosto de 1903, dia de São Elias – e o que ocorreu nessa data entrou para a história dos povos balcânicos como a Revolta de Ilinden. A insurreição não se restringiu a Krusevo. Temporariamente, alastrou-se para muito além da fértil planície até Bitola.
A república reportava-se a um manifesto surpreendentemente moderno, baseado nos princípios do respeito aos direitos humanos, da defesa da democracia, da liberdade religiosa e da tolerância étnica. Em si, a proclamação da República em si já foi um fato sensacional para os Bálcãs.
Organização clandestina
Dez anos antes da Revolta de Ilinden, em 23 de outubro de 1893, seis jovens nacionalistas encontraram-se na casa do livreiro Ivan Nikolov, em Salônica (Grécia), e fundaram a clandestina Orim (Organização Revolucionária Interna da Macedônia). A organização tinha por objetivo conquistar a autonomia da Macedônia, só admitia como membros pessoas nascidas e residentes nessa região e atuava independentemente dos países vizinhos (Bulgária, Sérvia e Grécia).
Três anos depois, o professor Goce Delcev aderiu ao movimento que, a partir então, cresceu rapidamente apesar das divisões internas e passou a dispor de um braço armado.
Desde o início, a Orim estava dividida em duas tendências: o grupo liderado por Goce Delcev queria uma Macedônia autônoma dentro do Império Otomano. A outra facção ora defendia a anexação à Bulgária ora a independência completa da Macedônia.
Tampouco havia consenso quanto à data mais apropriada para a Revolta de Ilinden. Enquanto o novo presidente da Orim, o búlgaro Gavranov, insistia em 1903 numa revolta geral na Macedônia para forçar as potências européias a pressionarem a Turquia, Delcev dizia que o povo ainda não estava suficientemente preparado para a revolução.
Antes de ser tomada a decisão definitiva, Delcev e 11 outros revolucionários caíram numa emboscada turca, quando estavam a caminho de Salônica, a 4 de maio de 1903. Os turcos decapitaram Delcev e enviaram sua cabeça, como prova, ao governador de Salônica. Mais tarde, tanto historiadores búlgaros quanto macedônios tentaram incluí-lo na galeria dos heróis nacionais.
Catástrofe para a população
Três meses após o assassinato de Delcev, explodiu a revolução, com conseqüências catastróficas para a população. Os turcos reagiram com 176 mil soldados e 444 canhões, sufocando a revolta em sangue e fogo. Segundo informações da Orim, 200 aldeias foram incendiadas, 70 mil pessoas ficaram desabrigadas, 30 mil fugiram para países vizinhos e mais de 8 mil foram assassinadas.
As potências europeias forçaram o sultão Abdul Hamit a aprovar um programa de reformas, que nunca saiu do papel. Os jovens turcos mostraram-se dispostos a democratizar o império, mas não queriam renunciar ao estilo de governo centralista.
Rivalidades recrudescem
No interior da Orim, intensificou-se a luta entre as facções rivais. A ala macedônia acusava a tendência búlgara de haver precipitado propositadamente a revolta, para entregar os macedônios aos turcos. Já os búlgaros criticavam os macedônios pelo excesso de diletantismo nos preparativos da revolução.
Rumores de que existiam planos para assassinar os líderes revolucionários macedônios desencadearam uma onda de terror dentro da organização. Os búlgaros Gavranov e Sarafov, ligados à direita do movimento, foram mortos a tiros, à saída do palácio do rei Fernando 2º, em Sófia.
A dominação turca só terminou em 1913, com a derrubada do Império Otomano nas duas guerras balcânicas. A Macedônia foi então repartida entre a Grécia, a Sérvia e a Bulgária. Até a Segunda Guerra Mundial, a luta pela independência do país foi marcada pelo terror da Orim.
Quando a Macedônia se tornou finalmente independente, em 1991, o Manifesto da República de Krusevo passou a integrar a Constituição do país.
  • Autoria Verica Spasovska (gh)
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