domingo, 24 de agosto de 2014

1985 – Chefe de espionagem da Alemanha Ocidental deserta para o lado oriental

No fim da Guerra Fria, Hans-Joachim Tiedge era o número um do serviço de inteligência; chanceler alemão descreveu a capitulação como "catastrófica"
A deslealdade de Tiedge [foto à direita] tornou-se publicamente conhecida por decisão das autoridades da Alemanha Ocidental quando ele resolveu desertar para o país vizinho no dia anterior à divulgação.
Foi revelado também que nos 18 meses anteriores haviam sido presos cerca de 170 agentes alemães-ocidentais na Alemanha Oriental após ações de inteligência promovidas exatamente por Tiedge.
Quando funcionários da segurança deram busca na casa de Tiedge em Colônia encontraram boa quantidade de documentos altamente secretos.
O chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, descreveu a deserção do ex-chefe da espionagem como catastrófica. No que rapidamente se tornou o maior escândalo da história recente do país, três outras direções governamentais chaves também desapareceram. Fatos ligados à deserção de Tiedge começaram a aflorar. Questões a respeito da recente nomeação para a Chefia do Serviço Federal de Informação de Herbert Hellenbroich, que até o mês anterior era o chefe de Tiedge.
Hellenbroich resistiu, reiteradamente, às pressões para demitir Tiedge de seu posto, a despeito do risco potencial causado pelo seu sério problema com a bebida.
[Capa do periódico alemão 'Der Spiegel' sobre o escândalo de espionagem na Alemanha Ocidental]
O recrutamento de Hans-Joachim Tiedge era o mais recente trunfo do chefe do serviço de espionagem da Alemanha Oriental, um alemão nascido na Rússia, Markus Wolff.
"Secretárias-espiãs"
Poucos anos antes, um desertor, desta vez da Alemanha Oriental, estimou em mais de 3 mil o número de espiões orientais operando na Alemanha Ocidental, inclusive um grande número de mulheres.
Muitas delas acreditavam ser as denominadas ”secretárias-espiãs”, recrutadas por iniciativa e segundo um plano de Wolff que almejava que moças solteiras fossem trabalhar em postos públicos importantes de Bonn, a capital administrativa da Alemanha Ocidental.
Elas eram apoiadas por supostos “pretendentes” que as instruíam em como espionar seus chefes ministeriais. Uma de tais agentes, Leonore Suetterlin, era uma funcionária do ministério do Exterior, “cortejada” durante meses por um “fotógrafo”. Mais tarde, casou-se com o “fotógrafo”, juntando-se a ele na folha de pagamentos da KGB. Descoberta, cometeu suicídio.
Pelo menos seis pessoas, foram indiciadas como suspeitas de pertencerem ao círculo de espionagem de Tiedge.
Certo número de secretárias de Bonn também tiveram suas vidas escrutinadas. Uma delas, Herta Astrid Willner, trabalhava na antessala do gabinete do chanceler Kohl. Pouco depois, ela e seu marido fugiram para o Leste.
No ano anterior, revelara-se que uma secretária do gabinete do presidente da Alemanha Ocidental tinha trabalhado para o serviço de espionagem da Alemanha Oriental durante os 15 anos precedentes.
O Muro de Berlim, erguido em 1961 e que dividia a nação germânica em Oriental e Ocidental fez com que fosse relativamente fácil para os agentes operar durante anos sem causar suspeita.
Fonte: Opera Mundi

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