sábado, 23 de agosto de 2014

PPGH tem um dos índices mais elevados em produção intelectual do Brasil

Dado foi apresentado pelo coordenador da área de História da Capes Dr. Carlos Fico que proferiu a Aula Magna do curso de Doutorado do PPGH

Foto: Leonardo Andreoli
Doutorado do PPGH é o quarto a iniciar as atividades na UPF

A atualidade do Golpe de 1964 foi o tema da Aula Magna do Doutorado do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF). O professor convidado foi o coordenador da Área de História da Capes Dr. Carlos Fico. Com a primeira turma iniciada neste segundo semestre de 2014, o Doutorado do PPGH é o quarto a iniciar as atividades na UPF.

O professor Fico destacou em sua apresentação a trajetória exemplar do PPGH da UPF até a consolidação e aprovação do Doutorado. “O Programa tem um dos índices mais elevados do Brasil em produção intelectual. Superou inclusive instituições renomadas e tradicionais. Foi uma surpresa muito boa para nós da área”, avaliou. De acordo com ele é preciso ampliar o número de programas de pós-graduação em história com área de concentração em História Regional, como é o da UPF, principalmente com cursos de Doutorado. “O golpe de 1964, por exemplo, é muito estudado, mas, sobretudo no eixo Rio-São Paulo. Precisamos de programas que invistam na história regional para valorizar as memórias locais e tornar conhecidas as histórias desses eventos todos, não só o Golpe, mas a história do Brasil nas diversas regiões”, considerou.

Os 50 anos do Golpe
Embora o Golpe de 1964 complete 50 anos em 2014, ele ainda é muito recente na história brasileira. Ainda hoje é preciso entender o que aconteceu e compreender os ensinamentos que aquele momento histórico deixou às novas gerações. Conforme o professor Fico um dos principais pontos a ser lembrado é a aceitação do Golpe por parcela significativa da sociedade. “Temos uma democracia jovem e acho importante entender porque razão uma sociedade ou parte de uma sociedade adota e apoia soluções autoritárias. É preciso que isso se elimine da cultura brasileira de qualquer forma”, enfatizou.


Do ponto de vista do pesquisador, não há riscos de o Brasil sofrer um novo golpe tendo em vista o amadurecimento das instituições democráticas. No entanto, ele alerta para a existência de muitos traços de autoritarismo presentes ainda hoje na sociedade. “Eles se manifestam muitas vezes de maneira grotesca, sobretudo em função do acesso que setores mais pobres da população passam a ter a serviços e bens. Muitas vezes as elites veem com maus olhos isso. Isso não deixa de ser uma manifestação de autoritarismo, assim como houve despreparo da polícia nas manifestações recentes do ano passado. Não estamos completamente imunes a esse autoritarismo”, reiterou.


Novo Doutorado
A Aula Magna marcou o início das atividades do Doutorado em História da UPF. O vice-reitor de pesquisa e Pós-Graduação da UPF, professor Leonardo José Gil Barcellos, participou da abertura e destacou a importância do fortalecimento do stricto sensu para a Universidade alcançar a excelência. Ele enfatizou o crescimento na área. “Tínhamos sete programas e hoje já estamos com perspectiva de fechar o ano com 15 programas de pós-graduação. Além disso, passamos de um único doutorado para uma possibilidade de terminar o ano com seis. Este é o quarto. Tenho certeza que vocês estão tornando essa universidade maior, melhor e, com certeza, ao longo dos anos isso vai se refletir de forma muito nítida na formação e crescimento da nossa região. É para isso que a gente existe, esse é o nosso papel na sociedade”, enfatizou.


A coordenadora do PPGH, professora Ana Luiza Setti Reckziegel, destacou que o programa iniciou em agosto de 1998, sendo no ano seguinte reconhecido pela Capes através da portaria do CNE n°1057/99. O Programa tem como área de concentração a História Regional e conta, atualmente, com três linhas de pesquisa: Política e Relações de Poder, Economia, Espaço e Sociedade e Cultura e Patrimônio. “A área de concentração em História Regional é muito mais do que um espaço físico, é um recorte identitário em qualquer espaço seja ele nacional, estadual ou internacional”, resumiu.

A atividade contou ainda com a presença de diversas autoridades acadêmicas, além de representantes de outras instituições de ensino superior.




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