quinta-feira, 16 de outubro de 2014

1917 - Acusada de espionagem, Mata Hari é morta na França

Uma exótica dançarina, de nome artístico – Mata Hari – é executada em 15 de outubro de 1917 por um pelotão de fuzilamento francês, em Vincennes, arredores de Paris, após ser acusada do crime de espionagem.
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Mata Hari durante performance em 1905


Nascida Margueretha Gertruida Zelle, em uma pequena cidade do norte da Holanda e casada anteriormente com um capitão do Exército holandês, Mata Hari vinha exercendo a profissão de dançarina em Paris desde 1903. Elaborou e assumiu uma personalidade pública, afirmando que tinha nascido em um templo sagrado indiano e recebido aulas de antigas danças indianas de uma sacerdotisa, a responsável pela mudança de seu nome, que significa “visão do amanhecer”.

Suas exóticas danças logo lhe deram grande popularidade em toda a Europa, de Moscou a Berlim, de Londres a Madri, em grande parte devido a sua disposição de dançar quase que inteiramente nua diante do público.
Cortesã e bailarina, Mata Hari colecionou um impressionante rol de amantes, que iam de oficiais militares de alta hierarquia a figuras políticas de realce tanto da França, quanto da Alemanha. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, esses relacionamentos amorosos tornaram-na imediatamente suspeita aos olhos da inteligência francesa, que, imediatamente, como se soube depois, submeteu-a a sua vigilância.
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Mata Hari posa apenas com joias e sutiã em 1906

As circunstâncias de suas alegadas atividades de espionagem durante a Guerra eram – e permanecem ainda – pouco claras. Diz-se que quando esteve nos Países Baixos, em 1916, o cônsul alemão ofereceu-lhe dinheiro a fim de obter informações por ocasião de sua visita à França. Quando a inteligência britânica descobriu detalhes da negociação, diligenciou para passar os dados aos seus colegas franceses. 
Prisão

Mata Hari foi presa em Paris, em fevereiro de 1917. Interrogada pela inteligência militar francesa, admitiu que havia passado informações velhas a um oficial da inteligência alemã, embora também tenha afirmado que recebera para agir como espiã francesa na Bélgica, então ocupada pela Alemanha. À ocasião, deixou de informar os franceses daquela sua anterior negociação com o cônsul alemão. Aparentemente funcionava como agente duplo, apesar de os alemães a terem descartado por sua ineficácia, cujas atividades produziram pouca informação de valor.

Depois de uma curta permanência em uma prisão de Paris, Mata Hari foi julgada por uma corte militar e sentenciada à pena de morte em 25 de julho de 1917. Seu processo foi tendencioso, eivado de falhas e montado sobre evidências circunstanciais. Muitos acreditavam que as autoridades francesas, assim como a imprensa, apresentaram-na como “a maior espiã mulher do século” para distrair a opinião pública das grandes perdas sofridas pelo exército francês no front oriental.
Tendo o presidente francês negado o apelo final de clemência, oficiais franceses executaram-na em 15 de outubro de 1917. Mata Hari não foi amarrada e se recusou a vendar os olhos.

Vista por muitos como vítima de uma histérica imprensa francesa, desdenhosa de sua carreira como dançarina e cortesã e em busca de um bode expiatório, Mata Hari permanece como uma das mais glamurosas figuras do sombrio mundo da espionagem e arquétipo de mulher espião.
Fonte: Opera Mundi

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