segunda-feira, 20 de outubro de 2014

1971: Willy Brandt ganha o Prêmio Nobel da Paz

Em 20 de outubro de 1971, o Comitê Norueguês do Nobel anunciou a escolha do então chanceler federal alemão, Willy Brandt, para o Nobel da Paz, pela sua política de reconciliação com o Leste Europeu.
O líder social-democrata, em foto de 1990, dois anos antes de sua morte
Em seu livro de memórias Erinnerungen, Willy Brandt dedicou pouco espaço ao recebimento da importante premiação. Apenas um parágrafo trata da homenagem prestada na Universidade de Oslo: "Em dezembro de 1971, recebi em Oslo o Prêmio Nobel da Paz – um reconhecimento que me sensibilizou".
Organizar a paz na Europa e manter a paz mundial foram os grandes objetivos da política externa do governo social-liberal de Brandt. Ao receber o prêmio em 10 de dezembro daquele ano, o líder social-democrata ressaltou mais uma vez os fundamentos de seu trabalho: "Distensão, cooperação entre os povos, redução de tropas e controle de armamentos, parceria com os até agora desfavorecidos, proteção conjunta contra o perigo comum da derrocada – isso tem de ser possível, nisto temos de trabalhar".
Aproximação com vizinhos
Fazia parte das convicções de Brandt que, para poder mudar a realidade, era preciso partir dos fatos postos. Não reconhecer que após a Segunda Guerra surgiram duas Alemanhas só seria permissível àqueles não atingidos pela divisão. Por isso, já em sua declaração de governo, o chanceler federal ressaltara: "É preciso impedir que a nação alemã continue vivendo separada. Ou seja, temos de tentar uma convivência de vizinhos para chegarmos a uma convivência entre alemães. E isto não apenas em nome do interesse da Alemanha, mas da paz na Europa e da relação Leste-Oeste".
A nova política de Brandt para o Leste era de pequenos passos e visava à conquista gradual da confiança dos países do Leste Europeu, para enfim dissolver o engessamento das relações entre as Alemanhas Ocidental e Oriental.
Se os dois Estados alemães quisessem o reconhecimento incontestável das fronteiras na Europa, o assunto não poderia ser resolvido sem o envolvimento da União Soviética, devido a seus direitos resultantes do Acordo de Potsdam. Por essa razão, o governo soviético foi o primeiro interlocutor de Brandt.
Renúncia à violência
A 12 de agosto de 1970, finalmente se concluiu um tratado. Em dezembro de 1970, ou seja, quase um ano antes de sua escolha para o Prêmio Nobel da Paz, Bonn e Varsóvia igualmente acertavam um tratado. Ambos os documentos tornaram-se núcleo do acordo de renúncia à violência. Passos decisivos para um tratado interalemão foram também as visitas em 1970 do chanceler Willy Brandt à Alemanha Oriental e a do primeiro-ministro desta, Willi Stoph, à Ocidental.
O primeiro encontro ocorreu em 19 de março de 1970, em Erfurt, onde o líder social-democrata foi recebido entusiasticamente pela população. Dois meses depois, uma delegação alemã-oriental iria a Kassel. A troca de visitas não trouxe resultados concretos, mas demonstrou que os dois Estados alemães estavam dispostos a se comunicar diretamente.
Discurso em Oslo
"Se no balanço de minha atuação constar que eu ajudei a abrir caminho para um novo senso de realidade na Alemanha, então eu terei cumprido uma das esperanças de minha vida", discursou o chanceler federal em Oslo.
A oposição conservadora da Alemanha via pouco senso de realidade na política do governo. Para ela, o chanceler federal praticava uma "política de panos quentes", menosprezando o caráter ditatorial do outro Estado alemão.
A premiação com o Nobel da Paz deixava claro, portanto, que no exterior era muito maior o reconhecimento da iniciativa de Brandt pela admissão da realidade de dois Estados alemães e o consequente esforço de convivência pacífica entre ambos.
  • Autoria Ute Schäffer (mw)
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