domingo, 26 de outubro de 2014

Brasil entra na Primeira Guerra Mundial

Max Altman | São Paulo - 26/10/2009 - 07h00

No dia 26 de outubro de 1917 o Brasil tornou pública sua decisão de entrar na Primeira Guerra Mundial contra a Alemanha ao lado das potências aliadas, França e Inglaterra. Atuante nas rotas marítimas comerciais no Atlântico Sul, o Brasil vinha sendo crescentemente ameaçado pela política alemã de guerra submarina irrestrita nos dois primeiros anos do conflito.

Antes dos brasileiros, os norte-americanos entraram na guerra em 6 de abril de 1917. Em fevereiro do mesmo ano, quando a Alemanha retoma a política dos submarinos, após tê-la suspendido temporariamente em virtude de pressões de países neutros, como os Estados Unidos, o presidente Woodrow Wilson (1913 – 1921) responde com o rompimento imediato das relações.

Na véspera da declaração de guerra norte-americana, um submarino alemão afundou o navio mercante brasileiro Paraná, que navegava na França. Em 4 de junho, Dominico da Gama, embaixador brasileiro em Washington, escreve ao Secretário de Estado Robert Lansing declarando que o Brasil estava revogando a condição de neutralidade e rompendo os laços diplomáticos com a Alemanha.

“O Brasil nunca teve nem tem ambições bélicas” afirmou da Gama na época “e, apesar de sempre se abster em mostrar qualquer parcialidade com relação ao conflito europeu, não pode mais permanecer despreocupado quando a luta envolveu os Estados Unidos. Não temos qualquer interesse, seja qual for, apenas lutamos em favor da ordem jurídica internacional quando a Alemanha nos incluiu e a outras potências neutras nos mais violentos atos de guerra.”

Ao longo dos meses que se seguiram, o governo do Brasil tratou de emendar sua Constituição para permitir que pudesse declarar guerra. Resolvida a questão, a declaração foi emitida em 26 de outubro de 1917.

Em carta aberta enviada ao Vaticano, mas com a clara intenção de ser lida pelos países ao redor do mundo, o ministro das Relações Exteriores do presidente Venceslau Brás (1914-1918), Nilo Peçanha, justificou a decisão de seu país, condenando os ataques da Alemanha sobre o comércio internacional e invocando seus altos propósitos de criar um mundo pós-guerra mais pacífico e democrático.


Venceslau Brás declara guerra contra a Alemanha ao lado de Nilo Peçanha (em pé) e o presidente de Minas Gerais Delfim Moreira (sentado)

“Através do sofrimento e das desilusões causados pela guerra, um novo e melhor mundo de liberdade por certo, nascerá e desse modo uma paz duradoura poderá ser estabelecida sem restrições políticas ou econômicas, em que todas as nações terão um lugar ao sol, com iguais direitos, dentro de um intercâmbio de idéias e valores em mercadorias sobre uma ampla base de justiça e equidade.”

Convenção de Versalhes

Embora a real contribuição do Brasil aos esforços dos aliados tenha se limitado a uma unidade médica e alguns aviadores, a participação foi retribuída com um assento na mesa de negociações no pós-guerra. O fato de o Brasil – de acordo com o tamanho de sua população – ter direito a três delegados oficiais na Conferência de Paz de Paris de 1919 (Conferência de Versalhes) irritou Portugal, que havia enviado 60 mil soldados ao front ocidental e dispunha de um único delegado. A Grã Bretanha defendeu Portugal, enquanto os Estados Unidos respaldaram o Brasil. Nehuma mudança foi feita.

O conflito ilustrava a importância da representação em Versalhes, pois lá seriam redesenhadas as fronteiras do mundo pós-Primeira Guerra Mundial. Em 28 de junho de 1919, o Brasil era uma das 27 nações a assinar o Tratado de Versalhes, ao lado de outras nações latino-americanas que também declararam apoio aos aliados como Bolívia, Cuba, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai.


Fonte: Opera Mundi

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