quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma visita ao passado

Mapa do Cemitério Vera Cruz, que será lançado na noite desta quinta-feira, propõe um novo roteiro turístico para a cidade

Créditos: Leonardo Andreoli/ON
Uma visita ao passado
De túmulos à estátuas, o cemitério carrega parte da história da cidade

Há mais de cem anos, o Cemitério Vera Cruz começou a abrigar as personalidades que passaram pela cidade e que, antes, eram enterrados em um cemitério católico ou não católico. Pelos corredores do Cemitério, parte da história de Passo Fundo pode ser conhecida. São nomes, sobrenomes, famílias e mensagens que representam a história do município e que, agora, farão parte de um circuito sugerido por um Guia de Visitação lançado pelo Instituto Histórico de Passo Fundo e pelo Arquivo Histórico Regional. Lançado nesta quinta-feira, o Guia é o início da consolidação de uma visão diferente sobre o cemitério. 

Por volta de 1835, menos de dez anos depois da chegada do Cabo Neves às terras que seriam o berço de Passo Fundo, surgiu o primeiro cemitério da cidade. No cruzamento das ruas Independência e General Netto, ao lado da primeira Igreja que a cidade acolheu, foram enterrados os primeiros responsáveis pelo nascimento e desenvolvimento do município. A construção deste cemitério, destinado somente a católicos, motivou a construção de um outro onde pudessem ser enterradas pessoas de crenças diferentes. Surgiu, então, em frente ao Quartel o primeiro cemitério para não católicos.

Mais tarde, com a Proclamação da República, em 1889, foi determinado o fim do catolicismo como religião obrigatória no país e, com isso, a necessidade de dois cemitérios também se extinguiu. Ainda, com a chegada do trem e a construção da Gare, em 1898, era impossível que o centro da cidade continuasse a abrigar um cemitério. A partir disso, o Coronel Gervásio Annes, chefe do Partido Republicano Rio-Grandense no município, desapropriou parte das terras do Barão e determinou que fossem transferidos os dois cemitérios para um único que seria considerado laico. Surgiu, então, em janeiro de 1902 o Cemitério Vera Cruz.

A proposta do Instituto Histórico de Passo Fundo, em parceria com o Arquivo Histórico Regional, é propor um novo olhar para o Cemitério Vera Cruz a partir da criação de um Guia de Visitação que apresenta um mapa de um percurso a ser seguido. “A ideia é que o Cemitério seja visto não com aquele olhar tradicional, de quem vai no cemitério para fazer uma visita a alguém que faleceu, mas com um olhar cultural e um olhar voltado para história”, explica Fernando Miranda, presidente o IHPF. Carregado de simbologia, mensagens e estátuas, o Cemitério Vera Cruz carrega, também, a história da cidade. “O cemitério é uma fonte histórica: os personagens que participaram da história da cidade e do estado estão enterrados ali e a própria arquitetura apresenta parte de épocas vivenciadas aqui”, comenta o presidente.

Durante todo o ano de 2014, cerca de quinze pessoas se envolveram na produção do mapa. A partir de visitas, catalogação de túmulos, escolha de personalidades e registros fotográficos, a produção tomou forma: com o objetivo de despertar escolas, cursos de arquitetura e de artes, o mapa se concentra na parte mais antiga do cemitério e apresenta personalidades que ajudaram na formação de Passo Fundo e, ainda, um grande número de estátuas que cortam parte da história da arte. A proposta é que, mais tarde, esse circuito inicial seja ampliado. Por agora, o objetivo é estimular a visita ao cemitério como uma visita cultural, histórica e turística. “A cidade já apresenta um turismo religioso, que é o caso da Maria Elizabeth. E isso já é comum em outras regiões. É um outro olhar que se abre sobre a cidade. Existem obras, no cemitério, que mereceriam, junto à Prefeitura, o tombamento desse trabalho que é artístico e cultural. Merecem um estudo mais aprofundado”, explica Fernando.

Ao todo foram impressos cinco mil exemplares do Guia de Visitação que serão distribuídos no próprio cemitério e, ainda, nas escolas, faculdades e percursos de ônibus. O lançamento oficial da produção acontece na noite desta quinta-feira, 30, na sede da Academia Passo-fundense de Letras, às 19h30, com a palestra da Secretária Municipal de Planejamento Ana Paula Wickert. “Vai dar para retirar muitas informações a partir do mapa e o cemitério é o retrato da própria sociedade. É, na verdade, uma cidade com vários bairros. É um museu a céu aberto”, conclui Fernando. 

Fonte: O Nacional

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