sexta-feira, 21 de novembro de 2014

1995: Acordo de Dayton encerra Guerra da Bósnia

O mais longo conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial teve seu fim acertado em 21 de novembro de 1995, após três semanas de duras negociações em Dayton, nos Estados Unidos.
Então secretário norte-americano de Estado, Christopher (c), ao lado do ex-presidente bósnio Izetbegovic (e) e do presidente croata, Tudjman
"O povo da Bósnia tem a chance de agora deixar o horror da guerra para trás e alimentar a esperança de paz." Assim avaliou o então presidente norte-americano Bill Clinton o resultado da conferência de paz na base aérea de Dayton, no estado de Ohio (EUA). Nela, os presidentes da Sérvia, da Bósnia e da Croácia acertaram a continuidade da existência da Bósnia, com uma parte croata-muçulmana e outra sérvia.
A capital Sarajevo permaneceu uma só e sob controle bósnio. Por sua vez, os sérvios mantiveram seu reduto Pale, assim como Srebrenica e Zepa, ex-zonas sob proteção da ONU. Uma tropa internacional de paz, comandada pelos Estados Unidos e sob responsabilidade da Otan, foi estacionada na Bósnia e na Croácia para fiscalizar o cumprimento do acordo.
O papel dominante coube aos Estados Unidos. Foi seu mérito a reunião dos presidentes bósnio, Alia Izetbegovic, sérvio, Slobodan Milosevic, e croata, Franjo Tudjman, para pôr fim à guerra de três anos na Bósnia-Herzegóvina.
Entre Dayton e Champs Elysées
Na fase preparatória para o encontro em Dayton, dois acordos importantes já haviam sido firmados. Em 10 de novembro de 1995, a República Bósnia-Herzegóvina e a Federação Bósnio-Croata acertaram a instituição da Federação Bósnia-Herzegóvina e a definição de um governo de transição para a cidade de Mostar. Dois dias depois, em 12 de novembro, sérvio-bósnios e croatas firmaram um acordo-base sobre a Eslovênia Oriental, Barânia e Sírmio Ocidental, como pré-requisito para o tratado de paz de Dayton.
Três semanas após o êxito das negociações na base aérea norte-americana, o Acordo de Dayton foi assinado oficialmente em Paris. Dez chefes de Estado e de governo compareceram à cerimônia no Palácio Champs Elysées, além de representantes de cerca de 50 países e organizações participantes do processo de paz. Em seu discurso de abertura, o presidente francês Jacques Chirac lembrou as vítimas da guerra:
"A esperança – que surge agora para todos os povos da ex-Iugoslávia – não nos deixa esquecer os 200 mil mortos da guerra. O conflito sangrento tem de ser deixado para trás, mas certamente deixará feridas no coração da Europa. O restabelecimento duradouro da paz será sobretudo tarefa dos países da região. Agora, todos os responsáveis devem partir para o capítulo da reconciliação. E, neste ponto, o exemplo de Adenauer e De Gaulle podem ser um grande modelo."
Motivo de ressentimento para o anfitrião francês foi o Acordo de Paz da Bósnia não ter entrado para a história como "Tratado do Champs Elysées", como ele gostaria. Em vez disso, continuou sendo chamado Acordo de Dayton, em referência ao local do centro-oeste americano onde os termos da paz foram negociados numa batalha de nervos, durante três semanas.
  • Autoria Doris Bulau (mw)
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