quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Semana Acadêmica de História da UPF aborda o centenário de eclosão da Primeira Guerra Mundial

Conferência de abertura contou com palestra do historiador Paulo Fagundes Visentini e reuniu acadêmicos de graduação e pós-graduação

Foto: Alessandra Pasinato
XVII Semana Acadêmica do curso de História debate o tema “A Grande Guerra e a mundialização dos conflitos no século XX”
O primeiro centenário de eclosão da Primeira Guerra Mundial, as mudanças decorrentes dessa batalha e a sua relação com os conflitos atuais permearam o tema da conferência de abertura da XVII Semana Acadêmica do curso de História da Universidade de Passo Fundo (UPF). As atividades que iniciaram nesta quarta-feira, dia 05 de novembro, seguem até esta sexta-feira, dia 07 de novembro, e contemplam ainda a III Mostra de Pesquisa em História da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em História, o V Fórum do Curso de História e o IV Seminário Interno Pibid-História/UPF.

Com o tema “A Grande Guerra e a mundialização dos conflitos no século XX”, a Semana Acadêmica integra acadêmicos de graduação e pós-graduação do curso de História. Conforme o professor Adelar Heinsfeld, coordenador geral do evento, este tema vai permear as discussões das três conferências. “A chamada grande guerra é a Primeira Guerra Mundial e neste ano onde estamos rememorando o primeiro centenário da eclosão do chamado primeiro grande conflito moderno da humanidade, o curso de História não poderia ficar alheiro ao tema, pelas transformações que o mundo sofre com a guerra. É um assunto que merece ser revisitado sempre e o centenário é o momento oportuno de abordarmos esse tema”, explica Heinsfeld. O evento contou com a participação da coordenadora do curso de História, professora Gizele Zanotto e da coordenadora do PPGH, Ana Luiza Reckziegel.

Primeira Guerra Mundial
Em sua abordagem durante a conferência de abertura que teve como tema “Primeira Guerra Mundial e o Brasil”, o historiador Paulo Fagundes Visentini buscou explicar as razões por trás do conflito. Para ele, é importante abordar o centenário da Primeira Guerra Mundial, tendo em vista que neste ano o tema foi abordado com intensidade. “Nos 90 anos não se teve nada em termos de publicações e, agora, nos 100 anos, se intensificou, porque na Europa voltaram a ocorrer tensões como na época da Primeira Guerra Mundial, inclusive entre países que naquele momento tiveram rivalidade e que agora começam a ter novamente”, avalia.


Visentini destaca que foi com este conflito que aconteceram rupturas profundas como o declínio da Europa. Ainda, como parte da Primeira Guerra Mundial, ocorreu a Revolução Soviética, fato que dividiu o século com oposição entre capitalismo e socialismo. Na opinião do historiador, uma das questões preocupantes desse centenário é que houve um retrocesso em termos de análise científica e historiográfica da guerra e os estudos se voltaram à discussão acerca da responsabilidade do conflito. “Quando se olha os conflitos de hoje, se percebe que é uma historiografia nova, mas a serviço de interesses”, enfatiza.

O historiador explica que na época, havia um intenso processo de globalização. “O mundo se alfabetizava, a ciência, a industrialização e o comércio avançavam. Haviam tensões que explodiram numa guerra irracional, que tinha uma concepção voltada para o passado, mas utilizando meios tecnológicos quase futurísticos, como avião, submarino e tanques. Isso produziu uma mortandade gigantesca”, comenta, destacando que em países que lutaram por mais tempo, praticamente não sobraram jovens do sexo masculino de 17 a 40 anos de idade, com isso, por um período houve desequilíbrio na sociedade, que provocou profundas modificações no papel da mulher.

Conflitos modernos
Hoje, existe uma intensa preocupação acerca dos rumos que os atuais conflitos estão tomando. Conforme Visentini, a cada seis meses somos surpreendidos com um novo conflito que eclode no mundo. “Continuam as lutas na Líbia, na Síria e no Afeganistão. No Iraque, a guerra ganhou outra dimensão, na Ucrânia há quase um ano está em conflito, sem contar a um jogo de poder maior que reverte ao mesmo problema”, salienta.


O historiador considera que as potências que eram dominantes percebem a ascensão de novas potências como a China e outros países que queriam ocupar um lugar de destaque no cenário internacional, porém, não foram tolerantes a essa pressão ainda permanece hoje. “Curiosamente, há um ciclo forte de globalização, muito desenvolvimento e muitas conquistas que alteram a posição das potências. São as novas potências que estão ganhando nesse processo de globalização e as antigas, que tem mais armas e mais recursos diplomáticos, tentam bloquear a ascensão dessas outras, como aconteceu naquela época em que a Alemanha tentou entrar para o clube dos grandes e os Estados Unidos e a Inglaterra barraram”, assegura.

Sobre a ocorrência de uma nova guerra mundial, Visentini observa que na época que eclodiu a Primeira Guerra Mundial, ninguém acreditava que ela iria acontecer, meses antes de eclodir e quando ela começou, todos acreditaram que duraria seis meses. “A referência que se tinha naquela época, que se chama Belle Époque, é de que estavam todos entusiasmados com as novidades do mundo e, meses depois, a Europa estava mergulhada em um conflito sem solução e sem fim”, informa, reiterando: “Pode acontecer uma terceira guerra, não seria impossível”, prevê.
 



Nenhum comentário: