sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

1897 - Tirinha mais antiga do mundo é impressa pela primeira vez


Pioneira história em quadrinho foi desenvolvida por Rudolph Dirks, cidadão norte-americano nascido na Alemanha
De acordo com diversos historiadores do gênero das histórias em quadrinhos, o dia 12 de dezembro de 1897 marca o nascimento da primeira tira cômica publicada em jornal. Katzenjammer Kids, (Os garotos Katzenjammer), da autoria de Rudolph Dirks, estreou no periódico norte-americano New York Journal.
Ao contrário de outros autores contemporâneos, Dirks já começou delineando em traços sua técnica de contar uma breve história em sequência de quadrinhos. Ao lado de F.B. Opper e seu Happy Hooligan (Feliz Desordeiro), os dois foram pioneiros em utilizar o balão na fala dos personagens.

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"The Captain and the Kids" ("OCapitão e as Crianças"), HQ lançada dia 29 de fevereiro de 1976


O Katzenjammer Kids, além de ser uma tira cômica de longa duração, considerada engraçada pelo público e pela crítica, é também historicamente importante. Durante muitos anos, pensou-se que a tira era simplesmente uma imitação do trabalho anterior de Wilhelm Busch, ‘Max und Moritz’, que desde 1865 vinha entretendo leitores na Alemanha e mais tarde difundindo-se por todo o planeta.
Uma pesquisa recente desenvolvida pelo especialista Alfredo Castelli descobriu documentos mostrando que, na realidade, a organização Hearst – do magnata da imprensa William Randolph Hearst, retratado indiretamente por Orson Wells em ‘Cidadão Kane’ – havia legitimamente licenciado a criação artística de Busch, que aparecia sob o seu nome original nas edições em idioma alemão nas páginas do New York Journal, de propriedade de Hearst.
De qualquer modo, Dirks, ele mesmo cidadão norte-americano nascido na Alemanha, estava familiarizado com a obra de Busch. Ao receber a autorização do diretor de arte do jornal, Rudolph Block, não teve problemas em comparar seus personagens com aqueles de Busch.
No ano seguinte a série teve de ser interrompida por um breve período, pois Dirks havia sido convocado para lutar na Guerra entre a Espanha e Estados Unidos. Ao regressar, inovou seu cast de personagens, acrescentando o Capitão (cujo relacionamento não fica claro – talvez amante de Mama Katzenjammer) em 1902 e O Inspetor (um funcionário público preguiçoso), em 1905. De seus cinco personagens centrais, apenas os garotos têm nome  — Hans e Fritz — os demais mencionados apenas pelo título.

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Reviravolta
Em 1912, Dirks decidiu pedir licença para se afastar do trabalho. Queria viajar pelo mundo e dedicar seu tempo à pintura. A organização Hearst, contudo, não estava disposta a interromper sua seção de quadrinhos cômicos. Entregou a tarefa a Harold Knerr, cujos trabalhos incluíam os Gêmeos Fineheimer, uma paródia de Katzenjammer.
Ao retornar, Hearst recusou-se a aceitá-lo de volta. Dirks foi à justiça. O juiz decidiu que Hearst detinha a propriedade do título Katzenjammer Kids, mas ao mesmo tempo, permitiu que Dirks usasse os mesmos personagens, desde que com um título diferente.
Em 1914, estreou uma nova tira nos jornais da cadeia rival de Joseph Pulitzer, outro magnata da imprensa, sob o título O Capitão e os Garotos (ilustração abaixo), publicado durante mais de meio século.

Anti-germânicos
Enquanto isso, a tira dos Katzenjammer Kids continuou sendo publicada na edição de domingo do New York Journal por mais de trinta anos. Durante a Primeira Guerra Mundial, quando tudo o que era germânico estava proibido, o título foi alterado para The Shenanigan Kids, e os personagens Hans and Fritz renomeados para Mike e Aleck, e sua nacionalidade de alemã passou a ser holandesa. A situação foi revertida em 1920.
A partir de 1917, surgiu uma versão diária da tira intitulada Os Katzies. A despeito de nova onda de antigermanismo às vésperas da Segunda Guerra Mundial a publicação se estendeu até 1953.
A comprovação do status de clássico das histórias em quadrinhos é o fato de que passado mais de um século, a obra de Rudolph Dirks ainda pode ser editada pela agência de distribuição jornalística King Features – fazendo dela, de longe, a tira cômica de mais longa duração.
Fonte: Opera Mundi

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