quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

1987 - Começa a Primeira Intifada na Faixa de Gaza


Um dia antes, um caminhão israelense havia se chocado contra uma camioneta transportando trabalhadores palestinos de um campo de refugiados
As primeiras manifestações na Faixa de Gaza contra a invasão israelense, denominadas Intifada – "levante" em árabe – têm início em 9 de dezembro de 1987. Um dia antes, um caminhão israelense se chocou contra uma camioneta transportando trabalhadores palestinos do campo de refugiados de Jabalya, matando quatro e ferindo dez.

Wikicommons

Os palestinos viram o incidente como um ato deliberado de retaliação à morte de um judeu em Gaza alguns dias antes. No dia seguinte, tomaram as ruas em protesto, queimando pneus e atirando pedras e coquetéis molotov contra os policiais e tropas israelenses. Até que, em Jabalya, uma patrulha do exército de Israel atirou contra os manifestantes, matando um jovem de 17 anos e ferindo outros 16. Em 10 de dezembro, paraquedistas israelenses foram enviados a Gaza para sufocar a violência e os distúrbios se espalharam pela Cisjordânia, também ocupada por Israel.
[Cartaz usado no período da Primeira Intifada, representando os territórios ocupados e Israel]

Nove de dezembro marcou o início formal da Intifada, mas demonstrações de pequena escala e atos de violência dirigidos contra israelenses vinham em escalada crescente durante meses. O ano de 1987 marcou o 20º aniversário da conquista por Israel da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Após a Guerra dos Seis Dias, Israel instalou administrações militares nos territórios ocupados e anexou permanentemente Jerusalém Oriental. Com o respaldo do governo de Tel Aviv, colonos israelenses mudaram-se para os territórios ocupados, tomando terras palestinas. Em dezembro de 1987, 2200 colonos armados ocuparam 40% de Gaza, enquanto 650 mil palestinos em condições de pobreza ficaram concentrados nos outros 60%, fazendo da porção palestina uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.

Política

A revolta da população palestina passou logo a ser controlada por líderes que formaram o Comando Nacional Unificado da Revolta que tinha vínculos com a OLP (Organização pela Libertação da Palestina). Embora as imagens de jovens palestinos lançando pedras contra as tropas de Israel tenham dominado o noticiário da televisão, o movimento espalhou entre toda a sociedade palestina. Setores proprietários e grupos de mulheres juntaram-se aos militantes em greves, boicotes e outras táticas mais sofisticadas em sua luta por conquistar a soberania palestina.

Em julho de 1988, o rei da Jordânia, Hussein, renunciou a toda responsabilidade administrativa da Cisjordânia, reforçando, por conseguinte, a influência palestina sobre o território. Em novembro de 1988, a OLP aprovou a proclamação do estabelecimento de um Estado palestino independente. Entrementes, a Intifada persistia e por ocasião de seu primeiro aniversário mais de 300 palestinos já haviam sido mortos, mais de 11 mil, feridos, e muitos outros presos.

Processo de paz

Nas últimas semanas de 1988, Yasser Arafat surpreendeu o mundo ao denunciar o terrorismo, reconhecendo o direito do Estado de Israel a existir e autorizando o início das negociações de paz com Israel. Em 1992, Yitzhak Rabin, líder do Partido Trabalhista israelense, tornou-se primeiro ministro, comprometendo-se a se envolver imediatamente no processo de paz. Congelou novos assentamentos israelenses nos territórios ocupados e a Intifada foi suspensa depois de cinco anos.
Em 1993, negociações secretas entabuladas em Oslo resultaram na assinatura da histórica declaração de princípios em Washington. O acordo determinou a retirada das tropas israelenses de Gaza e da cidade de Jericó e o estabelecimento de um governo palestino com autoridade sobre grande parte da Cisjordânia.

A despeito das tentativas de setores extremistas de ambos os lados de sabotar o processo de paz por meio da violência, os israelenses completaram sua retirada em maio de 1994. Em julho, Arafat entra em Jericó e estabelece seu governo. Em 1994, Arafat, Rabin, e o ministro do Exterior, Shimon Peres receberam em conjunto o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços de reconciliação.

Em 1995, Rabin foi assassinado por um extremista de direita judeu num comício pela paz em Tel Aviv e o processo de paz israelo-palestino, sob o governo de seus sucessores, Shimon Peres, Benjamin Netanyahu e Ehud Barak entrou num impasse para em seguida ser desmantelado.

Em setembro de 2000, irrompeu a Segunda Intifada, após Ariel Sharon, líder do partido direitista Likud, visitar o Monte do Templo, um local de grande significado religioso, controlado pelos muçulmanos.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: