quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Quando a Justiça parecia um caos, por Ironita Machado


De um labirinto de processos, vêm à tona relações de mando e conflitos pela terra

Ironita Policarpo Machado
1/1/2015

  • Ler processos judiciais de época é maçante e confuso, mas paradoxalmente é também instigante, seja pela natureza da fonte, seja pela memória caótica, ou pela diversidade de possibilidades interpretativas. 
    Em 2004, deparei-me pela primeira vez com um acervo quantitativamente significativo do Judiciário: eram 6 mil peças de um período em que reinavam o poder do mando, a rede de compromissos coronelíticos, a conciliação de frações de classe, a troca de favores e os confrontos de forças partidárias. 
    Surgiu o primeiro obstáculo a ser vencido: identificar o conflito social que promoveu e levou aos tribunais tantos litígios e, consequentemente, refletir sobre o significado do Judiciário na Primeira República rio-grandense (1889-1930). O caos estava instalado. As fontes judiciais deveriam ser lidas, classificadas e compreendidas, e eu estava diante do desafio do desconhecido etimológico e epistêmico. Era preciso enfrentar o embate do diálogo entre história e direito, com minha a experiência de vida e indagações intelectuais relativas à vivência presente. 
    Confira na edição de janeiro, nas bancas.

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