quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

1832 - Ilhas Galápagos são anexadas ao Equador


Características únicas do arquipélago motivaram visitas diversas às ilhas, que geraram tanto as ideias de Darwin, quanto extinção de espécies


Descobridores das Ilhas Galápagos encontraram diversidade natural incrível e condições difíceis de sobrevivência

Em 12 de fevereiro de 1832, há 181 anos, o Equador anexou as ilhas Galápagos ao seu território. Uma das ilhas foi nomeada Floreana em homenagem ao general Juan José Flores, primeiro presidente equatoriano. Quem havia impulsionado a anexação foi o general franco-espanhol José María de Villamil, motivado pelo potencial econômico de uma planta que produzia um corante roxo. Villamil, tido como herói nacional, foi o primeiro governador das Galápagos e pai da marinha equatoriana.
 
Os primeiros registro dessas ilhas paradisíacas datam de quase cinco séculos atrás. O frei dominicano Tomás de Berlanga, bispo do Panamá, foi o descobridor oficial, em 1535. Na verdade, seu objetivo era o Peru, mas correntes marítimas o conduziram para o que viria a ser uma difícil estadia em seu destino inesperado.

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(No canto inferior do mapa do inglês William Crowley está escrito que o nome Galápagos "deriva do 'Resort de Tortoise', para que possam botar seus ovos; pois em espanhol, Gallapagos significa um Tortoife")
A escassez de água potável e alimento praticamente restrito a tartarugas gigantes são anotações frequentes nos registros de Berlanga e de visitantes subsequentes. A dificuldade de acesso e permanência nas ilhas, por outro lado, fizeram dela um refúgio para piratas, base militar para os EUA na II Guerra Mundial, ponto para baleeiros e antro científico.

Com o tempo, os piratas não deixaram de ser patrocinados por Reino Unido ou Holanda contra os espanhóis, a Guerra terminou e os baleeiros acharam em 1819 os mares do Japão - mas as descobertas científicas foram as maiores responsáveis pelo reconhecimento mundial das Galápagos.

Darwin

Nascido na mesma data da anexação ao Equador, mas em 1809, o naturalista inglês Charles Darwin chega às ilhas aos 26 anos, a bordo do H. M. S. Eagle, para recolher espécimes geológicos e biológicos. Mas foi somente em retrospecto, após a estadia de cinco semanas no arquipélago, que Darwin percebeu a significância das diferenças observadas nas espécies das Galápagos.

Principalmente graças a três espécies de tentilhões em ilhas diferentes, Darwin foi capaz de criar sua teoria de evolução das espécies e seleção natural. Basicamente, se indivíduos variam em uma certa característica, e se esse aspecto favorece a sobrevivência do animal, mais espécimes com essas características apareceriam nas gerações seguintes. Na introdução de seu livro, A Origem das Espécies (1859), Darwin explicita a importância do arquipélago para sua teoria.

As ilhas, de fato, são únicas. Formadas por erupções vulcânicas por estarem sobre a placa tectônica de Nazca, se situam em uma posição equatorial, com clima tropical, e em meio às correntes marítimas frias de Humboldt e Cromwell, de clima temperado. Entre 5 e 10 milhões de anos atrás, os primeiros picos dos vulcões de Galápagos surgiram a cerca de 1000 quilômetros do continente.

Toda fauna e flora imigrou às ilhas, por ar ou mar. Assim, existem várias espécies de répteis e aves, mas poucos mamíferos e nenhum anfíbio. Muitas samambaias e gramíneas (cujas sementes são leves ao vento), mas sem plantas de folhas largas e grandes sementes.
                                                            
Exploração

Nos últimos séculos, porém, é o ser humano o principal introdutor de novas espécies nos Galápagos. Cerca de 1.400 novas espécies chegaram às ilhas.Formigas de fogo, cabras e amoras silvestres já teriam desbalanceado o meio nativo. Com a exploração, populações de lobos-marinhos, tartarugas gigantes (caçadas por seu óleo), garoupas, pepinos do mar, iguanas e baleias se dizimaram. Na década de 1930 começaram as preocupações ambientais quanto às Galápagos, com proteção e regulações de espécies e nomeação como reserva nacional.                                                                                                                                     Wikicommons - Diferentes sementes das ilhas, diferentes tipos de bico
Formado por 13 ilhas maiores e 17 ilhotas, desde 1973 o arquipélago é administrado por um governo provincial, com capital em Puerto Baquerizo Moreno. A economia é conduzida principalmente por agricultura, pesca e turismo, também com grandes consequências para a natureza.

A imigração descontrolada estava entre as preocupações quando o arquipélago entrou para a lista de Patrimônios Mundias em Perigo, em 2007. Os pouco mais de 25 mil habitantes em 2010 habitam um limite 3% da área das ilhas. Metade dos 74% que vieram de fora reportam motivos econômicos para a migração. 
A população cresceu rapidamente desde os anos 1970, por causa da indústria de turismo, crises econômicas na parte continental e boom na pesca de pepino do mar. Entre 1999 e 2005, a população aumentou em 60%. Assim, o governo de Rafael Correa implementou a chamada “Zero pessoas em status irregular nas Galápagos“, com novos processos e punições em relação a vistos. O turismo, porém, ainda demanda imigrantes temporários e ilegais.

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O chamado 'George solitário' morreu em junho de 2012'; era o último das tartaruga Pinta e ícone da conservação ambiental das Galápagos
Fonte> Opera Mundi

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