segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

1979 - Aiatolá Khomeini volta ao Irã para liderar Revolução Islâmica


Sublevação iraniana levou grupo de religiosos fundamentalistas ao poder com discurso anti-ocidental que influenciou toda a região até os dias atuais

Em 1º de fevereiro de 1979, depois de 15 anos de exílio, o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder espiritual da comunidade xiita iraniana, retorna a Teerã, onde é recebido como herói nacional.

[Khomeini morreu dez anos após liderar insurreição no Irã]

Perguntado, ainda no avião, sobre a sensação ao retornar do exílio, respondeu tranquilamente que não tinha nenhuma. Apenas dois meses depois, instauraria uma república islâmica no Irã e liquidaria todos os principais atores do regime do xá Reza Pahlevi.

Khomeini, que recebera o título de aiatolá (perito em religião e direito) em 1950, tivera de abandonar o país em 1964, quando a monarquia de Reza Pahlevi endureceu e a repressão pela polícia política Savak era feroz.

Filho de um antigo preso político do tempo do xá Reza Khan, que também acabou expulso, ele era um dos principais críticos do regime. Primeiro, fugiu para o Iraque, de onde foi obrigado a sair a pedido do xá, passando a viver na França.

Nessa altura, o governo francês propôs ao xá forjar um “acidente fatal que acabaria com Khomeini.” O xá rejeitou o plano, alegando que isto faria dele um mártir.
O estopim da revolução foi uma manifestação pró-Khomeini realizada em janeiro de 1978 na cidade de Qom, popular centro religioso. Tropas do xá reprimiram o protesto, matando 70 pessoas. Do exílio, Khomeini ordenou que, após 40 dias, fossem realizadas cerimônias em memória dos mortos, como é tradição no país.

Esses eventos, que se repetiam a cada 40 dias, se transformaram em protestos contra o governo e as potências ocidentais. O governo impôs a lei marcial. Seguiu-se uma greve geral que paralisou a economia do Irã.

Em 16 de janeiro de 1979, o xá e a imperatriz Farah Diba deixaram o país e foram para o Egito, onde foram recebidos pelo presidente Anwar El Sadat. Embora oficialmente estivessem apenas em viagem de férias, na realidade a partida foi definitiva. A revolução popular, liderada simultaneamente pelos liberais, pela esquerda, pelo Exército e pelos mulás que agitaram o país, havia expulsado o soberano.

A Revolução Islâmica no Irã levou ao poder um grupo de religiosos fundamentalistas com discurso anti-ocidental que influenciou toda a região, acirrou disputas com vizinhos - a mais grave delas, a guerra contra o Iraque (1980-1988). Saddam Hussein recebeu apoio em armas e dinheiro dos EUA, enviados pelo presidente Ronald Reagan, disposto a derrubar o regime do aiatolá a todo custo. Não conseguiu, e Khomeini morreu no poder em 1989.
Fonte: Opera Mundi

Um comentário:

nadir jacob curi disse...

Khomeini - o maior homem de sua época. Disse no aeroporto de Paris que chegaria de volta ao Irã, assumiria o Poder e proibiria todos de usarem camiseta com nomes "americanos" (Massachussets, New York) Todo nome americano foi proibido em todos lugares.É disso que o Brasil precisa. Por que, em lugar de Flórida, não usamos no peito SÃO PAULO"?