segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Na batalha de Moscou, engajamento de civis russos ajudou a impedir desejo de Hitler de destruir o Kremlin


Confronto entre alemães e russos no fim de 1941 é considerado um dos grandes embates estratégicos da 2ª Guerra
A batalha de Moscou diz respeito os combates pelo controle da capital soviética entre outubro de 1941 e janeiro de 1942. É considerada, ao lado dabatalha de Stalingrado, como um dos grandes confrontos estratégicos do front oriental e de toda a Segunda Guerra Mundial. Fora as movimentações bélicas, o confronto de Moscou também notabilizou-se por ter contado com o engajamento de milhares de cidadãos russos, civis que deram apoio logístico à frente militar cavando valas, montando armadilhas e fortificando posições. Em Berlim, Adolf Hitler ditava as ordens para a Wehrmacht: dinamitar o Kremlin.
A ofensiva alemã tinha por objetivo cercar Moscou em forma de pinça. Do lado soviético, as forças planejaram inicialmente uma defesa estratégica da região de Moscou, montando três cinturões defensivos com a mobilização de reservas provenientes da Sibéria e do Extremo Oriente.
Em 15 de novembro de 1941, enquanto chuvas geladas caíam com cada vez mais força e não havia ainda movimentos importantes, o alto comando da Wehrmacht tinha dúvidas em levar a cabo a operação. Os chefes militares reuniram-se para avaliar a situação. Alguns generais defenderam o entrincheiramento, mantendo as posições conquistadas. Outros argumentavam que, faltando ainda três semanas de clima favorável, deveriam levar adiante a investida contra a capital e em seguida apoiar o Grupo de Exércitos do Norte, bastante debilitado. O general Erich Hoepner comentava que, devido às dificuldades de abastecimento, o moral da tropa estava em baixa.
Posteriormente, chega uma ordem de Hitler que insta seus generais a tomar Moscou o mais cedo possível e que não aceitaria qualquer capitulação. A cidade deveria ser bombardeada e os civis obrigados a fugir ou morrer de fome. Do líder nazista, ainda chegou outra instrução especial: destruir o Kremlin com dinamite.
Sem alternativa, os generais decidem pela invasão, assim que as chuvas dessem trégua. A estratégia era empregar o ataque em pinças, cercando a capital pelo norte (Kalinin e Klin) e pelo sul (Tula até o rio Oka) para, em seguida, apertar o cerco. O 4º Exército de Von Kluge ficou encarregado de levar a cabo a operação que teve início em 20 de novembro de 1941.
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Foto de dezembro de 1941 mostra tropas russas se dirigindo ao front de batalha
O general Zhukov estabeleceu três linhas concêntricas de defesa, prevendo o ataque em forma de pinças.  Milhares de operários, mulheres e crianças passaram a cavar valas, montar defesas antitanques e armadilhas. Também foram colocadas secretamente cargas de dinamite em pontos estratégicos.
O governo soviético foi evacuado para leste, na cidade de Kuibishev — embora Stálin tenha permanecido em Moscou para dar exemplo de determinação aos soldados e à população em geral. Ademais, ordenou realizar na Praça Vermelha o tradicional desfile militar de 7 de novembro em comemoração ao triunfo da Revolução Bolchevique. Decidiu ainda que as tropas de reforço cruzariam a praça, diante do mausoléu de Lênin, marchando diretamente a enfrentar-se com o invasor no campo de batalha. Nas fábricas próximas, eram armados a toda pressa centenas de tanques T-34 que seriam empregados na batalha iminente. Edifícios foram fortificados e deram abrigo a centenas de ninhos de metralhadoras antiaéreas, comprometendo nesta ação 24 mil civis.

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Walther von Brauchitsch, comandante-em-chefe das operações em Berlim, é avisado de que a tropa alemã em Moscou estava no limite de suas forças — muitos soldados se deixavam morrer na neve ou se negavam a combater. Von Brauchitsch conversa com Hitler e lhe propõe a suspensão do ataque a Moscou até a primavera. O führer interrompe-o secamente vociferando: “Quero Moscou! Você não vai me impedir de ter Moscou!”. Von Brauchitsch sai do gabinete mudo, tremendo e pálido, e sofre um ataque cardíaco. No dia seguinte é destituído e Hitler assume o comando total das operações.
Derrota
Com o inimigo muito perto do centro de Moscou, Zhukov lança os reforços contra as linhas germânicas, com apoio de tanques T-34 e lançadores de foguetes múltiplos Katyusha, recentemente fabricados — os alemães denominaram de “órgãos de Stalin” devido a certa semelhança com o órgão musical. As tropas siberianas estavam preparadas para a guerra invernal e conseguiram empurrar os congelados e esgotados soldados inimigos para mais de 100 quilômetros de distância.
Consolidada a vitória na batalha de Moscou, o fato proporcionou um formidável alento para o moral do Exército Vermelho, uma vez que a Wehrmacht havia perdido sua aura de invencibilidade. A temida ‘Blitzkrieg’ não tivera êxito. Guderian foi destituído e substituído por Von Kluge ao não poder tomar Moscou e os alemães tiveram de se preparar para uma longa e sangrenta guerra de posições.
Assista abaixo reportagem do site RT sobre a batalha de Moscou:
De acordo com fontes alemãs e soviéticas, cerca de 700 mil homens do Exército Vermelho morreram, foram feridos ou dados como desaparecidos durante a fase defensiva e a posterior contra-ofensiva, enquanto 250 mil soldados do Eixo morreram, foram feridos ou dados como desaparecidos durante a totalidade da batalha. Em virtude do heroísmo dos defensores se conferiu à cidade de Moscou o título de Cidade Heroica em 1965, por ocasião da comemoração do 20º aniversário da vitória soviética sobre o nazi-fascismo em 1945.
Ignorando os conselhos de seus generais, Hitler não ordenou a retirada geral. Essa ordem é até hoje em dia motivo de discussão, já que vários especialistas, como o general Günther Blumentritt, asseguram que uma retirada em pleno inverno teria terminado com o massacre das tropas alemãs, já que a prática da “terra arrasada” e os caminhos intransitáveis teriam obrigado aos exaustos germânicos a abrir passagem pelo campo, facilitando a captura pelo inimigo.
Desde o natal de 1941, os alemães passaram a observar que a força do contra-ataque russo havia diminuído, embora a resistência em defesa da cidade se mantivesse alta. Os alemães, todavia, continuaram cedendo terreno, embora de forma mais organizada, Em fins de fevereiro de 1942, o front de Moscou se estabilizou. Incapaz de tomar Moscou, as atenções de Hitler se voltaram para o Cáucaso. A Wehrmacht, nos meses que se seguiram, marchou celeremente em direção ao objetivo, mostrando resultados positivos em seu caminho... Até se deparar com Stalingrado.
Fonte: Opera Mundi

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