domingo, 29 de março de 2015

1939 - Nacionalistas entram triunfantes em Madri ao lado do General Franco


Fraquismo buscava restaurar na sociedade espanhola os tradicionais valores autoritários e católicos
No dia 28 de março de 1939, nacionalistas espanhois entram em Madri e fazem o desfile da vitória diante do caudilho Francisco Franco y Bahamonde, um general de 46 anos.


Era o fim de uma guerra civil de três anos que custou ao país 400 mil vidas e outros tantos exilados. Era também o fim da República Democrática dos Trabalhadores de Todas as Classes, nascida em 1931. Entre 1936 e 1939, socialistas, comunistas, anarquistas e democratas liberais lutaram contra o avanço de fascistas e direitistas que tentavam restabelecer valores tradicionais em um país autoritário e católico.
A Espanha servira de campo de batalha e terreno de manobras a todas as facções políticas da Europa, das hitleristas a anarquistas passando por fascistas, bolcheviques e trotskistas. A participação gloriosa, porém um tanto desordenada, de voluntários e combatentes estrangeiros permitiu apenas retardar por vários meses a vitória dos nacionalistas, sem jamais propiciar uma chance séria de conquista aos republicanos.
Quando a vitória dos nacionalistas se confirmou, longas colunas de refugiados republicanos se apresentaram na fronteira dos Pirineus, buscando asilo na França. Era a Retirada. Outros grupos numerosos prosseguiram em sua viagem, uns rumo ao México, outros, à União Soviética. Menos sorte tiveram os 15 mil refugiados que afluíram ao porto de Alicante na esperança de embarcar nos navios rumo a destinos diversos. Pegos em uma armadilha, são cercados pelas tropas italianas aliadas aos franquistas. Muitos optam por se matar diante da população. Outros são enviados aos campos de concentração ou mesmo massacrados.
Em 1º de abril, Franco publica um conciso comunicado: “Terminou a guerra”. Duas semanas antes, Hitler havia entrado em Praga. Em 7 de abril, Mussolini lança um ataque à Albânia. A Europa e o mundo encontravam-se na iminência de uma grande hecatombe.
Fortalecido pela vitória, Franco instaura na Espanha um regime fascista, brutal e corporativista, semelhante ao regime de Mussolini, porém com presença marcante da hierarquia católica. As instituições tomam forma de uma monarquia sem rei, como na Hungria, alguns anos antes, sob o regente Horthy.
Para alicerçar sua autoridade, Franco se apoia nos militantes da Falange, partido paramilitar fundado por José Antonio Primo de Rivera. A princípio antimonarquista, a Falange vê-se forçada a se alinhar ao poder. Seu presidente é o cunhado do caudillo Serrano Suner. Contaria com 500 mil membros.
Wikicommons

Francisco Franco junto ao presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower
Franco aprofundou o ódio no seio do povo espanhol ao agir vingativamente. Multiplicou as prisões e as execuções sumárias nos anos que se seguiram. Essa sangrenta repressão faria tantas vítimas quanto a guerra civil em si.
Alegando que seu país estava exaurido pela guerra civil, o caudilho proclama sua neutralidade desde o início do conflito entre a Alemanha e os países da Europa Ocidental. Mantém-se prudentemente à parte da Segunda Guerra Mundial. Desse modo, não concorda em atender Hitler quando este lhe pede permissão para atravessar a Espanha e tomar Gibraltar dos ingleses

A Espanha, porém, tinha uma dívida com a Alemanha nazista, que forneceu apoio em armas e tropas ao general Franco. Acabou enviando numeroso contingente – a Divisão Azul – para combater as hordas soviéticas.

Este comportamento pendular, mas com um diploma de anticomunismo, permitiu a Franco sobreviver à derrocada do eixo Berlim-Roma. O preço foi um prolongado isolamento diplomático.
Os últimos anos de sua vida foram marcados por uma repressão brutal dos autonomistas bascos e a execução em Burgos de inúmeros dissidentes políticos, boa parte deles executados no aterrador garrote vil.
Em 20 de novembro de 1975, aos 83 anos, Franco morre após um mês de interminável agonia. O  desaparecimento do caudilho após 40 anos de poder absoluto gerou na Espanha e no mundo ocidental sentimentos mesclados de esperança e medo. Muitos temiam o retorno dos fantasmas da guerra civil.
Poucos ousavam apostar no êxito de Juan Carlos de Bourbon, designado pelo velho ditador como sucessor com o título de rei. As pessoas não temiam tratá-lo publicamente como tonto.
Fonte: Opera Mundi

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