segunda-feira, 30 de março de 2015

1973 - Estados Unidos se retiram do Vietnã

Dois meses após a assinatura do Acordo de Paz, as últimas tropas combatentes dos Estados Unidos deixam o sul do Vietnã, em 29 de março de 1973, logo após Hanói ter libertado os remanescentes prisioneiros de guerra mantidos no Vietnã do Norte. Os oito anos de intervenção direta de Washington na Guerra do Vietnã estavam encerrados. 

Em Saigon, cerca de sete mil empregados civis do Departamento de Defesa permaneceram no local a fim de ajudar o Vietnã do Sul a dar andamento ao acordo e pôr um fim definitivo a um conflito encarniçado e sem trégua com as tropas do general Nguyen Vo Giap do Vietnã do Norte. 

Em 1961, depois de duas décadas de assistência militar indireta, o presidente dos EUA, John F. Kennedy (1961-1963) enviou o primeiro grande contingente armado ao país para apoiar o ineficaz regime autocrático do Vietnã do Sul. Três anos mais tarde, com o governo sul vietnamita caindo aos pedaços, o presidente Lyndon B. Johnson (1963-1969) ordenou um bombardeio limitado ao Vietnã do Norte, ao mesmo tempo em que o Congresso aprovava a utilização de tropas terrestres. 

Em 1965, as investidas norte-vietnamitas deixaram a Casa Branca com duas escolhas: a escalada do envolvimento dos Estados Unidos ou a retirada. Johnson ordenou a escalada e o montante do contingente saltou logo para mais de 300 mil soldados do exército, marinha e aeronáutica. Nesta fase da guerra, a Força Aérea norte-americana deu início ao maior dos bombardeios da história, com emprego de munição tradicional, mas também com bombas napalm e desfolhantes laranja. 

Wikileaks 


Panfletos de propaganda norte-americana convocando os soldados norte-vietnamitas a desertarem para o sul 

Durante os cinco anos subsequentes, a prolongada duração da Guerra, o alto número das baixas estadunidenses e a exposição do envolvimento das tropas do general Westmoreland em crimes de guerra, como o massacre de My Lai, ajudaram a criar dentro dos EUA um poderoso movimento contra a Guerra do Vietnã. 

A Ofensiva do Tet do Vietnã do Norte e do Vietcong pulverizaram as esperanças de um fim iminente do conflito e galvanizou a oposição à guerra. A reação de Johnson foi anunciar em março de 1968 que não iria concorrer à reeleição, mencionando como motivo sua responsabilidade na criação de uma perigosa divisão nacional a respeito do Vietnã. Autorizou também que se entabulassem negociações de paz. 

Na primavera de 1969, à medida que os protestos contra a guerra ganhavam força os Estados Unidos, a presença de tropas norte-americanas num país distante, destroçado pela guerra, atingia o pico de 550 mil homens. Richard Nixon (1969-1974), o novo presidente, começou a retirada de tropas e exigiu a “vietnamização” do esforço de guerra, porém, ao mesmo tempo, determinou a intensificação do bombardeio aéreo. 

A retirada de grandes contingentes prosseguiu no começo de 1970 enquanto o presidente Nixon expandia operações aéreas e terrestres no Camboja e no Laos na tentativa de cortar as rotas de suprimento do inimigo ao longo das fronteiras do Vietnã. Esta expansão da guerra, que conseguiu alguns resultados positivos isolados, levou a novas ondas de protesto, não apenas nos EUA, mas no mundo todo. 

Finalmente, em janeiro de 1973, foi assinado o Acordo de Paris para o Fim da Guerra e Restauração da Paz no Vietnã pelos governos da República Democrática do Vietnã, República do Vietnã (Vietnã do Sul), Estados Unidos e o governo Revolucionário Provisório, que representou os revolucionários sul-vietnamitas (Vietcong). Os principais negociadores foram Le Duc Tho, pelo Vietnã do Norte e Henri Kissinger, pelos Estados Unidos, que nesse mesmo ano foram agraciados com Prêmio Nobel da Paz. 

As principais cláusulas incluíram um cessar-fogo em todo o Vietnã, a retirada das forças norte-americanas, libertação dos prisioneiros de guerra e a reunificação do Norte e do Sul por meios pacíficos. O governo sul-vietnamita permaneceria no poder até que novas eleições acontecessem. As forças norte-vietnamitas no sul não poderiam se deslocar nem serem reforçadas. 

Na realidade, o acordo foi pouco mais que um gesto para salvar a face de Washington. Ainda antes da partida das tropas norte-americanas em 29 de março, em resposta às provocações militares do governo de Saigon, os norte-vietnamitas se reposicionaram no terreno. No começo de 1974, empreenderam um ataque em larga escala, dominando praticamente todo o território ao sul. 

Em 30 de abril de 1975, os últimos poucos norte-americanos que permaneciam no Vietnã do Sul foram embarcado em aviões de volta ao seu país, enquanto Saigon caia nas mãos de Ho Chi Minh. O coronel norte-vietnamita, Bui Tin, ao aceitar a rendição do Vietnã do Sul, ressaltou: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas não há vencedores nem vencidos. Apenas os americanos foram derrotados". 

A Guerra do Vietnã foi a mais longa e impopular das guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos. Custou a vida de 58 mil de seus soldados e centenas de milhares de feridos. Dois milhões de soldados e civis vietnamitas foram mortos. 


Fonte: Opera Mundi

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