sexta-feira, 29 de maio de 2015

1871 - Após milhares de execuções, Comuna de Paris é encerrada pelo Exército francês


Seriam quatro mil communards mortos. Entre as forças do governo, número não chegou a 900
No dia 28 de maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.
Dez semanas antes, em 18 de março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota de seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado se insurge e assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presidiários e camponeses, recrutados e treinados às pressas para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de abril. Em 10 de maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo em 21 de maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governistas seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados em uma vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tuileries, o Palácio de Justiça gótico, o Hôtel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de trens que abrigou a Exposição Universal de 1900. Preciosas coleções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.



Essas destruições iriam privar Paris de alguns florões de seu patrimônio arquitetônico. Essa cidade, que se orgulha tanto de seu passado histórico, não dispõe de monumentos que remontem além do século XVII. A única exceção é o palácio do Louvre, a igreja de Notre Dame e algumas outras do centro.

O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões. Isso tudo sem contar as penalidades jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de anistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto exilados poderiam retornar ao país.
Fonte: Opera Mundi

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