quarta-feira, 27 de maio de 2015

1882 - Formada a Tríplice Aliança na Europa


Acordo entre Império Alemão, Austro-Húngaro e Reino da Itália e fatores de descontentamento catalisariam a I Guerra Mundial
Em 26 de maio de 1882 é firmada a Tríplice Aliança, acordo militar entre o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro e o Reino da Itália, formando um grande bloco de países aliados no centro da Europa.
A Tríplice Aliança estabelecia que cada uma das nações garantia apoio às demais no caso de algum ataque de duas ou mais potências sobre uma das partes. O objetivo principal era construir uma barreira político-militar que isolasse a França na Europa Ocidental.
O acordo entre a Alemanha e a Itália neste ponto era bem específico afirmando que seu apoio não se estenderia a um ataque vindo do Reino Unido.
A situação da Itália neste acordo era instável pois sua população era desfavorável ao estabelecimento de um pacto com o Império Austro-Húngaro, antigo inimigo do processo de unificação da Itália. Além disso, os territórios da Ístria, do Trentino e da Dalmácia, sob controle da Áustria, continham população italiana e não haviam sido incorporados à Itália unificada.
O processo colonial da segunda metade do século 19 havia deixado feridas abertas, nomeadamente na Itália e na Alemanha, descontentes com as partilhas dos continentes africano e asiático.
Já a França, derrotada na Guerra Franco-Prussiana de 1871, foi obrigada a ceder à Alemanha a região da Alsácia e Lorena, ricas em carvão e minério de ferro, e a pagar uma pesada indenização aos alemães. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperavam uma oportunidade para retomar a rica região perdida.

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Cartoon francês "Carte drôlatique d’Europe pour 1870" satirizava as disputas de poder na Europa naquele ano
O pan-germanismo e o pan-eslavismo também influenciaram e aumentaram o estado de alerta na Europa. Havia uma forte vontade nacionalista dos alemães em unificar, sob uma única bandeira, todos os países de origem germânica. O mesmo acontecia com os países eslavos.
O chanceler Otto von Bismarck havia construído uma complexa rede de tratados internacionais cujo elemento chave seria a Tríplice Aliança, que ligava a Alemanha com seus vizinhos Áustria-Hungria e Itália. O principal objetivo de Bismarck era a manutenção de um status quo, sob a liderança de Berlim.    
O delicado edifício diplomático de Bismarck veio abaixo com a nova ‘Weltpolitik’ impulsionada pelo kaiser Guilherme II. Essa nova postura da Alemanha, ambiciosa e agressiva, desencadeou um processo de competição antagônica e de desconfiança.

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Kaiser Guilherme (ou Wilhelm, em alemão) II, que provoca efeitos na Europa diferentes do que Bismarck desejava
O primeiro resultado da política de Guilherme II era o que Bismarck mais temia: o fim do isolamento da França. Em 1893 foi firmada a aliança franco-russa, compromisso de ajuda militar em caso de guerra contra a Alemanha.   
Em 1905, a Rússia é surpreendentemente derrotada na guerra contra o Japão. Esse fracasso fez com que a Rússia abandonasse suas pretensões no Extremo Oriente e centrasse sua atenção nos Bálcãs, o que levou a um inevitável choque com o Império Austro-húngaro.
Pressionadas pela crescente agressividade e ambição territorial da Alemanha, a França e a Grã Bretanha puseram fim às suas diferenças coloniais e assinaram a Entente Cordiale em 1904.
Por fim, depois de resolver seus problemas na Ásia Central – Pérsia e Afeganistão – foi firmado em 1907 o acordo anglo-russo. Estavam fincadas as bases da chamada Tríplice Entente entre França, Grã Bretanha e Rússia.
Nos anos prévios à Primeira Guerra Mundial dois grandes blocos  - que acabaram se enfrentando - se haviam configurado: A Tríplice Entente e a Tríplice Aliança.

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(Cartaz russo de 1914 mostras as forças da Tríplice Entente: França, Rússia e Inglaterra, da esquerda para a direita)

A ascensão de potências extra-europeias, Estados Unidos e Japão, significou a passagem de um concerto europeu a um concerto mundial de potências. Duas guerras exemplificaram essa transformação: a guerra hispano-americana de 1898 e a guerra russo-japonesa em 1905.
A revolução tecnológica propiciada pela Segunda Revolução Industrial trouxe consigo uma mudança na correlação de forças entre as potências. A cada vez mais poderosa Alemanha desafiava a longa hegemonia britânica. Em 1896, é publicado em Londres o livro “Made in Germany” de Ernest Williams que alertava quanto ao crescimento da economia germânica em todos os campos.
A ‘Weltpolitik’ necessitava de uma armada poderosa. A crescente indústria naval alemã significava um claro desafio à hegemonia naval britânica. Londres respondeu em 1907 com a construção de um novo tipo de encouraçado, o Dreadnought. A resposta germânica não se fez esperar. As potências lançaram-se numa verdadeira corrida de armas navais.
O colonialismo exacerbou a disputa entre as potências industriais europeias em busca de territórios e mercados. O imperialismo levou a que os atritos entre as potências extrapolassem os marcos europeus e tivessem lugar em qualquer rincão do mundo.

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Cartoon de John MacCurtcheon, da Chicabo Tribune, intitulada "O Crime das Eras: quem fez?"
Estoura então a Grande Guerra travada entre as duas grandes alianças. A Itália, tendo firmado a Tríplice Aliança, passa para o lado da Tríplice Entente contra a Áustria-Hungria em maio de 1915 e contra a Alemanha em agosto de 1916. A justificativa era de que a Tríplice Aliança era um acordo de defesa e foi o Império Germânico o agressor.
Fonte: Opera Mundi

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