terça-feira, 5 de maio de 2015

1980 - Morre o presidente da Iugoslávia Josip Tito

Josip Broz Tito, líder comunista da Iugoslávia a partir de 1945, faleceu em 4 de maio de 1980 aos 88 anos em Belgrado. Durante seu governo, que durou 35 anos, Tito conduziu a Iugoslávia por um caminho que combinava lealdade dogmática ao marxismo com uma relação independente, e às vezes conflituosa, com a União Soviética.
Filho de camponeses, Tito nasceu na Croácia em 1892. Trabalhou como mecânico antes de ser conscrito no exército austro-húngaro em 1914. Na Primeira Guerra Mundial, foi capturado pelo exército russo. Filiou-se nessa época aos ideais do comunismo, participando da Revolução Russa em 1917.

Tito na capa da revista norte-americana 'Life', em 1948

O governo monárquico da Croácia proscreveu os comunistas e em 1928, Broz foi preso e condenado a cinco anos de cárcere. Após sua libertação, Tito foi viver na URSS e em 1934 passou a integrar o Comintern, quando recebeu o cognome de Tito. Com a eclosão da Guerra Civil espanhola, ele foi designado comandante do Batalhão Dimitrov, composto de voluntários gregos e balcânicos.

O governo iugoslavo chefiado pelo Príncipe-Regente Paulo aliou-se às ditaduras nazi-fascistas da Alemanha e Itália. Contudo, em 27 de março de 1941, um golpe militar estabeleceu um governo mais simpático aos aliados. Dez dias depois, a Luftwaffe bombardeou a Iugoslávia e destruiu Belgrado. O exército germânico invadiu o país e forçou o governo ao exílio.

No final de novembro de 1943, Tito formou um governo na Bósnia. Em fevereiro de 1944, Hitler enviou Otto Skorzeny para eliminá-lo, mas não teve êxito.

Ascenção

Sua ascensão política começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando liderou os partisans contra a ocupação nazista. Em 1944, pediu ajuda a Stalin para a retomada da cidade de Belgrado dos ocupantes nazistas. Stalin enviou unidades do Exército Vermelho para ajudar no ataque.

Em março de 1945, Tito torna-se premiê da Iugoslávia. Nos anos seguintes criou uma federação de repúblicas socialistas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro, Bósnia-Herzegovina e Macedônia.

Influenciado pelas ideias de seu vice-presidente, Milovan Djilas, Tito tentou criar uma forma peculiar de socialismo, que incluía distribuição de lucros aos operários das empresas controladas pelos conselhos de trabalhadores. Ao contrário de outras nações da Europa Oriental, a Iugoslávia não esteve sujeita a ocupação soviética.

Relações com a URSS

Após 1945, as relações entre Tito e a URSS deterioram-se rapidamente. O apoio de Tito aos comunistas gregos foi criticado por Stalin, que tinha acertado com Churchill na Conferência de Yalta o “Acordo das Porcentagens”, aceitando a hegemonia britânica na Grécia. Além disso, o curso independente de Tito na política externa irritou Stalin, que esperava dos regimes comunistas do leste europeu um alinhamento à política exterior de Moscou. Em 1948, Stalin expulsou a Iugoslávia do Cominform, uma agência destinada a coordenar a política dos países socialistas na esfera internacional.

Esta decisão rompeu na prática os laços entre o bloco soviético e a Iugoslávia e Tito pôs em prática a política de “neutralismo positivo”. Tito também reagiu, tratando de buscar assistência militar e econômica junto aos Estados Unidos. Surpreendida com o pedido, Washington postergou a ajuda. Entretanto, o presidente Truman e seus conselheiros viram em Tito uma oportunidade contra o bloco socialista, visto como monolítico, e encorajar outros regimes socialistas a se afastarem da dominação soviética.

Se imaginou que Tito pudesse se afastar de sua ideologia marxista, mas Washington esteve totalmente equivocado. Até sua morte em 1980, Tito manteve-se como um férreo comunista, apesar do rumo independente da União Soviética.
Fonte: Opera Mundi

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