quarta-feira, 3 de junho de 2015

1946 - Após regime fascista, italianos votam por nova assembleia constituinte


Na primeira vez que mulheres foram às urnas, cidadãos votaram a favor do sistema republicano - 54% dos votos -, preterindo a monarquia
Em 2 de junho de 1946, os italianos - e pela primeira vez as mulheres italianas - foram convocados a um referendo para definir as novas instituições do país após a aventura fascista. Na mesma oportunidade, foram chamados a eleger uma assembleia constituinte.

Tomando a dianteira, o rei Victorio Emmanuelle III, desacreditado por ter levado Mussolini ao poder, tentou salvar a coroa, abdicando em favor de seu filho Humberto II em 9 de maio de 1946. Porém este gesto não foi suficiente para reabilitar a monarquia. Os cidadãos votaram a favor do sistema republicano - 54% dos votos.  Assim, a República é oficialmente instaurada no seguinte 18 de junho.

A assembleia constituinte – com voto nas urnas - apresentou a hegemonia de três partidos políticos que iriam dominar o cenário político no meio século que se seguiu. Em primeiro lugar surgiu a Democracia-Cristã, dirigida por Alcide de Gasperi (com 35% dos votos), seguida do Partido Socialista de Pietro Nenni (20%) e o Partido Comunista de Palmiro Togliatti (19%).

Wikicommons

Imagem do parlamento italiano: referendo do dia 02 de junho de 1946 garantiu a criação da república da Itália

O presidente do conselho em exercício, de Gasperi nomeou-se "chefe de Estado", antes ainda que a corte de cassação tivesse conhecimento do resultado definitivo do referendo. O herdeiro do trono Humberto II deixa a Itália para se exilar em Portugal.
O cenário político que antecedeu o referendo não foi nem um pouco tranquilo. De início a própria escolha do referendo tinha a preferência dos monarquistas mas suscitava críticas da esquerda. Muitos dos ‘partiggiani’ do Norte pensavam que a monarquia tinha deixado de existir. A realização do referendo se daria num contexto incerto – prisioneiros de guerra que não haviam retornado, estatuto indeterminado de territórios em litígio, etc. Temia-se que de um e outro lado os resultados, que se mostrariam estreitos, seriam contestados o que poderia dar lugar a movimentos insurrecionais.

Os resultados definitivos, datados de 18 de junho, davam 12.717.923 votos a favor da República e 10.719.284 para a Monarquia. Houve 1.498.136 votos em branco ou nulos. O comparecimento foi o mais importante jamais visto: mais de 95% no Norte e entre 90 e 92% no Centro-Sul.

A geografia eleitoral demonstrou de maneira eloquante como a brecha política entre republicanos e monarquistas definiu a divisão geográfica entre um Centro-Norte majoritariamente republicano e um Centro-Sul predominantemente monárquico. Roma votou pela monarquia. Monarquistas, por meio de campanha mediática, alegaram fraude dizendo que a República repousava numa farsa eleitoral. Socialistas e comunistas tentaram, por outro lado, impor um fortalecimento dos poderes da Constituinte. Mas sob pressão de Washington e Londres, com tropas estacionadas no país, De Gasperi recusou.
Fonte: Opera Mundi

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