domingo, 5 de julho de 2015

1865 - É publicado 'Alice no País das Maravilhas', de Lewis Carroll


Obra é considerada exemplo da literatura nonsense; curso narrativo e estrutura tiveram enorme influência, principalmente no gênero fantasia
O reverendo escritor e matemático britânico, Lewis Carroll – cujo verdadeiro nome era Charles Lutwige Dodgson – publica em 4 de julho de 1865 As aventuras de Alice no País das Maravilhas. O conto foi inspirado no encontro entre o autor e Alice Liddell, uma menina de 10 anos, e suas irmãs Lorina e Edith Liddell, bem como um colega de Dodgson, Duckworth, por ocasião de um piquenique à beira do rio Isis na Inglaterra. Brincando com a lógica e mudando as normas do conto para crianças, a obra alcançaria um enorme sucesso em toda a Europa e depois em todo o planeta.

Wikipedia
Alice Liddell, inspiração de Carrol para livro
Alice Liddell, inspiração de Carrol para livro
A obra conta a história de uma garota chamada Alice que cai numa toca de coelho onde encontra um mundo de fantasia povoado por criaturas peculiares. Carroll se colocou sob o signo da magia, mas isto seria só na aparência. Nada de fadas e sim de personagens de um universo maravilhoso: rei, rainha, anão, feiticeira, mensageiro, animais dotados de comportamento e linguagem humanos.

O conto está repleto de alusões aos amigos – e inimigos - de Dodgson e de lições que os escolares britânicos deveriam memorizar. O autor joga com a lógica de tal modo que proporcionou à história uma duradoura popularidade com as crianças assim como com os adultos.

É considerada também como um dos mais característicos exemplos do gênero de literatura nonsense e seu curso narrativo e estrutura tiveram enorme influência, principalmente no gênero fantasia. Num agrado aos leitores, toma emprestado de canções de ninar de sua infância personagens encantadores: Humpty-Dumpty, os gêmeos Tweedledum e Tweedledee.
 
Se Carroll pode ser inscrito em alguma tradição, é para submetê-la a sua inspiração : jogos verbais, canções, adivinhações demarcam a narração. Em muitos sentidos a obra é surpreendentemente audaciosa. Os personagens não parecem aceitar as metamorfoses respondendo a uma lógica comum, como aquela da abóbora que se transforma em carruagem, buscando, ao contrário, dela escapar. A parodia é uma das chaves que abre ao leitor o universo de Alice. Os personagens fazem o contrário do que se espera deles.
Flickr/CC

Ilustração de John Teniel para uma das edições de Alice está hoje na Biblioteca Britânica
Autorretrato de Lewis Carroll| Wikicommons
Autorretrato de Lewis Carroll| Wikicommons

É a inversão, uma segunda chave do país das maravilhas. Uma terceira chave é o nonsense, um gênero que Lewis Carroll domina com maestria. O nonsense finge deixar o leitor esperando por uma explicação lógica para depois aleivosamente enganar seus hábitos de pensamento.
Ofereceria o trabalho a sua inspiradora, Alice Liddell, em 26 de novembro de 1864. Lewis Carroll escreveria uma segunda versão destinada à publicação em livrarias. Viajou a Londres em janeiro de 1864 para convencer John Tenniel de criar as ilustrações de Alice. Sua colaboração não ocorreria sem contratempos: nenhum detalhe escaparia à minuciosa crítica de Carroll.

No Natal de 1888, começaria uma terceira versão de Alice contada às crianças pequenas. Os primeiros exemplares seriam distribuídos no final de 1889.

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