quinta-feira, 23 de julho de 2015

Saes: um espaço de acolhimento e mediação de dificuldades

Setor busca construir uma rede de relacionamentos por meio de projetos que possibilitam ao acadêmico encontrar caminhos para superar as dificuldades emocionais e de aprendizagem

Foto: Gelsoli Casagrande
Equipe de trabalho desenvolve atividades com os acadêmicos que garantem inclusão e acessibilidade do aluno ao ensino de qualidade
A acessibilidade ao ensino de qualidade e a permanência do aluno são investimentos da Universidade de Passo Fundo (UPF). Para contribuir com o processo de inclusão, a Vice-Reitoria de Graduação tem como um de seus braços de apoio os serviços oferecidos pelo Setor de Atenção ao Estudante (Saes). As intervenções feitas em auxílio ao aluno que apresenta alguma dificuldade ou que necessita de ajuda ou apoio iniciaram ainda em 1993, com a criação do Setor Psicopedagógico – hoje Saes –, o qual, a partir de 2007, ampliou a oferta dos serviços oferecidos. Conforme a coordenadora do Saes, psicóloga e professora Dra. Silvana Baumkarten, todos os projetos desenvolvidos pelo setor objetivam garantir a inclusão e a acessibilidade do aluno ao ensino de qualidade e a sua permanência na Universidade.

Eixos de atuação
O Saes trabalha com três eixos: psicopedagógico, psicológico e de tecnologia assistiva. Em cada um deles, são desenvolvidos projetos específicos, com atendimento às dificuldades emocionais e de aprendizagem. “Realizamos oficinas em sala de aula que desenvolvem a aprendizagem; temos grupos de apoio a famílias de alunos que têm deficiência; oferecemos recepção e acolhimento ao aluno ingressante, e, no segundo semestre de 2015, iniciaremos oficinas temáticas, com abordagens diversas. A primeira oficina vai auxiliar alunos que têm dificuldade de apresentar trabalhos em público, e, posteriormente, o trabalho será de prevenção à drogadição”, comenta a coordenadora, explicando que as oficinas se dão a partir de demandas que são enviadas pelas coordenações e/ou pelos próprios alunos.


Por meio de seus projetos, o Saes acolhe o conflito como possibilidade potencialmente resolutiva e criativa da problemática apresentada, otimizando os espaços do aprender. Além disso, procura construir uma rede de relacionamentos que possibilitem ao acadêmico encontrar caminhos para superar as dificuldades. Outro suporte oferecido pelo Saes é a mobilidade pelo Campus.  Com esse serviço, os alunos cadeirantes são acompanhados por funcionários que auxiliam na sua locomoção, desde a chegada na Universidade, em seu meio de transporte, até a sala de aula.

O trabalho de inclusão auxilia também os acadêmicos cegos ou com baixa visão, favorecendo sua mobilidade. Esses alunos contam com a disponibilização de material em braile para as aulas e/ou com a impressão de provas em fontes ampliadas. Da mesma forma, os surdos contam com a presença de intérprete de Libras durante as aulas e outras atividades acadêmicas. A ideia é sempre desenvolver a autonomia nos alunos com deficiência, não só dentro do Campus, mas fora dele também, e, nesse contexto, o Saes também trabalha com os professores, ambientando-os quanto à acessibilidade e às deficiências dos acadêmicos, promovendo a inclusão destes. “Primamos pela inclusão do aluno, para que ele possa ter o direito de cursar o ensino superior com qualidade”, finaliza a psicóloga Silvana.

Entre os programas desenvolvidos pelo Saes, destacam-se:
Atendimento e acompanhamento psicopedagógico: 
oferece um serviço especializado, com o objetivo de potencializar o processo de aprendizagem, de construção e reconstrução do conhecimento.

Atendimento e acompanhamento psicológico: oportuniza o contato com um profissional psicólogo especializado, capaz de atender situações de conflitos que refletem no desempenho acadêmico ou em aspectos emocionais, relacionais e/ou socioculturais da vida do aluno.
Projeto roda de conversa vai à sala de aula: oportuniza ao aluno ingressante um espaço para refletir sobre seu ingresso na Universidade, em um momento de conversa/escuta sobre suas expectativas, dificuldades e dúvidas e sobre os sentimentos de ser universitário.
Programa de aulas de apoio: desenvolve atividades de aulas de apoio para alunos com dificuldades de aprendizagem, oferecendo um espaço de ensino e promoção de conhecimento.
Projeto orientação profissional/educacional na trajetória acadêmica: orienta acadêmicos na sua trajetória acadêmica, analisando situações de ingresso, reingresso, transferência e/ou reopção de curso. O foco do trabalho está no autoconhecimento e no conhecimento das profissões, visando à permanência e ao fortalecimento dos círculos de relações com a Universidade.
Projeto aluno apoiador: auxilia o aluno em suas dúvidas, na execução de exercícios, propõe grupos de estudo, estimulando a ajuda entre os colegas. Conta com a participação direta de acadêmicos que auxiliam estudantes com dificuldades de aprendizagem, através de atividades de apoio para pequenos grupos.
Projeto oficina aprender a aprender: possibilita ao acadêmico vivenciar suas ações no ambiente acadêmico, abrindo um espaço para representação de situações que está vivenciando dentro dos processos de ensino e aprendizagem. 
No eixo da tecnologia assistiva, há, atualmente, três projetos em desenvolvimento: o serviço de tradução e interpretação, o auxílio a acadêmico com deficiência e a orientação a professores com alunos surdos.

A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural, plenamente desenvolvida, que assegura uma comunicação completa e integral. Por meio do serviço de tradução e interpretação, o Saes viabiliza a tradução/interpretação em Libras/português, com profissionais especializados na área, os quais atuam em sala de aula junto com acadêmicos surdos, professores e colegas ouvintes, em todas as atividades acadêmicas. A orientação dada aos professores que trabalham com alunos surdos ocorre sob forma de oficina, criada especialmente para atender às necessidades dos docentes e coordenadores de curso.

Os números surpreendentes e o alcance deste trabalho
Os números de atendimentos realizados pelo Saes são surpreendentes: somente em 2014, 133 alunos, de 34 cursos da Instituição, estiveram em atendimentos psicológicos, totalizando 1.055 seções. Além desses, buscaram atendimento psicopedagógico 159 alunos, de 35 cursos da UPF, resultando em 391 seções de atendimento.   Nas aulas de apoio, foi registrada a participação de 1.463 alunos, de 32 cursos, envolvendo 61 disciplinas. O programa Roda de Conversa levou 1.814 alunos a participar de 58 encontros promovidos em parceria com a coordenação da área de Ética e Conhecimento e com os professores das disciplinas de Iniciação ao Conhecimento Acadêmico. 


Além disso, foram atendidos 60 alunos na orientação profissional e 29 famílias de acadêmicos foram acompanhadas, somando 41 atendimentos a familiares. Também, foram desenvolvidas 264 atividades envolvendo tecnologia assistiva, intérpretes e participação nas aulas e disciplinas.

No que se refere à sua função de inclusão e de fortalecimento à permanência dos alunos na Instituição, o trabalho desenvolvido no Setor de Atenção ao Estudante tem caráter extremamente relevante e favorece a qualidade educativa e o espaço do aprender e ensinar como algo lúdico e estimulante. Todo esse trabalho é extensivo aos seis campi da UPF e a Vice-Reitoria de Graduação tem atestado o alcance dos trabalhos e os desafios propostos nesse tipo de serviço. “Há necessidade de debruçarmo-nos sobre a construção de todas as alternativas possíveis que favoreçam a qualidade educativa na UPF”, salienta a vice-reitora de Graduação, professora Dra. Rosani Sgari.

O Saes está localizado junto à Biblioteca Central – Campus I, Passo Fundo. Informações sobre os programas e os atendimentos podem ser obtidas pelo telefone (54) 3316-8256 ou pelo e-mail saes@upf.br.

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