sábado, 12 de setembro de 2015

1876 - Rei belga organiza evento sobre colonização africana


Leopoldo II concentra esforços pessoais para compensar falta de tradição de seu país e "ganha" Congo
Em 12 de setembro de 1876, no palácio real de Bruxelas, o rei Leopoldo II abre uma conferência de geografia dedicada à África, reunindo 30 sábios de toda a Europa.

Trata-se oficialmente de retomar a exploração do continente negro, tendo em vista “abrir para a civilização a única parte de nosso globo onde ela ainda não penetrou” e lutar contra o tráfico dos negros pelos muçulmanos.

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Era a época em que os governantes europeus buscavam fincar suas bandeiras sobre as últimas terras insubmissas do planeta.

O rei belga Leopoldo II sonhava conquistar uma colônia para a Bélgica. Tendo viajado bastante antes de suceder a seu pai em 17 de dezembro de 1865, cultivava um vivo interesse pelo além-mar.

Destarte, em 19 de setembro de 1876, sua conferência conclui com a criação de uma “Associação Internacional para a Exploração e a Civilização da África Central”, comumente chamada de Associação Internacional Africana. É posta sob a presidência do rei e adota bandeira azul e com estrela dourada, parecida com a bandeira atual da União Europeia.

Em 23 de novembro de 1876, Leopoldo II cria em nome da associação um Comitê de Estudos do Alto Congo, que prontamente firma um contrato de cinco anos com o célebre jornalista anglo-americano Morton Stanley com vistas a explorar a bacia do Congo, o principal rio da África Central.

A região vinha tendo contato com os europeus desde o século XV. Um rei do Congo convertera-se voluntariamente ao catolicismo sob influência dos navegadores portugueses. Porém, os mercadores ocidentais de escravos não tardaram em combater e destruir este embrião de Estado africano e a região voltou ao isolamento até que por lá surge Stanley.

Acompanhado de uma esquadra de mercenários europeus e de alguns africanos, o aventureiro sobe o curso do rio Congo e termina estabelecendo acordos com os chefes tribais, em nome de seu real comanditário.

Os belgas não possuíam qualquer gosto pelas aventuras coloniais. Foi em seu nome pessoal e com sua fortuna que o rei comanda a conquista do Congo, sem jamais colocar lá seus pés.
Projeta construir uma estrada de ferro entre o estuário do Congo e o Stanley Pool, um pequeno lago natural rio acima, visto que havia cataratas que impediam o transporte fluvial. Em 1882 é fundada Leopoldville (hoje Kinshasa).

Londres tenta frear as ambições do rei belga e encoraja Portugal a se apropriar da parte sul do estuário. De seu lado, a França, presente ao norte do estuário, promete a Leopoldo II não intervir. O chanceler alemão Bismarck se intromete habilmente e convoca uma conferência internacional em Berlim, em 1885.

Esta conferência levaria a um compromisso pelo qual Leopoldo II reconhece a título pessoal a posse da margem esquerda do Congo, curiosamente batizado de “Estado Independente do Congo”. Em abril de 1885, o parlamento em Bruxelas autoriza “Sua Majestade a ser o chefe de Estado fundado na África pela Associação Internacional”.

O rei tudo faria doravante para rentabilizar sua conquista e permitir que ela se autofinancie. No interior do país, seus agentes iniciam a exploração dos recursos naturais por meio de métodos usualmente brutais. Submetem os nativos a trabalhos pesados, em especial na exploração da borracha ou na matança de elefantes para aproveitar o marfim. Os refratários são numerosos e os colonizadores respondem às desobediências com uma repressão impiedosa.

Em 1904, um colaborador da empresa real, Edmund Morel, indignado, pede demissão e funda a “Congo Reform Association”. Esta organização pretendia, antes de mais nada, alertar a opinião pública europeia para o que estava acontecendo no Congo.

Uma comissão de investigadores internacional se debruça sobre as acusações feitas aos agentes do rei belga, geralmente pelos britânicos, ávidos em atribuir a outrem seu próprio comportamento colonial. A comissão redime as companhias da acusação de cortar as mãos dos refratários, contudo reconhece as incontáveis violações na exploração do território: trabalho forçado, escravidão, entre outras brutalidades.

Alguns anos antes de sua morte, em 17 de dezembro de 1909, o rei lega o Congo à Bélgica. O governo só aceita o ‘presente’ após muita hesitação. Somente em 15 de novembro de 1908 é que o território se torna oficialmente colônia belga.

A Bélgica prossegue na exploração do Congo com um pouco mais de competência que anteriormente, sem, todavia, se preocupar em formar e educar os habitantes.

O Congo torna-se independente, de forma um tanto caótica, em 30 de junho de 1960.
Fonte: Opera Mundi

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