terça-feira, 22 de setembro de 2015

Memórias do AHR discute a cartografia das Cruzadas



No mapa das Cruzadas

Sábado, 19/09/2015 às 08:14, por Arquivo Histórico Regional


Murilo Fernandes - Acadêmico do Curso de História/UPF

Cenário: Europa, Oriente Médio, e norte da África, século XI. Um dos grandes acontecimentos da Idade Média se inicia: as Cruzadas. De onde surgiu inspiração para escrever um artigo sobre esse tema? De um velho - digo, antigo – mapa. Seria um mapa comum, não fossem alguns detalhes: não é atual, pois retrata o século XI, portanto não havia países mas sim reinos – com destaque para a divisão entre reinos cristãos e muçulmanos. Como pode se observar nesse mapa que está exposto no Arquivo Histórico Regional de Passo Fundo, são mostrados todos os trajetos e batalhas feitos durante as principais Cruzadas – movimentos militares de inspiração cristã. Para compreender melhor o que levou milhares de “fiéis” por esses caminhos, o que fizeram durante as jornadas, e o porquê dos empreendimentos, é recomendável ler o velho livro - desculpe, antigo - História Universal de H.G. Wells do ano de 1942, que quase passa despercebido nas prateleiras do AHR. Livros e mapas, mapas e livros. Uma excelente combinação para compreender e se localizar na História. Pois bem, vamos às Cruzadas.

Segundo Wells, vários motivos resultaram nas Cruzadas. Igreja Latina querendo subjugar a Bizantina (ortodoxa); normandos querendo saquear o rico mundo do Islã; propaganda de ódio aos “infiéis”; monopólio de Constantinopla no comércio oriental; e o estopim: fome, peste, e desordem social no centro e leste europeu nos anos de 1094 e 1095. A 1º Cruzada não foi oficial, foi a chamada “Cruzada do Povo”, em que mendigos, ladrões, monges, e comerciantes estavam atrás de oportunidades de riqueza no Oriente. Seguiram a margem do rio Danúbio e na região da Bulgária, rumaram para o sul até chegarem em Constantinopla. Porém, antes de chegarem lá, tiveram problemas com os húngaros. Isso ocorreu em muito porque não era um exército cristão, e sim uma grande multidão sem líderes e que eram guiadas por um ideal.

A 1º Cruzada oficial, por sua vez, chamada de Cruzada dos Nobres, foi convocada em 1096 para “proteger fiéis que peregrinavam à Terra Santa”. Nobres da Normandia, Inglaterra, e Itália, partiram para o Oriente. No ano de 1099 se encera a 1º Cruzada com uma carnificina cometida pelos cristãos na conquista de Jerusalém. Como escreveu Wells: “O sangue dos vencidos correu pelas ruas a ponto dos cavalos resvalarem em sua marcha... Ao cair da noite, os cruzados foram ao Santo Sepulcro, e juntaram suas mãos manchadas de sangue em oração”. Resultado: surgem diversas colônias cristãs no Oriente Médio, e o clero latino subjuga o ortodoxo.

Em 1147 Saladino, sultão do Egito, inicia a Jihad contra os Cruzados, e então é convocada a 2° Cruzada para defender Jerusalém dos muçulmanos. Em 1187, o mesmo Saladino toma Jerusalém dos cristãos, e então é convocada a 3º Cruzada – A Cruzada dos Reis – pois contou com Filipe da França, Frederico da Germânia e Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra. Não retomaram a cidade, mas se firmaram em importantes cidades nos arredores.

A 4º Cruzada, nem chegou a Jerusalém, pois seu interesse comercial “foi saciado” quando conquistaram Constantinopla em 1204. Antes, em 1202, ocorre um fato que poucos livros registram: a “Cruzada das Crianças”. Segundo a Igreja, os cruzados eram impuros e pecaminosos, por isso tantas derrotas. Partiram da França, porém ao chegarem na Península Itálica, foram vendidas como escravas no norte da África.

A 5º Cruzada em 1217, foi uma tentativa de conquistar o Egito, porém depois de inúmeras batalhas perdidas tiveram de se retirar da região em 1212, levando inúmeros “tesouros de consolação”. Em 1228 tem início a 6° Cruzada, que mais uma vez, tem o intuito de tomar Jerusalém. Devido a discórdia entre muçulmanos, os cristãos retomam a cidade, sendo que conseguem assegurá-la até 1244 quando os muçulmanos, agora unidos, a reconquistam.

A 7º Cruzada vai ao Egito, em 1248. É liderada pelo excomungado rei da França, Luís IX, que conquista diversos territórios na região. Entretanto, devido a duras batalhas, seu exército se rende e o próprio rei é capturado e feito prisioneiro pelos egípcios. Os cristãos tiveram de arcar com um pesado tributo para libertá-lo, em 1254.

A 8º Cruzada tem o mesmo intuito, o de conquistar o Egito e todo o norte africano. Luís IX parte em 1270. Não tendo sucesso, firmou um tratado de trégua com o sultão egípcio, e voltou à Europa em 1271. E assim se encerraram as Cruzadas.. Ficou de legado, a “anarquia religiosa” e a luta entre as próprias ordens cristãs, que desde o início as enfraquecia gradualmente. Os cavaleiros cruzados foram de grande influência para as cavalarias que surgiram posteriormente na Idade Média. Além disso, a Europa passou a conhecer e utilizar novos produtos, como a seda, algodão, açúcar, e diversos outros que contribuíram para o Renascimento Comercial. No entanto, isso é outra história. E lembre-se: sempre que tiver oportunidade, tenha em mãos um mapa para estudar História, pois além de compreender o “por quê”, irá compreender o “onde”.

Fonte: o Nacional

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