terça-feira, 29 de setembro de 2015

Roger Chartier versa sobre história cultural, representação e tradução na Jornada em Ação

Historiador e pensador francês esteve no encontro com mestrandos e doutorandos da UPF no 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural

Foto: Gelsoli Casagrande
“A tradução liga uma cultura a outra cultura, uma parte do mundo com outra parte do mundo”, diz Roger Chartier
Por mais que seja citação comum em falas e canções, a saudade não é reconhecida em outras línguas, isso porque é uma das palavras da língua portuguesa que é intraduzível. Palavras traduzíveis e intraduzíveis e os desafios da tradução mundial é um dos temas que permeiam a abordagem do historiador e pensador francês Roger Chartier no Seminário Especial para mestrandos e doutorandos de Letras, Educação e História da Universidade de Passo Fundo (UPF). O evento, que teve início na tarde desta segunda-feira, dia 28 de setembro, é parte da programação da Jornada em Ação: 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural.

O encontro contou com a presença de Anne-Marie Chartier, que participa da atividade à noite, a partir das 19h. Nesta terça-feira, dia 29 de setembro, o debate segue com os mesmos palestrantes, pela manhã e à tarde. Presente na abertura, a coordenadora do Seminário, professora Tania Rösing, evidenciou a importância da oportunidade dada a mestrandos e doutorandos de buscar conhecimento junto a dois dos maiores pensadores do século XXI.

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Adriana Dickel, enfatizou a alegria em poder compartilhar com os palestrantes o conhecimento acumulado ao longo da sua trajetória e lembrou que leituras compartilhadas prepararam os alunos para o encontro com os pesquisadores. Também presente na oportunidade, a coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Letras, Fabiane Verardi Burlamaque, evidenciou que é a primeira vez que ocorre um seminário especial de forma conjunta, o que mostra que é possível desenvolver a interdisciplinaridade.

História, representação e tradução
Em sua abordagem, Roger Chartier apresentou a história cultural, mostrando como ela foi apropriada no Brasil e apresentou o conceito central de representação, evidenciando especialmente as pesquisas recentes feitas sobre tradução no século XVI e XVII. Para ele, a tradução é um tema importante, principalmente com a globalização. “Muitas vezes a tradução é o reforço das identidades linguísticas e, ao mesmo tempo, dentro história, é uma maneira de conectar. A tradução liga uma cultura a outra cultura, uma parte do mundo com outra parte do mundo, uma língua com outra língua”, define o pensador.


De acordo com Chartier, o livro pode ser conhecido como global. “Se pensa em livro, mas não é somente o que tem no mercado, é também o conteúdo intelectual, estético, político e cultural”, define. Para ele, a redução na compra de livros deixou reticências na tradução. “Isso me parece um perigo, porque a globalização perde uma de suas possibilidade que é de dar a quem não conhece outras línguas, a língua do livro, a obra intelectual e estética”, comenta Chartier, enfatizando que globalização é uma palavra que, algumas vezes, pode equivocar seu sentido, especialmente quando se acha que tudo está compartilhado. “Não é o caso. Música talvez, mas quando se fala de coisas escritas, cada um pode escrever em uma língua e ninguém conhece todas as línguas. Essa é a importância central da tradução”, constata.

Chartier também aponta que há uma dificuldade grande de multiplicar as traduções e exemplifica que a Itália, que concentrava grande índice de traduções, reduziu drasticamente o número de transcritos. “É um dos temas problemáticos da suposta globalização”, esclarece. A problemática da tradução se expressa em palavras e neologismos que são intraduzíveis e alcançam outras significâncias em línguas diferentes. Para ele, o sentido é transformado quando há aplicação a um meio particular a algumas palavras particularmente consideradas como intraduzíveis.


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