sexta-feira, 2 de outubro de 2015

1918 - Comandadas por "Lawrence da Arábia", tropas árabes tomam Damasco dos turcos


Militar britânico se apaixonou pelo mundo árabe e lutou, sem sucesso, pela unificação de um povo durante a Primeira Guerra Mundial

Forças armadas combinadas britânicas e árabes tomam Damasco dos turcos em 1º de outubro de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, completando a libertação da Arábia. Um destacado e fundamental comandante da campanha aliada foi Thomas Edward Lawrence, um lendário soldado britânico conhecido como Lawrence da Arábia.
Lawrence, nascido em Tremadoc, País de Gales, e um arabista formado na Universidade de Oxford, começou trabalhando para o exército britânico como oficial de inteligência no Egito em 1914.

Passou mais de um ano no Cairo, processando informações de inteligência. Em 1916, acompanhou um diplomata britânico em sua viagem à Arábia, onde Hussein ibn Ali, o emir de Meca, havia provocado uma revolta contra o governo turco. Lawrence convenceu seus superiores a ajudar a rebelião de Hussein. Foi então enviado a juntar-se ao exército árabe comandado por Faiçal, filho de Hussein, como oficial de ligação.
Sob o comando de Lawrence, os árabes lançaram uma guerrilha eficaz contra as linhas turcas. Ele provou ser um talentoso estrategista militar, bastante admirado pelo povo beduíno da Arábia.

Em julho de 1917, as tropas árabes tomaram Aqaba, perto do Sinai, e se juntaram às colunas britânicas em marcha sobre Jerusalém. Lawrence foi promovido para o posto de tenente-coronel.
Wikicommons - Tropas árabes unificadas na batalha de Aqaba
Em novembro, Lawrence foi capturado pelos turcos enquanto realizava trabalhos de reconhecimento atrás das linhas do inimigo, trajando vestes árabes. Foi torturado e abusado sexualmente antes de conseguir escapar. Conseguiu juntar-se novamente ao seu exército, que aos poucos abriu caminho em direção ao norte de Damasco. A capital síria caiu em 1º de outubro de 1918.
A Arábia foi libertada do domínio do Império Otomano. Porém a esperança de Lawrence de que a península pudesse se unificar como uma só nação com o beneplácito de Londres  foi defraudada quando facções árabes passaram a prevalecer na disputa pelo controle de Damasco.

Exausto e desiludido, Lawrence retornou à Inglaterra. Sentindo que o Reino Unido havia exacerbado as rivalidades entre os grupos árabes, compareceu diante do rei George V e polidamente recusou as medalhas que lhe foram agraciadas.

Depois da guerra, defendeu incansavelmente a independência dos países árabes, assistindo inclusive à Conferência de Paz de Paris, trajando vestimenta árabe. Mais tarde escreveu uma colossal memória de Guerra, Os Sete Pilares da Sabedoria, alistou-se na RAF (Royal Air Force) sob pseudônimo a fim de evadir-se da fama, e levantou material para um novo livro.

Passado para a reserva da RAF em 1935, sofreu fratura de crânio em acidente com motocicleta alguns meses depois. Permaneceu em coma durante seis dias, morrendo em 19 de maio, aos 46 anos, sem nunca ter recuperado a consciência. Foi enterrado em 21 de maio na Igreja de São Nicolau, em Moreton.

Wikicommons

De sua vida foi rodado o filme Lawrence da Arábia (1962), dirigido por David Lean, que explora a excentricidade e a personalidade de Lawrence. O longa mostra quatro episódios principais da sua estada na Arábia: a conquista de Aqaba; o rapto e tortura pelos turcos em Deraa; o massacre de Tafas; e o fim do sonho árabe de Damasco. O papel principal coube a Peter O’Toole (foto), com Omar Sharif no papel de Sherif Ali ibn el Kharish e Alec Guinness como o príncipe Faiçal.

Fonte: Opera Mundi

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