domingo, 20 de dezembro de 2015

1843 - É publicado 'Um Conto de Natal', de Charles Dickens


Lançado durante a Revolução Industrial, história serviu para criticar mercantilização da sociedade

"Um Conto de Natal" (ou "A Christmas Carol", na versão original em inglês), de Charles Dickens, é publicado em primeira edição no dia 19 de dezembro de 1843. Transforma-se imediatamente em grande sucesso, vende mais de 6 mil exemplares na primeira semana. Com ilustrações de John Leech, o livro foi escrito em menos de um mês para pagar dívidas, mas se tornou um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos. Dickens descreveu-o como seu "livrinho de Natal".

O personagem central, Ebenezer Scrooge, é um homem avarento que abomina o período natalino. Trabalha num escritório em Londres com Bob Cratchit, o seu pobre, mas feliz empregado, pai de quatro filhos, com um carinho especial pelo frágil pequeno Tim, que tem problemas nas pernas.

Numa véspera de Natal, Scrooge recebe a visita do seu ex-sócio Jacob Marley, morto havia sete anos naquele mesmo dia.

Marley diz que o seu espírito não pode descansar em paz, já que não foi bom nem generoso em vida, mas que Scrooge tem uma chance, e que três espíritos o visitarão.

O primeiro espírito chega, um ser com uma luz que emana da sua cabeça e um apagador de velas embaixo do braço à guisa de chapéu. Este é o Espírito dos Natais Passados, que leva Scrooge de volta no tempo e mostra a sua adolescência e o início da sua vida adulta, quando Scrooge ainda amava o Natal. Triste com as lembranças, Scrooge enfia o chapéu na cabeça do espírito, ocultando a luz. O espírito desaparece deixando Scrooge de volta ao seu quarto.

O segundo espírito, o do Natal do Presente, é um gigante risonho com uma coroa de azevinho e uma tocha na mão. Mostra a Scrooge as celebrações do presente, incluindo a humilde comemoração natalícia dos Cratchit, em que, apesar de pobre, a família do seu empregado é muito feliz e unida. A tocha na mão do espírito confere um sabor especial à ceia daqueles que fossem "contemplados" com a sua luz. No fim da viagem, o espírito revela sob o seu manto duas crianças de caras terríveis, a Ignorância e a Miséria, e pede que os homens tenham cuidado com elas.

O terceiro espírito, o dos Natais Futuros, apresenta-se como uma figura alta envolta num traje negro que oculta seu rosto, deixando apenas uma mão aparente. O espírito não diz nada, mas aponta, e mostra a Scrooge a sua morte solitária, sem amigos.

Após a visita dos três espíritos, Scrooge amanhece como outro homem. Passa a amar o espírito de Natal e a ser generoso com os que precisavam, ajudar seu empregado Bob Cratchit, tornando-se um segundo pai para pequeno Tim.

Aclamada pela crítica da época, a história foi lançada no auge da revolução industrial inglesa. Por conta disso, o conto de Dickens foi encarado como uma análise do mundo cada vez mais industrializado e que estava se esquecendo do espírito natalino. A influência da obra é tão grande que foi adaptada para pelo menos quatro peças teatrais. Hoje, 169 anos após seu lançamento, continua sendo presença certa nas comemorações do Natal.
 
Fonte: Opera Mundi

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