segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

1911 - Mongólia declara independência e inicia regime teocrático


País ficou sob influência soviética até fim da Guerra Fria, quando se tornou república parlamentarista

Em 29 de dezembro de 1911, os Khalkhas da Mongólia Exterior declararam sua independência da Dinastia Qing chinesa, e instalaram um líder teocrático, o 8º Jebtsundamba, como o Bogd Khan ou "Santo Imperador" (foto à esquerda).  O fato marcou o início do período do Canato de Bogd, mais conhecido como a “Mongólia Teocrática”.

Três correntes históricas trabalharam durante este período. A primeira foi a dos mongóis que se esforçaram para formar um estado independente e teocrático que abraçaria a Mongólia Interior, Barga, também conhecida como Hulunbuir e Tannu Uriankhai ("pan-Mongólia").  A segunda foi a determinação da Rússia czarista de atingir um duplo objetivo em estabelecer a sua própria esfera de influência no país, mas, ao mesmo tempo garantir a autonomia da Mongólia, não uma independência, dentro do Estado chinês. O terceiro foi o último sucesso dos chineses com a eliminação da autonomia e restauração da soberania chinesa no país.

Mongólia é um país sem costa marítima localizado na Ásia Oriental e Central. Faz fronteira com a Rússia no norte e com a República Popular da China no sul, leste e oeste. Seu ponto mais ocidental é a apenas 38 quilômetros da ponta leste do Cazaquistão. Ulan Bator, a capital, é o lar de cerca de 38% da população. O sistema político vigente é de uma República Parlamentarista, desde1990, pluripartidário, com eleições diretas.

A área do que é hoje a Mongólia foi governada por diversos impérios nômades, incluindo Xiongnu, Xianbei, Rouran, Gotturks e outros.

A região correspondente à Mongólia atual foi ocupada por diversas tribos nômades, segundo relatos chineses que remontam há séculos antes de Cristo. Os hunos aparentemente migraram para o oeste a partir das estepes da Mongólia. Por volta do século XVII, os turcos surgem nos relatos chineses como nômades vindos do norte. Nos séculos seguintes, os turcos migrariam para o sudoeste, ocupando outras áreas da Ásia, mas algumas tribos permaneceram no leste da Mongólia até o século XIII.

Entre os séculos IX e XII, um líder tribal chamado Kabul Kahn reuniu as tribos mongóis contra a China controlada pela Dinastia Jin, mas foi derrotado, e a unidade mongol foi desfeita. No final do século XII, um jovem chamado Temujin unifica algumas tribos mongóis e turcas, e venceria outras batalhas, sendo por seus feitos militares aclamado por todos os mongóis como Gengis Kahn.
 
O Império Mongol foi fundado por Gengis Khan em 1206. Após o colapso da Dinastia Yuan, os mongóis voltaram para os seus padrões anteriores. Nos séculos XVI e XVII, a Mongólia ficou sob a influência do Budismo tibetano. No final do século XVII, a maior parte da Mongólia havia sido incorporada a área governada pela Dinastia Qing.

Wikimedia Commons

Carta de independência da Mongólia para embaixadores estrangeiros

Durante o colapso da dinastia Qing, em 1911, a Mongólia declarou sua independência, mas teve de lutar até 1921 para estabelecer firmemente sua independência de fato e até 1945 a fim de ganhar reconhecimento internacional. Como consequência, ficou sob forte influência russa e soviética. Em 1924, a República Popular da Mongólia foi declarada e a política mongol começou a seguir os mesmos padrões de política soviética da época. Após o colapso dos regimes comunistas na Europa Oriental, no final de 1989, a Mongólia viveu a sua própria revolução no início de 1990, que levou a um sistema multipartidário, uma nova constituição em 1992, e a transição para uma economia de mercado.

Com 1.564.116 quilômetros quadrados, a Mongólia é o 19º maior país do mundo e o menos povoado país independente do planeta, com uma população de cerca de 2,9 milhões de habitantes. É também o segundo maior país do mundo sem costa marítima, depois do Cazaquistão. O país contém pouquíssima terra arável, sendo a maior parte de sua área coberta por estepes, com montanhas ao norte e ao oeste e com o Deserto de Gobi, ao sul. Aproximadamente 30% da população são nômades ou semi-nômades. A religião predominante é o Budismo tibetano e a maioria dos cidadãos seja da etnia mongol, embora cazaques, tuvanos e outras minorias vivam no país, especialmente no oeste. Cerca de 20% da população vivem com menos de 1,25 dólar por dia.

No início do século XX, a recém formada União Soviética instalou na jovem república mongol um líder com orientação bolchevique, que lideraria um processo que levaria à instauração de um regime comunista em 1925. A República Popular da Mongólia só foi reconhecida pela China em 1946. As dissenções entre Rússia e China fizeram com que as relações entre China e Mongólia fossem praticamente encerradas até a dissolução do Partido Comunista mongol e a queda do regime em 1990.
Fonte: Opera Mundi

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