quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

1990 - Em referendo, 88% dos eslovenos dizem sim à independência


Logo após, Exército Popular da Iugoslávia anunciou que iria pôr em prática uma doutrina centralizada de defesa, distinta da de Tito
Em 23 de dezembro de 1990, a Eslovênia realizou um referendo em que 88% dos eleitores disseram sim à independência. O governo esloveno sabia que as autoridades de Belgrado poderiam optar pela utilização da força para pôr fim às aspirações de independência. Com efeito, imediatamente após o pleito, o Exército Popular da Iugoslávia anunciou que iria pôr em prática uma nova doutrina de defesa distinta da de Tito, que estipulava que cada república teria sua própria força de defesa. Doravante, haveria um sistema centralizado de defesa, de modo que as repúblicas perderiam sua capacidade de autodefesa.
O governo esloveno se opôs a tais pretensões. Por mandato constitucional de 28 de setembro de 1990, foi estabelecido um comando militar próprio, criando-se secretamente uma estrutura alternativa de comando. Quando Belgrado tentou assumir o controle, a estrutura do comando foi simplesmente substituída pelo plano B. Estima-se que, entre maio e outubro de 1990 cerca de 21 mil policiais e militares eslovenos foram mobilizados  fora do controle das autoridades federais.

Wikimedia Commons

Vista de Liubliana, capital da Eslovênia
Os eslovenos estavam cientes de que eles não podiam sustentar um prolongado confronto com o exército central, de modo que adotaram uma estratégia de guerra assimétrica. As unidades de Defesa Territorial conduziram uma campanha de guerrilha, utilizando sistemas antitanque e mísseis terra-ar para criar emboscadas, valendo-se do conhecimento do terreno e do apoio maciço da população. As colunas de tanques iugoslavos eram bloqueadas nos vales eslovenos, terreno favorável para emboscadas. O governo esloveno dotou secretamente as suas forças armadas de avançados sistemas de mísseis de fabricação norte-americana.
Na frente diplomática, aparentemente nem a Comunidade Europeia, nem os Estados Unidos manifestavam disposição de reconhecer a independência da Eslovênia, pendendo para a continuação de uma Iugoslávia unificada. O governo esloveno saiu em busca de assistência internacional, mas foi desaconselhado pelos países ocidentais que preferiam uma única federação do que numerosos pequenos Estados. Os eslovenos alegaram que não tinham escolha senão a independência, dada a percepção de falta de compromisso com os valores democráticos por parte das autoridades de Belgrado.
A Eslovênia se declarou independente em 25 de junho de 1991, embora tivesse anunciado que iria fazê-lo no dia 26. Este adiantamento foi uma ação surpresa para ter-se uma vantagem estratégica para a expectativa do confronto com Belgrado, que teria início logo após a declaração de independência.
Fonte: Opera Mundi

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