quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Governo francês torna públicos milhares de documentos da época da Segunda Guerra


Entre os arquivos estão fichas de comunistas, judeus e membros da resistência armada; abertura foi impulsionada por pressão de pesquisadores do período
Entrou em vigor nesta segunda-feira (28/12) a determinação do governo francês de liberar o acesso ao público de centenas de milhares de documentos relativos à época da ocupação nazista na França e do governo pós-guerra. A medida prevê “a livre consulta de arquivos relativos à Segunda Guerra Mundial provenientes principalmente dos ministérios das Relações Exteriores, da Justiça e do Interior”, segundo o texto do Journal officiel, equivalente ao Diário Oficial.
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Historiadores, familiares e cidadãos comuns poderão consultar arquivos legais e policiais da França, do período de 1940 a 1946
Entre os documentos estão processos de jurisdição de exceção do período Vichy (período do domínio nazista, entre 1940 e 1944) e do governo provisório (entre 1944 e 1946), papéis sobre os julgamentos de criminosos de guerra, arquivos sobre membros da resistência armada, comunistas ou judeus perseguidos sob a dominação nazista. Parte dos arquivos já era conhecida dos historiadores, mas o acesso era limitado.
Em maio deste ano, um grupo de mais de 100 pesquisadores universitários enviou uma carta ao presidente francês, François Hollande, reclamando da burocracia para conseguir acesso aos arquivos e pedindo a simplificação do acesso. Hollande se encontrou com membros do grupo e dois dias depois se comprometeu a permitir o acesso aos arquivos.
De acordo com Pascale Etiennette, chefe dos arquivos da polícia de Paris, qualquer pessoa poderá solicitar um arquivo e obtê-lo “dentro de um ou 15 minutos, apenas o tempo necessário para buscá-lo nas prateleiras”. Os arquivos se encontram dispersos em várias cidades da França.
“Não se deve acreditar que isso [medida do governo] irá dar acesso a milhões de arquivos secretos. Muitos documentos envolvidos já foram consultados por pesquisadores, mas isso vai facilitar o trabalho ao permitir superar a lentidão e os bloqueios do sistema”, disse ao jornal francês Le Monde o historiador Henry Rousso, diretor do Instituto de História do Tempo Presente e autor de trabalhos sobre o período da Segunda Guerra.
“Por conta da dificuldade de acesso a certas fontes, nós pensávamos duas vezes antes de apresentar certos assuntos aos estudantes. De agora em diante, haverá menos hesitação”, afirmou Gilles Morin, pesquisador e historiador do Centro de História Social do Século XX da Universidade Paris-I, ao Le Monde. Segundo ele, muitos franceses que pesquisavam o passado de pais e avós nesse período encontravam dificuldades burocráticas. Morin pontua que “não haverá uma revolução sobre o que já sabemos sobre a Segunda Guerra, mas finalmente teremos a possibilidade de entender diversos aspectos, como as relações entre a França e a Alemanha”.
Fonte: DW

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