domingo, 17 de janeiro de 2016

1547 - Ivan, o Terrível, é coroado o primeiro czar da Rússia


Primeiros anos do reinado são dedicados à modernização da Rússia: ele decreta um código civil, reorganiza o clero, entre outros
Ivan Vassiliévit é sagrado Ivan IV em 16 de janeiro de 1547 na Catedral da Assunção em Moscou. Mas a história o fez conhecido como Ivan, o Terrível. Foi o primeiro czar a reinar. Mais que um título, ele se acreditava detentor de uma missão divina.

Filho de Vassili III e de Helena Glinska, nasceu em 25 de agosto de 1530. Muito jovem para reinar, com a morte do pai a coroa foi assumida por sua mãe e uma regência de 20 senhores feudais (boiardos). Quando morre a mãe, provavelmente envenenada, o poder se reparte entre as diferentes facções dos boiardos. É nesse ambiente de ódio e de morte que Ivan passa sua infância, com a crença permanente de que poderia ser assassinado. Seus passatempos se dividiam entre o maltrato aos animais e a caça.

Autodidata, se interessa pelas Sagradas Escrituras e por força de se prostar diante dos ícones sua testa adquire certa calosidade. Casa-se em 3 de fevereiro de 1547 com Anastasia Romanovna Zakharine com quem tem 5 filhos. Além de Anastasia teve mais seis esposas, a última das quais Maria Fedorovna com quem se casou em 1580 e com quem teve um filho.

WikiCommons

Pintura de como teria sido Ivan, o Terrível

Código Czarista

Em seguida aos incêndios que devastaram Moscou em 1547 e que provocaram milhares de mortos, Ivan se diz abandonado por Deus e decide convocar representantes de todas as regiões da Rússia. Esta assembleia teve lugar em 1550 e Ivan prometeu defender o povo contra a opressão e a injustiça. Nessa reunião anuncia e outorga o seu ‘código czarista’ que passa a valer como constituição.

Os primeiros anos de seu reinado são dedicados a uma modernização da Rússia. Cerca-se de gente jovem alheia aos boiardos, decreta um código civil, reorganiza o clero, submetendo-o ao Estado e cria um corpo de guardas encarregado da segurança pessoal do czar. Convoca a primeira ‘assembleia do campo’, o primeiro parlamento russo ainda do tipo feudal e cria um Conselho de Nobres para as grandes decisões. A primeira máquina de impressão é trazida ao país.

Reviravolta

Contudo, a partir de 1560, o regime endurece. As primeiras leis restritivas da liberdade dos camponeses são impostas e conduzem a um estado de servidão. Ivan estabelece um regime de terror contra os boiardos a quem odiava desde a juventude. Em 1564 institui o ‘poder real’ assumido pessoalmente pelo czar. Esse poder é administrado por sua polícia especial a ‘opritchnina’ e os ‘opritchniki’ se transformam rapidamente nos déspotas locais, aterrorizando a população e os nobres.

Com relação à política externa, Ivan estende seu império à Suécia, à Polônia e à região tártara contra os quais empreende suas primeiras campanhas militares. Na tentativa de garantir acesso ao rio Volga, mais ao sul, Ivan IV deixa Moscou em 1552 à frente de um exército de 100 mil homens provindos das mais diversas regiões. Pela primeira vez, os comandantes militares foram nomeados por seus méritos e não pelo berço. Em outubro desse mesmo ano, no principal combate da campanha, ocupa Kazan, a capital dos tártaros. Para celebrar esta vitória, manda erguer em Moscou a catedral de São Basílio. A construção durou seis anos e segundo a lenda os olhos de seu arquiteto, Barma Iakovlev, foram perfurados para que não mais pudesse desenhar outra catedral tão bela.

Em 1558 envolve-se na longa guerra russo-livoniana, que, depois de lhe ter assegurado uma saída ao mar Báltico, termina em 1583 com um derrota diante da coalizão formada pela Polônia, Suécia, Lituânia e os Cavaleiros Teutônicos da Livônia.

Final

No final do reinado de Ivan, a Rússia se encontrava exangue por uma guerra de 25 anos e assolada por epidemia de peste que provocou uma imensa mortalidade. Em 1581, mata seu filho mais velho Ivan Ivanovich, provavelmente num acesso de cólera.

As circunstâncias de sua morte em 18 de março de 1584, quando jogava xadrez, continua um mistério não elucidado até os dias de hoje. Durante os trabalhos de renovação de sua tumba nos anos 1960, pôde-se examinar seus restos. Revelou-se nos ossos a presença de fortes doses de mercúrio, levando a cogitar que ele tenha se envenenado voluntariamente. Note-se que era corrente naqueles dias que os médicos prescrevessem mercúrio em pó para fins medicinais como princípio ativo de um unguento, especialmente no tratamento da sífilis, ignorando-se que a absorção regular de tal substância poderia atingir o sistema nervoso central. Uma intoxicação prolongada por mercúria explicaria, desse modo,  segundo os historiadores, os acessos de loucura do czar.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: