sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

1959: De Gaulle assume presidência da França

No dia 8 de janeiro de 1959, o general Charles de Gaulle assumiu a presidência da Quinta República da França.
Charles de Gaulle aprendeu alemão quando era prisioneiro de guerra
O general Charles André Joseph Marie de Gaulle assumiu o posto de chefe de Estado da Quinta República da França no dia 8 de janeiro de 1959.
Ele nascera em Lille, em 22 de novembro de 1890. Na adolescência, decidiu fazer carreira no Exército, frequentando a Escola Especial Militar de Saint-Cyr. Aos 23 anos, ingressou na Infantaria e participou da Primeira Guerra Mundial, em que sofreu ferimentos graves. Prisioneiro de guerra dos alemães, ele aprendeu o idioma germânico.
Depois de alcançar as patentes de major e general, De Gaulle iniciou uma carreira política que determinaria a história do seu país. Em 1940, assumiu seu primeiro cargo como secretário de Estado da Defesa Nacional.
Ocupação nazista
Durante a Segunda Guerra, com a divisão da França, o primeiro-ministro do país, marechal Henri Phillipe Pétain assumiu poderes ditatoriais, e a capital do país foi transferida para Vichy, uma vez que Paris estava ocupada pelas tropas alemãs. O governo de Vichy era antirrepublicano, conservador e aliado dos nazistas.
Enquanto isso, De Gaulle procurou refúgio em Londres. Sob sua liderança, ele e outros exilados franceses apresentaram-se como governo alternativo a Vichy, criando o movimento chamado "França Livre". Esta organização de resistência foi fundamental para a vitória dos Aliados.
Estadista renuncia
Ao retornar à França em junho de 1944, De Gaulle foi aclamado como herói de guerra. Em 1945, foi eleito presidente, cargo que ocupou por apenas alguns meses. Devido a divergências com a Assembleia Nacional, que se recusava a instaurar uma presidência forte, De Gaulle renunciou em 1946, retirando-se da vida pública.
Nasce a Quinta República
Entre 1946 e 1958, a França passou por um período difícil: política e governos instáveis, revoltas por independência nas colônias da África, além da tentativa de reerguer o país ainda devastado pela Segunda Guerra. Em 1958, no auge da crise da Argélia, a Assembleia Nacional, pressionada pelos militares, convidou De Gaulle a elaborar uma nova Constituição. Nascia assim a Quinta República.
O governo anterior fracassara principalmente por causa da guerrilha argelina. De Gaulle conseguiu fazer uso de sua influência e poder em benefício próprio, conquistando novamente a presidência da França.
Tão logo foi eleito presidente, em 8 de janeiro de 1959, De Gaulle promulgou uma Constituição que reforçava os poderes presidenciais. Ele sabia da importância de um governo forte, nacionalista e conservador para reconquistar o prestígio e o poder da França no exterior. De Gaulle costumava afirmar que "a França é a luz do mundo".
Independência da Argélia
Durante sua gestão, De Gaulle negociou a independência da Argélia e enfrentou a oposição armada dos oficiais de direita do Exército. Seu governo reergueu a economia do país, liderou a Comunidade Econômica Europeia e desvinculou-se do comando militar da Otan. Com isto, De Gaulle voltou a colocar a França no topo da Europa, sendo considerado um dos maiores estadistas que o país já conheceu.
As revoltas estudantis de maio de 1968 abalaram seu governo. Embora um milhão de pessoas tenham cantado o hino A Marselhesa em solidariedade ao presidente, De Gaulle teve que ceder muito às reivindicações das classes sociais baixas e do sistema de ensino.
Plebiscito e renúncia
Seu estilo conservador não condizia mais com o novo panorama francês de sindicatos e greves. Em 1969, De Gaulle renunciou, após sair derrotado de um plebiscito sobre uma reforma constitucional. Charles de Gaulle morreu em 1970, aos 80 anos.
  • Autoria Marion Strüssmann
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