domingo, 3 de janeiro de 2016

1974 - Siraj Sikder, líder revolucionário de Bangladesh, é assassinado


Sikder fundou o Partido Comunista de Bengala, que desempenhou importante papel na luta pela independência do país

Siraj Sikder, líder revolucionário de Bangladesh, é preso em Hali Shahr, Chittagong, em 31 de dezembro de 1974, pelos serviços de inteligência do Estado. Na noite de 2 de janeiro de 1975 é assassinado perto da estação de ônibus de Savar, estando sob custódia da polícia, a caminho do aeroporto de Dhkc ao campo de treinamento militar guerrilheiro de Rakkhi Bahini, em Savar. 
Após a morte de Sikder, o partido Purba Banglar Sarbahara (Partido Proletário do Leste de Bengala), por ele chefiado, foi dividido em dois. Mais tarde, essas duas facções se dividiriam ainda mais. A facção majoritária foi liderada pelo segundo em comando de Sikder, Hamidul Hoque, quem assumiu imdeiatamente as rédeas do partido após a morte do líder. Esta facção iria romper com o maoismo e adotar a linha política da Albânia. Mais tarde mudou seu nome para Partido Comunista de Bangladesh.

Siraj Sikder nasceu em 27 de outubro de 1944 em Bhedarganj, Shariatpur. Após passar pela escola Barisal Zilla em 1959, ingressou no Colégio Barisal Brojomohun em 1961. Diplomou-se engenheiro na Faculdade de Engenharia de Daca em 1967.

Durante sua vida estudantil, foi membro muito ativo da União de Estudantes do Paquistão Leste (antigo nome de Bangladesh sob domínio indiano). Foi eleito vice-presidente do comitê central da União de Estudantes (grupo Menon) em 1967. No mesmo ano, foi contratado pelo Departamento C&B do governo como engenheiro, porém pouco depois passa a trabalhar para uma emprea privada, a Engenharia Limitada, em Teknaf.

Em 8 de janeiro de 1968, ao lado de outros ativistas, formou uma organização clandestina Purba Bangla Sramik Andolon (Movimento dos Trabalhadores do Leste de Bengala).

Mais tarde, já sob o nome de Partido Comunista de Bengala, o partido desempenhou importante papel na luta pela independência do país, tendo como um de seus objetivos desenvolver a luta contra o revisionismo existente em várias organizações “comunistas”.
No começo dos anos 1970, engajou-se na luta armada em defesa do novo Estado bangladeshi. A partir de então seu peso politico diminuiu em virtude das sucessivas cisões internas de sua agremiação partidária. No entanto, seu grupo permanceu ativo, levando a cabo violentos ataques aos seus oponentes.
Esta iniciativa trouxe à tona a tese de que Bangladesh Leste seria uma colônia do Paquistão e que a principal contradição na sociedade era entre a burguesia burocrática aliada aos senhores feudais e o povo. Somente a luta pela independência no sentido de fundar a República Popular de Bangladesh Leste, “Independente, democrática, pacífica, não-alinhada e progressista”, livre inclusive da opressão do imperialismo dos Estados Unidos, do social-imperialismo da União Soviética e do expansionismo da Índia poderia conduzir a sociedade em direção ao socialismo e ao comunismo.
No final de 1968, Sikder organiza o Centro de Pesquisas Mao Tsé-tung em Daca que foi mais tarde fechado pelo governo do Paquistão. Em fevereiro de 1970, ingressa no Technical Training College como conferencista.
No curso da luta pela independência, numa área libertada denominada Pearabagan, na região sul do país, em 3 de junho de 1971, Sikder funda um novo partido, o Purba Banglar Sarbahara (Partido Proletário de Bangladesh Leste) pautado na ideologia marxista e no Pensamento de Mao Tsé-tung – e não o “maoísmo” que durante os anos 1960 os seguidores da linha Mao usavam para identificar sua ideologia como Marxismo-Leninismo-pensamento
Mao.No início da guerrilha rumou para Barisal, declarando a zona como espaço livre a partir do qual iniciaria a revolução na tentativa de estendê-la a outras regiões. A guerra que travou era de ideologia distinta daquela que lutou em nome do Mukti Bahini – significando Exército de Libertação, terbo que se referia a todas as forças de resistência que lutavam contra o exército paquistanês durante a Guerra de Libertação de Bangladesh em 1971. Lutou para erradicar a pressão econômica da máquina estatal não importando a sua nacionalidade.
Fonte: Opera Mundi

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