sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

1999 - EUA entregam controle do Canal do Panamá


O ex-presidente norte-americano Jimmy Carter assinou em 1977 o acordo que selava a transferência da soberania da região


Vista aérea da região do Canal do Panamá nos dias de hoje


Em 31 de dezembro de 1999, os Estados Unidos, por força dos Tratados Torrijos-Carter, entregam oficialmente o controle do Canal do Panamá, colocando essa estratégica rota aquática nas mãos dos panamenhos pela primeira vez.

Multidões saudaram a transferência do canal de 80 quilômetros de extensão que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. O canal foi oficialmente aberto quando o navio SS Arcon, de bandeira norte-americana, o atravessou em 15 de agosto de 1914. Desde então mais de um milhão de navios usaram o canal.

O interesse em encontrar um caminho mais curto entre o Atlântico e o Pacífico teve início com os navegadores e exploradores da América Central no começo do século 15. Em 1523, o imperador Charles V do Sacro Império Romano Germânico ordenou um levantamento do istmo do Panamá e diversos planos para a abertura de um canal foram feitos, porém nenhum deles implementado.

O interesse dos Estados Unidos em construir um canal foi desencadeado com a expansão do oeste norte-americano e a corrida ao ouro na Califórnia em 1848. Hoje em dia um navio partindo de Nova York rumo a San Francisco pode economizar cerca de 12.500 quilômetros tomando o Canal do Panamá em vez de contornar a América do Sul. 
Em 1880, uma companhia francesa liderada pelo construtor do Canal de Suez, Ferdinand de Lesseps, começou a cavar um canal através do istmo do Panamá, então território pertencente à Colômbia. Mais de 22 mil trabalhadores morreram de doenças tropicais como a febre amarela durante a primeira fase de terraplanagem da construção. A companhia francesa foi finalmente à bancarrota, acabando por vender seus direitos ao projeto aos Estados Unidos em 1902 por 40 milhões de dólares.

Wikicommons
O presidente Theodore Roosevelt defendeu firmemente o canal, vendo-o como importante para os interesses militares e econômicos dos Estados Unidos. Em 1903, o Panamá declarou sua independência da Colômbia, resultado de ação militar apoiada por Washington.

[Imagem da construção do canal, em 1907]

Em decorrência, os Estados Unidos e o Panamá assinaram o Tratado de Hay-Bunau-Varilla, pelo qual os norte-americanos concordavam em pagar 10 milhões de dólares por um comodato perpétuo das terras ao longo do projetado canal, mais 250 mil dólares anuais a título de arrendamento.

Concluído em 1914, o canal, que custou 375 milhões de dólares à época, foi universalmente considerado um grande feito da engenharia e representou o surgimento dos Estados Unidos como potência mundial.

Em 1977, respondendo a cerca de 20 anos de protestos panamenhos, os presidentes de EUA, Jimmy Carter, e Panamá, general Omar Torrijos, assinaram dois novos tratados que substituíram o acordo original de 1903, ajustando a transferência da soberania do canal para 1999.

O tratado, aprovado por escassa maioria pelo Senado dos Estados Unidos, concedeu a Washington o direito exclusivo de defender o canal contra qualquer ameaça a sua neutralidade. Em outubro de 2006, os eleitores panamenhos aprovaram em plebiscito um plano de 5,25 bilhões de dólares destinado a duplicar as dimensões do canal até 2015, a fim de melhor atender os modernos navios.

As embarcações pagam taxas para usar o canal, de acordo com o seu tamanho e volume de carga. Em maio de 2006, o navio mercante de containers Maersk Dellys, tendo como bandeira as Ilhas Marshall, pagou a taxa recorde de 249.165 dólares. A menor taxa de todos os tempos – 36 centavos de dólar – foi paga por Richard Halliburton, que atravessou o canal a nado em 1928.
Fonte: Opera Mundi

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